4.9

1K 109 11
                                        

Depois daquela final Júlia Bergmann entendeu algo muito precioso, nada tinha valor maior do que quem sempre está do seu lado. Seus pais, seus amigos e sua namorada a apoiavam em tudo, não havia motivos para deixar sua preocupação desbancar o amor.

Então, dali em diante Júlia sempre dava um jeito. Ela havia virado a maior fã de Mia, fazia questão de postar em seus stories sobre as matérias da namorada, ou fotos discretas sobre as duas. Era algo singelo, mas gigante para elas. Mia se senti apoiada, querida e contemplada.

Não era segredo que elas namoravam, mas nunca deram detalhes para mídia, apenas o fato ficou exposto conforme suas ações. As entrevistas após os jogos, os olhares cúmplices, ou Mia aparecendo com Bergmann estampado atrás de sua camiseta em um jogo do Brasil. Aquilo fez o coração de Júlia saltar como nunca, ela estava ali, expondo com todas as letras que ela um dia será Camila Borges Bergmann, bem, Júlia estava ansiosa por esse momento.

As temporadas se passavam e o rendimento de Júlia aumentava cada vez mais. Chegava a ser impressionante a maneira que a garota se destacava na liga turca e nos jogos pela seleção, mesmo que não tivera conquistado nenhuma medalha nesse período.

Mia continuava sua carreira na parte da escrita esportiva, suas matérias tem ganhado destaque, principalmente ao evidenciar pontos um pouco secretos do vôlei, já que tinha uma pessoa infiltrada no meio. O reconhecimento dela já passava a ser visto em alguns países, já que as competições intercontinentais traziam novos leitores para ela.

Com ambas caminhando bem em sua área elas continuavam distantes, viagens rápidas, datas comemorativas ou competições, eram esses os momentos que elas tinham para desfrutar da presença da outra, mas era inacreditáveis a forma que aquele relacionamento era forte, como a conversa fazia tudo funcionar e mesmo com horas de diferença, elas sempre estavam ali para a outra.

Elas se entediam de uma maneira incomum. O olhar denunciava sentimentos, o tom de voz e até memso o ângulo que a câmera estava ao atender o telefone. Júlia e Mia tinham algo especial e que duraria para sempre se permitido.

No auge de seus 26 anos, Júlia Bergmann esperava ansiosa por sua namorada voltar ao seu apartamento na Turquia após uma ida ao mercado para comprar macarrão. Ela estava sentada no sofá, suas pernas se mexiam freneticamente enquanto Mia demorava pra chegar.

Enquanto isso, Mia caminhava para o apartamento se questionando sobre quando seria o momento ideal para compartilhar sua novidade com Júlia. Ela queria que fosse o momento perfeito, queria que desse tudo certo, bem, no fim sempre daria certo, não é?

Ela pegou um pacote de macarrão e ao andar para o caixa viu algumas rosas, ela pegou uma e pagou sua compra. Ela foi em sua maior velocidade para a sua mulher, abrindo a porta do apartamento e encontrando Júlia com uma expressão de nervosismo no sofá. Mia estendeu a flor pra ela que sorriu, amenizando um pouco sua expressão.

- Eu preciso te contar uma coisa. - Júlia disse observando Mia que franziu as sobrancelhas.

- Eu também preciso te contar uma coisa. - Júlia a olhou surpresa. - Fala você primeiro.

- Não, fala você.

- Você quem começou. - Mia disse e Júlia suspirou.

- Vamos falar o assunto juntas. - Mia concordou e então uma contagem se iniciou. - Vôlei.

- Trabalho. - Ambas se olharam e riram. - Não esperava por essa.

- Nem eu.

- De novo? Agora falando tudo. - Mia disse e sentiu Júlia entrelaçar seus dedos com os da mais baixa. Novamente, 3, 2, 1 e ambas disseram.

- Recebi uma proposta pra ir pra Itália. - Os olhares se arregalaram. Ambas tinham a mesma notícia, falaram com as mesmas palavras e tiveram a mesma reação, travar.

- Você tá falando sério? - Júlia disse com a voz trêmula e Mia concordou sentindo seu olhar molhado. - Pra onde?

- Florença e você?

- Scandicci, é do lado, Mia. - O coração de ambas estava acelerado. Elas poderiam morar juntas, dar um passo que almejavam no relacionamento, depois de quase quatro anos juntas, elas sentem a necessidade de estar mais perto e agora, bem, agora isso era possível.

- Pra jogar com a Carol? - Júlia concordou e viu Mia sorrir. - Parabéns, Amor, eu tô tão orgulhosa. - Júlia sorriu e sentiu um beijo.

- Eu também tô muito orgulhosa de você, o que exatamente aconteceu?

- Uma emissora de lá entrou em contato, disseram que gostam muito das minhas publicações e queriam que eu escrevesse para eles e ajudasse no texto dos programas, dando apoio.

- Sem viagens malucas? - Júlia disse surpresa e ouviu a risada gostosa de Mia.

- Sem viagens malucas, só se for com a sua companhia, aí sim. - Mia sentiu Júlia a abraçando e deixando beijos por seu rosto. - Podemos ter nosso cantinho, Ju.

- Podemos, Mia. - Júlia disse não conseguindo contar seu sorriso. - Podemos sonhar com um futuro próximo, alguns anos e podemos casar, tentar nossos filhos.

- Eu amo quando você fala dos nossos filhos. - Mia admitiu e recebeu um beijo demorado da namorada.

- Eu amo falar dos nossos filhos. - Ela riu. - Estou ansiosa para ver nossa coisinha no mundo.

- Não chama assim, Júlia. - Mia disse brava e ouvindo Júlia rir. - Eu te amo, mesmo quando você chama nosso futuro filho de coisinha.

- Eu também amo você, eu sei que você gosta quando eu chamo de coisinha.

- Não, eu não gosto.

- Vou fingir que acredito. - Júlia deixou um beijo no nariz de Mia. - Agora vamos comer macarrão pra entrar no clima italiano?

- Com certeza! - Mia disse caminhando com a namorada para a cozinha. Ela observava Júlia mexendo no armário. - Você não quer usar molho pronto, quer?

- Eu ia fazer isso. - Ela disse e viu Mia revirar os olhos.

- Vamos fazer as coisas do jeito certo, Júlia. Temos tomates de verdade, sabia?

- Mandona.

- Eu também te amo.

Chamego - Julia BergmannOnde histórias criam vida. Descubra agora