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Mia acabou seu próximo texto a ser publicado, sobre o futebol feminino, sua mão periodicamente acariciava sua barriga. A garota estava sozinha em casa, Júlia estava no aeroporto, era janeiro de 2028, a garota buscava seus pais para, então, verem sua nora grávida, no último mês de gestação, Neide ficaria em solo italiano para ajudar as mamães de primeira viagem.

Mia se sentou na poltrona recém comprada, para que a amamentação ocorra nos próximos tempos,  a garota sentia bastante sono, mas o médico havia dito que era algo comum, principalmente no final da gestação, ela fechou os olhos e aproveitou o silêncio, acabando por cochilar.

Júlia abriu a porta e viu sua mulher dormindo como um anjo, ela sorriu e se virou aos pais, pedindo silêncio, ambos sorriram e entraram sutilmente na casa, indo para o quarto de visitas, que sempre era o destino deles. Júlia se aproximou de sua mulher e deixou um beijo longo em sua testa.

- Meu bem, vá pra cama. - A ruiva disse sentada no braço da poltrona.

- Foi só um cochilo te esperando. - Mia disse entrelaçando os dedos delas. - Cadê seus pais? - Júlia apontou com o queixo e Mia se levantou, com a ajuda da ruiva, caminhando pelo corredor.

- Meu deus, que lindeza. - Neide disse observando Mia, Júlia estava logo atrás, ainda de mãos dadas com a jornalista. - Oh, minha filha, como você está se sentindo? - A sogra de mia se aproximou deixando um beijo na bochecha da nora, que respondeu sobre os sintomas da gravidez que estava sentindo, mas que estava bem acima de tudo. - Posso?

- Claro, sua neta está ansiosa por vocês, mal me deixou dormir depois que Júlia disse que vocês estavam vindo pra cá. - Mia disse sentindo as mãos de Neide sobre sua barriga, André sorria, sempre mais calado, mas sempre muito querido.

- Eu ainda não acredito nisso. - A única voz masculina disse.

- Nem eu, papai. - Júlia disse, Marie, que estava esse tempo todo dormindo, passou correndo até seu avô, que sempre mimou-a.

- Você está animada com a irmã, Marie? - Ele disse fazendo carinho da cachorra que abanava o rabo freneticamente.

- André, vem cá. - Neide disse e olhou pra Mia, pedindo permissão de novo e novamente sendo concedida, André encostou no mais próximo que conseguia da neta e sentiu um chute, o fazendo rir.

- Eu espero que ela não puxe a Júlia. - A ruiva resmungou e fez Mia a olhar curiosa.

- Só tinha muita energia, nunca fiz nada demais.

- Ah, claro, ela era ciumenta e elétrica, você imagina como essa situação não combina?

- Isso não mudou muito, sogro. - Mia disse fazendo os mais velhos rirem, Júlia suspirou. - Brincadeira, Amor. - Mia disse deixando um beijinho nos lábios da mais alta. - Vamos pra cozinha, eu faço um cafezinho pra gente.

- Nada de você fazer, você vai descansar. - Júlia disse segurando na cintura da namorada enquanto a guiava até o sofá, ou melhor, sua poltrona. - Eu vou lá fazer pra gente, vocês ficam falando mal de mim.

- A gente nunca falaria mal de você, Ju. - André disse apertando o ombro da mais velha. - Nós quatro te amamos muito.

- Eu diria que até demais. - Mia disse apenas para provocar e escutou risos de todos.

- Eu também amo vocês, muito, principalmente a pequena.

- Não esqueça de quem a carrega, Júlia. - Mia disse em um tom quase ameaçador, mas obviamente de brincadeira.

(...)

André havia ido embora, Neide fazia companhia e ajudava Mia quando Júlia estava em treinos e jogos. No momento, ambas estavam sentadas em frente à televisão, Mia vestia um casaco do time de Bergmann, a maior peça que ela havia conseguido comprar, para que coubesse a barriga da mulher.

- Sua mãe ganhou mais uma, filha. - Mia disse olhando para a barriga e para as jogadoras comemorando. Neide sorriu com a cena, ela sabia que Mia era uma boa pessoa e estava muito feliz que ela é quem está ao lado de sua filha, ela sabe que Mia ficará ao lado de Júlia na alegria e na tristeza, em todas as situações.

Júlia logo estava em casa, chegando e sendo abraçada por suas mulheres, o casal estava cansado, Mia estava cada vez mais perto do parto, sentia seu corpo pesado demais, eram muitos esforços para coisas pequenas e agradecia por sua sogra estar ali para ajudá-la. Júlia sentia seus músculos tencionados, ainda existia a adrenalina do jogo e a raiva de alguns erros bobos que ela havia cometido.

Neide havia ido dormir, Júlia terminava de lavar a louça da janta que fizeram juntas, Mia a fazia companhia e uma conversa sobre o dia de ambas ocorria.

- Meu bem, preciso de um banho. - Júlia disse para a namorada, suas mãos seguraram a cintura da mais velha que olhava em seus olhos.

- Posso te acompanhar? Também preciso de um, não pedi ajuda da sua mãe pra isso. - Julia riu fraco e concordou, a menor segurou a mão da jogadora e foi até a suite do casal, a porta do quarto e depois a do banheiro haviam sido fechadas, a Itália estava fria, Júlia ligou o aquecedor no banheiro.

- Você está tão linda. - Bergmann disse observando a grávida que sorriu. Júlia se aproximou e segurou o moletom que cobria o tronco da jornalista. - Posso te ajudar?

- Por favor. - Mia disse e logo ficou despida da parte de cima, quanto menos roupa era melhor, menos camadas e menos dificuldade em se vestir. Julia a ajudou a tirar a suas próximas peças, Mia não deixou que apenas a ruiva fizesse o trabalho, puxando a camiseta da maior e esperando que ela fizesse o resto, já que Mia não conseguia tão bem.  - Vamos, vou esfregar suas costas, você parece estar tensa. - Mia disse sentindo a água quente em sua pele, Júlia fechou os olhos ao unir seu corpo com o de Mia, se encaixando atrás dela, suas mãos seguraram a barriga da mais velha e seu rosto se encaixou no pescoço dela.

Elas aproveitavam aquele momento, os carinhos sem malícia, sentir a pele a pele, as conversas com a bebê, os beijos apaixonados, os sorrisos abobados e os olhos brilhantes.

Mia já estava de baixo das cobertas quando Júlia voltou para o quarto com uma pequena caixa, entregando para a mais velha.

- O que é isso? - Ela disse.

- Fãs me deram, olhe. - Júlia disse e a caixa foi aberta, dois bodys simulando uma camiseta de vôlei para a filha delas, um da seleção e outro do time, o nome Bergmann estampado nas costas.

- Você sabe que ela vai usar isso em todos os jogos, não sabe? - Mia disse sorrindo e Júlia concordou, deixando um beijinho nos lábios dela.- Vamos estrear essa em LA, Amor. - Júlia sorriu envergonhada, mesmo sendo uma das principais peças brasileiras, ela tinha aquele medo de não ser convocada.

- Não sabemos ainda, Amor.

- Ju, você vai ganhar outra medalha olímpica, mas dessa vez não vai ser comigo torcendo com você, vai ser com a gente. - Mia disse puxando a ruiva para um beijo. - Eu te amo.

Chamego - Julia BergmannOnde histórias criam vida. Descubra agora