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Depois de todo drama, sempre há uma paz, era exatamente isso que Mia e Júlia viviam. A bolsa estourando em meio a um jogo da ponteira, o aviso entre os sets, a permissão para sair correndo para o hospital e encontrar sua mulher se preparando para entrar em cirurgia.

Mia havia escolhido cesária desde o início, apesar do pós-parto ser mais complexo. Júlia vestia ainda seu uniforme, seus cabelos estavam mais bagunçados que o normal, seus olhos não paravam de derramar lágrimas, sua mão encontrou a de Mia, que foi esticada em sua direção assim que a ruiva entrou no campo de visão da jornalista.

- Eu pedi pra ela esperar o jogo acabar, mas ela não quis. - Mia disse fazendo Júlia rir, enquanto Mia foi levada para a sala, Júlia foi preparada para acompanhar a namorada, enquanto sua mãe esperava ansiosa do lado de fora. A ruiva dava apoio para a morena, suas mãos unidas, os dedos entrelaçados, as frases de apoio. Apesar de ser uma cirurgia, Júlia sabia que Mia estava nervosa.

Mas, ao ouvir aquele choro, o nervosismo cessou, ambas se olharam com os olhos marejados, sorrisos abertos e o coração em paz, Cecília estava ali.

O bebê foi colocado deitado no busto de Mia, Júlia observava aquela cena como se fosse a maior pintura de todos os tempos, pois, para ela, era. Aquilo era a imagem da sua vida, a realização de um sonho, sua mulher e sua filha, lado a lado.

(...)

A alta de Mia e Cecília aconteceu rapidamente, nada havia acontecido errado, em dois dias elas já estavam a caminho de casa, Júlia dirigia sempre olhando pelo espelho, Neide não parava de sorrir por um segundo e Mia tinha seu dedo segurado por Cecília por todo o caminho.

Ao chegar, Júlia estacionou o carro e desceu rapidamente, Neide ajudou Mia a sair do mesmo, enquanto Júlia foi pegar sua filha, a garotinha parecia ainda menor nos braços da mãe.

- Filha, chegamos em casa, espero que você goste.- Júlia disse baixinho, Mia já havia entrado com ajuda de Neide, que a auxiliava para ir até a cama do quarto. Marie correu para a ruiva, que se abaixou devagar. - Marie, essa é sua irmã, tome cuidado, ela é muito nova. - Júlia disse e a cachorra cheirou a neném, Júlia sorriu ao ver o cuidado que ela teve ao se aproximar. - Vamos apresentar o quarto dela.

Marie seguiu a mãe com a irmã, Júlia abriu a porta mostrou cada detalhe, ela explicava cada pensamento que as mães tiveram ao montar aquele espaço, Júlia se assustou ao ouvir passos, olhando para trás e vendo sua mãe sorrindo para a cena.

- Eu acho que ela gostou. - Júlia disse sorrindo, Neide se aproximou e deixou a mão no braço de sua filha, fazendo carinho nos cabelinhos da neta.

- Ela se parece com você, os cabelinhos ruivos. - Neide disse olhando para a filha, ambas sorriram. - Estou orgulhosa de vocês.

- Eu também, obrigada por estar aqui. - Júlia disse aproveitando o carinho da mão e a respiração tranquila de sua filha. Elas foram até o quarto do casal, onde havia um pequeno moisés, que será utilizado no início da vida da pequena Cecília, Júlia a ninava e viu Mia sorrir observando o ato. - Mamãe, vai descansar, eu e Mia vamos ficar bem, tudo bem? - Júlia disse recebendo uma resposta positiva.

Mia amava isso, Neide estava ali para tudo, mas respeitava o espaço delas em primeiro lugar, ela mesma pediu para que deixassem claro se quisessem um espaço que ela não estivesse dando, já que ela era a avó, que estava ali para auxiliar, mas quem eram as mães que deveria tomar as rédeas.

Júlia se deitou ao lado de Mia, colocando a pequena deitada entre elas, ambas olhavam para Cecília que dormia tranquilamente.

- Ela é tão linda. - Júlia disse babando na filha.

Chamego - Julia BergmannOnde histórias criam vida. Descubra agora