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22 de junho

            Depois de obrigar o Ashton a deixar-me conduzir, ainda que eu não estivesse legalmente autorizada a fazê-lo, convenci-o a telefonar a Lillian para a deixar mais descansada. As suas lágrimas de desespero ainda permaneciam como uma imagem vívida na minha cabeça, e eu nem queria imaginar o que Michael já teria ouvido da parte dela. No entanto, quando dei alguma atenção ao meu telemóvel, confirmei que ambos me tinham ligado algumas vezes, provavelmente sedentos de informações que os deixassem de cabeças limpas.

            – O Ashton está bem... dentro dos possíveis.

            – Como assim "dentro dos possíveis"? – Michael questionou, confuso e notoriamente preocupado.

            – O Luke veio comigo e eles acabaram por... andar à pancada. – suspirei, lançando um olhar esquivo ao rapaz sentado ao meu lado, que segurava no telemóvel em altifalante para que eu pudesse conduzir em segurança. – Estamos agora a ir para o hospital. O Ashton está cheio de dores e eu desconfio que tenha algum osso partido.

            – Então e o Luke!? Tu deixaste-o ir sem mais nem menos!?

            – Sim, Michael... sim, eu deixei. Ele também não me deu outra hipótese.

            – Mas tu estás maluca!? – ele gritou, deixando-me a mim e a Ashton desconfortáveis. – Salvas um e pões em perigo outro!? Sabe Deus por onde andará o Luke neste momento! Oh, meu... eu vou ligar-lhe. Tenho um mau pressentimento, Soph.

            – Eu sei, Michael... eu sinto-me tremendamente arrependida por não o ter impedido de ir. Devia ter falado com calma com ele e resolvido as coisas, mas... tu não estavas aqui para ver como tudo aconteceu. Nunca irias entender...

            – Pois, Sophie, o mesmo de sempre... já parece a porra de um disco riscado. – suspirou. – Olha, a Lillian está a perguntar se pode falar com o Ashton.

            – Sim, claro. – lancei-lhe um olhar motivador, que o fez sorrir. Voltei a concentrar-me na estrada e suspirei ao ouvir as fungadelas da rapariga de olhos castanhos, que eu imaginava completamente destroçada.

            – Ashton, seu imbecil insensível! – Lillian resmungou. – Como é que tu me pudeste fazer uma coisa destas!? Tens noção do quanto me preocupaste!? Eu achava que tu ias morrer!

            – Eu sei maninha, desculpa. – ele fez beicinho, mesmo que ela não o pudesse ver. – Olha, eu prometo que quando aí chegar fumamos um cigarro juntos e eu te explico tudo, está bem? Não te queria deixar triste nem preocupada, mas naquele momento eu não sabia o que fazer e tu foste a primeira pessoa a quem eu quis falar. Está tudo bem agora... tenho aqui a Sophie para me proteger. – riu-se.

            – Mesmo assim... nunca mais faças uma destas! Estou a avisar-te!

            – Está bem. Fica descansada, caracoletas.

            – Ugh, não me chames isso. – grunhiu, voltando depois a adotar um tom meigo e sentido. – Eu adoro-te. Sim?

            – Sim. Eu também. – Ashton sorriu emotivamente, deixando-me espantada com o amor de irmão que ele tinha para oferecer. – E manda abraços meus ao Michael. Ele parece zangado.

            – Sim, ele não gosta lá muito de ti. Mas isso é conversa para outra altura. – ouvimo-la rir-se, enquanto a voz frustrada de Michael aparecia no fundo, mandando-a calar-se. – Vemo-nos mais logo.

Naive ಌ l.hHistórias para pegar e não largar. Descubra agora