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Quando eu era adolescente, a ideia de sair para balada simplesmente não fazia sentido para mim. Naquela época, mesmo sendo extrovertido, era meio avesso ao barulho e ao caos que parecia envolver as noites nos clubes, além do fato de sempre ter sido extremamente preguiçoso e amante de uma boa noite de sono. A ideia de me perder em meio a multidões, na época, não era atrativa.
Até chegar em Madrid. Aquela cidade respirava festa a ponto de aflorar esse meu lado que eu jurava que nunca fosse ser despertado. Mas confesso que as companhias influenciavam totalmente, e admito que, saber que a Cecilia era amante da noite, me deixava mais confortável ainda. Sair e viajar com eles era ir já sabendo que teria história pra contar e risada garantida com as lembranças por semanas.
Mas meu lado caseiro ainda permanecia vivo e, apesar de gostar de smair, fui totalmente sincero quando disse que estava disposto a ficar em casa caso ela não estivesse confortável pra vir pra cá hoje. Foi a primeira vez que vi Ceci assim, sei que era por conta de toda a carga emocional que a gravidez trazia, assim como sei que seria a primeira vez, de muitas que iriam rolar até nossa pretinha nascer.
E por não estar carregando e sentindo diretamente toda essa montanha russa, o minino que eu podia fazer era ficar ao lado dela quando essas emoções chegavam. Prometi que aprenderiamos e passariamos por tudo isso juntos e assim vai ser, não era um fardo, nem motivo de chateação pra mim. Até porque, ficar com a Cecilia era legal independente do ambiente.
Dito tudo isso, apesar dela garantir que queria vim, estava um pouco mais atento aos seus sinais, até porque, a bonitinha amava esconder quando estava se sentindo mal. Mas fiquei aliviado ao perceber que ela estava, de fato, se divertindo.
O foda é que, as vezes, a vida gosta de sacanear, né?
Não tinha a minima necessidade de encontrar a Lilly justo hoje. E novamente, fiquei aliviado ao ver o quanto a Ceci ficou tranquila com isso. E sim, apenas aliviado, não tanto surpreso, pois o inseguro do relacionamento era eu, convenhamos.
Apesar de ter gostado de vê-la, já que, foi minha amiga durante todo o ensino médio, não achei que cabia ficarmos próximos. As informações que interessava um ao outro, foram ditas: nossas famílias estavam bem, e ambos estavam felizes e seguindo a carreira que almejavam, era só isso que interessava. E de fato, a interação deveria ter acabado aí, mas eu não me aguento, né? É impressionante.
— Será que ele tá bem? — soltei para Cama e para Ísis, vendo o Vincent, em um canto escuro, pendendo de um lado para o outro, escorado na parede, enquanto Lilly tinha ido ao banheiro.
— Bem mal, aparentemente. — Ísis o observou também.
— Não vem com esse seu coração de nós todos, não. Deixa ele lá, é melhor. — Cama percebeu minha intenção.
— Espera a Lilly voltar. Acredito que ela tenha percebido o quão mal ele está. Provavelmente deve estar prestes a levá-lo embora. — Ísis completou, enquanto eu assentia, desviando o olhar.