A visita de Lilian, Manu e Felipe era de imensa felicidade para Mia. O pequeno garoto, agora com oito anos, tinha medo de chegar perto da pequena Cecília, Manu por sua vez perguntava para a mãe e a tia sobre tudo ao seu redor.
Aquela era a última noite dos três na Itália, Lilian se despedia da irmã para voltar ao hotel, mas Felipe havia odiado a ideia.
- Tia Juju, posso dormir aqui? Só hoje. - O garotinho disse para a ruiva que olhou para a mulher e a cunhada. Uma conversa silenciosa aconteceu.
- Só essa noite, depois precisa voltar pra casa, tá bem? - Ela disse lidando os cabelos escuros do garoto que a abraçou forte, Manu, que sempre estava grudada na mãe, foi para o hotel.
Felipe estava deitado entre as tias enquanto falava sobre suas brincadeiras favoritas. Mia fazia carinho em seus cabelos e Júlia ouvia atentamente, mas o choro de Cecília interrompeu o momento, fazendo com que a mais velha da sala fosse ao encontro da pequena.
- Titia, ela sempre tá com vocês, não é justo. - Seus braços cruzados, seu bicos nos lábios, Júlia sorriu e abraçou o pequeno.
- Ela é nossa filha, Fefe, sua priminha. - A ruiva disse abraçando o mais novo e se levantando com ele no colo, os passos foram até o quarto da pequena, que dormi no colo de Mia. Júlia apontou para as duas e se aproximou do ouvido do garoto. - Ela é um sonho pra gente, pequeno, mas isso não quer dizer que você também não seja. - O garoto tinha a cabeça deitada no ombro da tia.
- Vem aqui, Fe. - Mia disse e o garoto caminhou ao seu lado, Mia colocou a mão do menino na mão da pequena, fazendo com que os dedinhos miúdos envolvessem o indicador infantil. - Ela te ama, meu menino. - Júlia se abaixou ao lado do sobrinho e acariciava as costas do mesmo.
- Mas, ela também vai roubar toda a atenção. - Ele disse triste e ambas as tias negaram.
- Amor, vocês são seres únicos, ambos tem a nossa atenção, ela só precisa de mais ajuda nas coisas, mas isso não quer dizer que não estamos aqui. - A tia disse, o garoto olhava o semblante de Cecília, ele era calmo, como se nada estivesse acontecendo.
- A gente sempre vai estar aqui pra você, sempre.- Julia reforçou e deixou um beijo no rosto do mais novo.
- De verdade? - Ele intercalou o olhar entre ambas que confirmaram. Seus braços puxaram Júlia para um abraço apertado, Mia colocou a pequena no berço e em seguida recebeu o seu. Os três voltaram para a sala, Fefe se sentou entre elas e manteve o silêncio por alguns segundos antes de entrelaçar suas mãos com as delas. - Vocês são as melhores titias do mundo. - Ele disse deixando aquela sala repleta de sorrisos.
- Você é o melhor sobrinho do mundo, Meu príncipe. - Mia disse deixando um beijo na testa do mesmo. O silêncio só não existia por passar um desenho na televisão, mesmo que Felipe não prestasse muita atenção nisso, Mia e Júlia se entreolhavam curiosas pela dispersão do garoto.
- Fefe, o que você tá pensando? - Júlia disse passando a mão no cabelo tigelinha do garoto, ele olhou pra tia e manteve a expressão pensativa.
- Sabe, tia Juju, eu sei que você vai jogar por uma medalha pelo Brasil esse ano, nas olimpíadas lá nos Estados Unidos, minhas amigas falaram pra mim. - Felipe tinha a atenção das tias, que se questionavam aonde o pensamento chegaria. - Queria ver você jogando, eu nunca vi.
- Você já viu na Turquia, pequeno. - Mia disse pegando ele no colo e vendo Júlia se aproximar.
- Não, mas eu não torcia pra aquele time, eu torço pro Brasil, ele quem tem que ganhar. - Júlia sorriu, Mia balançou a cabeça sem saber o que responder.
- Podemos ver se sua mãe consegue ir com você, príncipe. - Júlia disse e ele respirou fundo.
- A mamãe e o papai vão trabalhar, eu já tentei pedir pra eles, por isso tô pedindo pra vocês. - O olhar do garoto se intercalou entre as tias. - Você vai assistir, tia Mia?
- Temos que ver se a Cecília vai poder ir, querido.- A morena disse.
- Eu posso ir com vocês, ajudo a cuidar dela, prometo. - As mãos do garoto se uniram como se uma oração fosse ser feita, Júlia olhou preocupada para a mulher, ela sabia que Mia queria ir, mas viajar com um neném era complicado e ter uma criança junto ia ser mais ainda.
- Se a titia for, posso ver se você pode ir também, mas não posso te prometer nada ainda. - Um beijo no topo da cabeça do garoto foi dado.
- Tudo bem. - Ele disse se aconchegando no abraço de Mia. Júlia observou a cena e em seguida abraçou os dois. Felipe ainda ficou um tempo com as tias, mas não demorou a dormir no quarto de visitas.
Mia e Júlia já estavam deitadas quando o comentário de Felipe foi falado.
- Eu levaria ele. - Mia disse olhando pro teto. - Ele gosta tanto de você, ia morrer de torcer. - Um sorriso calmo estava nos lábios da jornalista, que era observada pela jogadora.
- Amor, não sei nem se é bom você e a pequena irem. - Bergmann disse sincera, o olhar de Mia encontrou o seu.
- Estamos com o acompanhamento do pediatra, Amor, ele vai nos dizer se é possível ou não, mas eu gostaria muito de ir, mas vou entender se não der, espero que você também entenda.
- Eu entendo, Linda, eu só quero vocês em segurança. - Júlia passou os dedos pela lateral do corpo de Mia e abraçou sua cintura. - Quero minhas mulheres e meu homenzinho bem. - Mia riu do comentário.
- O Lukas é seu homenzinho, Felipe é o meu.
- Lukas é maior que eu, ele é um homenzão, mas com cabeça de menino. - Julia disse deixando um beijo na namorada. - Ele foi nosso treinamento pra maternidade, não é?
- Foi, ainda é.
- Eu amo ele.
- E ele ama você.
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Chamego - Julia Bergmann
FanfictionOnde uma novata na emissora é escalada em um dos projetos mais promissores do canal com a seleção feminina de vôlei.
