NOVENTA E UM.

965 71 48
                                        

O quarto estava em silêncio, exceto pelo som suave da respiração dela, que dormia profundamente na cama ao meu lado

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

O quarto estava em silêncio, exceto pelo som suave da respiração dela, que dormia profundamente na cama ao meu lado. Cecilia parecia tão pequena naquele momento, quase frágil. Ela estava exausta, e com razão.

Sempre soube o quão forte a Ceci era. A mulher não se abalava com nada, tinha um emocional de invejar, mas hoje, eu não consegui fazer nada além de admira-la.

Ela manteve a calma até o último minuto, trazendo nossa filha pro mundo mesmo tremendo de tanta dor.

Sei lá. Eu simplesmente casei com a mulher mais foda que eu conheço.

Meus olhos se voltaram para o bercinho transparente ao lado dela. Kali estava ali, toda enroladinha em uma manta branca, com o rostinho corado e as mãozinhas minúsculas fechadas em punhos, descansando como se soubesse o quão incrível foi sua chegada. Eu não conseguia parar de olhar. Era surreal. Ela era real. Minha filha. Nossa filha.

A enfermeira entrou no quarto com passos leves, segurando uma prancheta e assim que me viu, sorriu gentilmente.

— Papai, quer saber como foram os primeiros momentos da sua pequena?

Assenti de imediato, ainda um pouco atordoado pela palavra “papai”. Era tão nova pra mim, mas tão natural ao mesmo tempo.

— Quero muito.

Ela se aproximou e ficou ao lado do bercinho, observando Kali com o mesmo cuidado que eu.

— Então, logo que ela nasceu, nós a colocamos sobre o peito da mamãe, como você viu. Isso foi importante pra estabelecer o vínculo entre as duas e também para acalmar a bebê. É incrível como eles reconhecem o cheiro da mãe tão rápido.

Lembrei da cena e senti um aperto gostoso no peito. A forma como Cecilia chorou, segurando nossa filha pela primeira vez, e como Kali parecia se encaixar perfeitamente ali, como se aquele fosse seu lugar desde sempre.

— Depois, fizemos os primeiros cuidados. Limpamos ela, pesamos, medimos… Sua pequena tem 50 centímetros e 3,4 quilos, perfeita em todos os detalhes. E ela chorou bem forte, sinal de que os pulmõezinhos estão ótimos.

Eu ri baixinho, passando a mão pela nuca, ainda absorvendo tudo.

— É um som que nunca vou esquecer. Foi o choro mais bonito da minha vida. Mas e agora? O que acontece? — perguntei, e a enfermeira riu baixo, provavelmente pela minha cara.

— Agora ela vai descansar. O primeiro dia é exaustivo pra eles, assim como pro corpo da mãe. Vocês podem aproveitar pra ficar com ela, segurar, conversar... Esse contato é essencial. Vamos deixar vocês descansarem durante a noite e amanhã, no primeiro horário, vamos levar ela pra fazer mais alguns exames. Mas exames de rotina, está tudo mais do que certo com ela. Linda e saudável. — Sorri, assentindo.

— Sei que é meio cedo pra perguntar, mas... Tem alguma previsão de quando elas vão poder ir pra casa?

— Não é cedo não, fica tranquilo. Como o parto foi totalmente saudável, acredito que no máximo em 48 horas, se tudo seguir nos conformes, vocês estarão em casa. — Sorrimos um pro outro, enquanto eu assentia. — Agora, vou deixar vocês descansarem. Qualquer coisa, o botão do lado nos aciona, tá?

SPECIAL II • JUDE BELLINGHAM Histórias para pegar e não largar. Descubra agora