23 de fevereiro
Apesar de estar cansada, precisava de conversar com alguém. Precisava de libertar toda a raiva que se veio acumular dentro de mim e precisava de expulsar esta dor que sentia ao relembrar o meu diálogo com Luke. Ele provavelmente nem se apercebeu do estado em que me deixou, no entanto, eu não podia culpá-lo. Se existe alguém a quem possam ser atribuídas as culpas, então essa pessoa sou eu.
– Onde é que estás? Eu preciso de ti, Michael. – balbuciei, apertando com força o telemóvel que me permitia comunicar com o moreno.
– Estou a almoçar. O que é que se passa? – o meu melhor amigo questionou, preocupado. – Sophie?
– Sei lá... – suspirei. – Eu só quero desabafar.
– Onde é que tu estás? Eu vou ter contigo!
– Estou parada à frente da minha sala. – respondi. Escorreguei pela parede e acabei sentada no chão, encolhida. – Sinto-me tão estúpida.
– Eu vou a caminho, Soph. – Michael afirmou. – Espera aí por mim.
Quando Mike desligou a chamada, pousei o telemóvel no chão frio e envolvi os joelhos com as minhas mãos trémulas. Sentia um frio imenso trespassar o meu corpo e uma fraqueza descomunal. Era como se tudo à minha volta tivesse perdido a cor. Estava zonza e a minha cabeça latejava. Contudo, voltei à realidade que me assolava quando o chão estremeceu. As All Stars escuras do meu melhor amigo apareceram no meu campo de visão e vi-o correr na minha direção.
– Olá. – forcei um sorriso. Michael sentou-se desajeitadamente a meu lado, desequilibrando-se durante o processo. Ele esticou as pernas e envolveu-me no seu braço. – Desculpa. Estavas a com Li?
– Estava. – ele sorriu com doçura, acariciando-me o ombro. – Mas agora estou aqui. O que é que aconteceu? A quem é que eu preciso de partir o nariz?
– Parte-me o nariz a mim. Eu mereço. – fechei os olhos, encostando-me ao peito de Mike. Este abraçou-me com ainda mais força.
– Foi o Luke?
– Não é difícil adivinhar, pois não? – Michael abanou a cabeça, com um sorriso nos lábios. Funguei. – Ele contou-me algumas coisas importantes acerca da sua vida e eu fui idiota. Não consegui disfarçar o quanto incomodada e fiquei e, no fim, ainda tentei alterar a forma como ele pensa. – expliquei.
– E porque é que estás assim? - o meu melhor amigo questionou, brandamente. – Tu não fizeste nada de errado.
– Mas eu sinto que fiz, sabes? – respirei fundo. – Eu sinto que o estou a magoar. Sempre que nós falamos sobre a Afefobia ou o facto de ele estar sempre sozinho, é como se eu o estivesse a agredir. É sempre assim que eu me sinto. Sinto-me igual às pessoas que o magoaram.
– Não tens culpa disso. Tu não podes controlar nada, Sophie. As coisas acontecem dessa forma porque tem de ser.
– Mas não é justo. – choraminguei. – Não é justo que eu tente ajudar uma pessoa e no fim de contas a acabe por magoar ainda mais.
– Tens de perceber uma coisa.– Michael afirmou, num tom austero. Ele apertou os meus braços e obrigou-me a olhar para ele. – Tu não podes ajudar toda a gente. Isso é impossível. Podes tentar, mas nunca vais conseguir. – proferiu. – O Luke não é exceção. Eu sei que gostas dele mas, acima de tudo, aquilo que tu sentes pelo Luke, é pena. Tu não podes remediar os erros que as outras pessoas cometeram, Soph. Tu não podes ser tão ingénua ao ponto de acreditares que vais conseguir salvar toda a gente. Não vais. Um dia tu própria sairás magoada e vais entender o que te estou a dizer. Isso já está a acontecer, Sophie. Olha bem para ti.
Assim que pestanejei, lágrimas gordas e salgadas desceram pelas minhas bochechas, fazendo cócegas na minha pele. Michael beijou a minha testa e embalou-me nos seus braços, enquanto me ouvia chorar. Levei as mãos ao rosto e tentei apagar os traços salgados que me cobriam a cara, contudo, sempre que o fazia, era como se uma nova camada de tristeza voltasse a pairar sobre mim, provocando as lágrimas. Já não chorava desta forma há muito tempo. Lembro-me da última vez que o fizera e isso ainda despertou mais a vontade de chorar. Tinha necessidade de descarregar todos estes sentimentos reprimidos e emoções carregadas. Precisava de fazer isto. Mesmo não sendo unicamente por Luke, eu sabia que estas lágrimas significavam uma nova etapa.
– Eu estou tão cansada, Michael. – solucei, agarrada ao rapaz de cabelo preto. – Tão cansada...
– Então precisas de descansar. – ele afirmou. – Estás muito fraca, Soph. – Mike afastou os cabelos do meu rosto e ajudou a levantar-me. – Vá, anda. Eu vou levar-te a casa.
– Vais ter aula a seguir. – avisei, sendo amparada pelo moreno, que me segurava na cintura. – E tu sabes que eu odeio andar de mota.
– Não interessa. – ele revirou os olhos. – Sou eu que mando. Tu vens comigo.
– Obrigada por seres meu amigo, Michael. – agradeci, meia adormecida nos seus braços.
– Não tens de agradecer. Apenas segue os meus conselhos. – caminhámos na direção do exterior. – Lembra-te que tu também tens sentimentos e precisas de alguém que saiba lidar com eles. Mereces alguém que cuide de ti tal como tu cuidas dos outros.
– Eu sei Michael. – respirei fundo. – E eu vou encontrar esse alguém. Prometo.
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Sim meninas, o Michael desta história anda de mota e eu tenho inveja da Sophie.
Bem, este deve ser, muito provavelmente, o capitulo mais pequeno de sempre nesta historia, no entanto, para mim, ele é muito importante (até porque estão a conhecer melhor a personalidade do Michael e, especialmente, a descobrir um outro lado da Sophie.) Isto está cheio de mistérios, haha. Além disso, quis publicar este capitulo quase como um miminho por vos ter feito esperar.
Deixem-me saber as vossas opiniões!
Ella x
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Naive ಌ l.h
FanfictionSophie considera-se capaz de ajudar um rapaz intocável, porém, ela é ingénua e sofrerá as consequências das suas escolhas. Copyright © 2015, All Rights Reserved // tulipxs (16/06/2015)
