A noite seria agitada, o primeiro jantar na casa de Mia e Júlia, em terras italianas, iria acontecer. O confronto entre Conegliano e Savino permitiu que Júlia convidasse Carol e Gabi para conhecer sua nova residência. Anne estaria junto, claro, ela havia parado com o vôlei a alguns meses, permitindo que ela e Mia fossem as maiores torcedoras do clube de suas mulheres.
- Amor, você pode me ajudar? - Mia disse enquanto observava a panela a sua frente, o famoso strogonoff era o prato da noite, algo simples, mas efetivamente bom e do agrado de todos os convidados. Júlia se aproximou e deixou um selinho nos lábios da mais nova.
- Pode deixar comigo. - Sua animação era visível, ela deixou a panela onde Mia indicou. - Amor, você viu a Marie? - Mia sorriu, ela não aguentava ouvir esse nome e lembrar que deixou a primeira filha do casal ganhar esse nome por causa de Marie Curie, uma das maiores físicas do mundo.
- Ela deve estar no nosso quarto, certeza que tá aprontando. - A mais velha disse enquanto via a sua namorada indo para o local indicado, a porta ganhou batidas e Mia se dirigiu a ela, não havia dúvida de quem estaria ali, as três jogadoras tinham sorrisos e olhares que transmitiam felicidade.
- Que casa aconchegante! - Carol disse abraçando Mia, elas haviam se aproximado muito após a mudança, ela e Anne foram praticamente guias para as garotas nos primeiros meses. Todas se cumprimentaram e entraram, encontrando Júlia voltando com a cachorrinha recém adotada do casal, a primeira filha delas.
- Meu Deus, estava tão animada pra conhecer essa bebê. - Gabi disse se abaixando após Júlia colocar Marie no chão. Ela não teve dúvidas ao correr para a cacheada. - Ah, oi, Júlia. - Gabi disse arrancando uma gargalhada de Carol.
- Como está, Ju? - Carol disse enquanto Anne e Mia abriam um vinho na cozinha, elas riram da primeira tentativa falha, mas logo voltaram com a garrafa aberta. O clima era bom, leve e descontraído. Nem parecia que no dia anterior elas eram rivais em quadra.
As cinco mulheres estavam sentadas na sala de estar após jantar, o papo fluía sem nenhum esforço, claro que o vinho tornava as coisas mais engraçadas, mas tudo já era bom por si só.
- Nós apostamos quanto a Júlia demoraria pra se apaixonar por você. - Gabi disse para Mia que riu supresa, já Júlia ficou vermelha e escondeu o rosto.
- É mentira, não fizeram isso não. - A ruiva disse, mas foi interrompida por Anne.
- Não é, lembro da Carol triste dizendo que perdeu.
- Quem ganhou? - Mia disse curiosa e viu as brasileiras se olhando.
- Ninguém, todo mundo apostou pro menos uma semana, ela se perdeu na hora. - Carol disse fazendo com que todos rissem, menos Júlia.
- Pode parar com isso, vocês tão me envergonhando na frente da minha mulher. - Ela disse e sentiu um beijo lento de Mia em sua bochecha.
- Não achei nenhuma vergonha, Amor, eu achei adorável. - Ela disse se ajeitando na namorada e entrelaçando seus dedos.
- Vocês sempre foram uma boa combinação, a gente sempre torceu muito, é tão bom ver onde vocês chegaram. - Anne disse sendo fofa, Mia sorriu e respirou fundo.
- Você não imagina o quanto é bom isso, parece um sonho. - Mia disse.
- Qual o próximo plano? Ter filho? - Gabi disse apenas para encher o saco da mais nova da sala.
- Provavelmente, Capitã, estávamos conversando sobre isso. - Gabi quase cuspiu o vinho, Júlia permaneceu séria, Carol e Anne gargalharam da reação da cacheada.
- A gente também estava, será que vamos ter na mesma época? - Carol disse animada e Mia sorriu com a possibilidade.
- Gente, isso tá sendo tão fofo e assustador. - Gabi disse antes de continuarem a conversa sobre diversos assuntos. Mia se sentia grata por tudo que acontecia ali, seja Marie pulando em uma das tias para brincar, seja Carol atormentando a Gabi com qualquer brincadeira, ela se sentia com uma família em solo italiano, isso era demais.
Júlia não tinha uma perspectiva muito diferente, ela vi sua mulher, suas amigas e ela preenchidas de felicidade. Ela podia jurar que naquela noite esteve no céu, cada risada, cada conversa, cada pequeno detalhe era gratificante.
Já passava de duas da manhã quando as convidadas foram embora, Mia e Júlia se olharam após a porta se fechar, Marie dormia tranquilamente no tapete da sala.
- Eu tô tão feliz. - Júlia disse olhando para a mais abaixa e a abraçou. - Obrigada. - Mia sentiu seu coração amolecer, seus dedos fizeram carinhos nos fios ruivos e seus lábios deixaram um beijo leve nos de Júlia.
- Eu te amo, obrigada por estar na minha vida. - Os olhares de ambas carregavam sentimentos próximos a paixão, amor e admiração.
O abraço durou alguns minutos, até que ambas concordaram que já passava da hora de dormir. Seus corpos não estavam mais habituados a noites mal dormidas, mas sim a tranquilidade se compartilhar seu lugar com alguém especial.
Mia caminhou até o banheiro delas, pegando sua escova de dentes e iniciando a escovação. Júlia estava logo atrás dela com Marie nos braços, a barriga para cima e a cabeça caída denunciavam que ela continuava dormindo feito um neném. Bergmann se acomodou ao lado de Mia.
- Olha que família mais linda. - Mia sorriu com a boca cheia de espuma, deixou um beijo na bochecha de Júlia, tornando a pele da garota molhada. - Nojenta. - Júlia disse antes de sair do banheiro para deixar Marie em sua caminha. A garota vestiu sua calça do star wars, um de seus filmes preferidos e foi até o banheiro para escovar os dentes. Mia, por sua vez, foi vestir seu pijama e buscar duas garrafas de água para caso sentissem sede pela noite.
Júlia ao terminar sua higiene se sentou na poltrona do quarto para esperar sua mulher, Marie se levantou e passou a pedir colo para a mãe, Júlia, como uma mãe manhosa, a pegou no colo, fazendo com que ela voltasse a dormir logo.
- Você é muito linda, filha. - Júlia disse com a voz fina enquanto mexia na barriga da cachorra. - A mamãe te ama muito, você é minha dengosa. - Mia observava a cena da porta do quarto, um sorriso reconfortante estava em seus lábios. Seus passo se aproximaram de Júlia e suas mãos puxaram seu rosto pra cima, deixando um beijinho.
- Vamos dormir? - A ruiva concordou, voltando a pequena para a caminha e se ajeitando na cama do casal, Mia apagou as luzes e se deitou, sentindo Júlia se arrastando, como quem não quer nada, para perto. - Júlia Bergmann. - Mia disse séria e tinha certeza que o corpo inteiro da namorada ficou tenso, e ela tinha razão. - Não precisa disfarçar, venha pro meu lado, por favor. - Júlia sorriu e se aconchegou na namorada.
- Eu te amo, Mia.
- Eu te amo, Júlia. - Um beijo foi dado. As mãos entrelaçadas e o amor preenchendo toda aquela casa.
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