Capítulo Sete — A Soma de Todas as Forças
Alice K. Hildebrand
Três meses.
Este é o tempo que se passou desde que Adam começou a trabalhar na minha empresa.
É também o tempo em que mal nos falamos além do cordial e necessário.
E se você se pergunta se eu penso nele, a reposta é: Sim. Muito.
E eu gosto disso? Não. Nem um pouco. Mas não é algo que eu consiga controlar. E é exatamente a falta de controle o mais frustrante de tudo. Deixa-me de mãos atadas, e sem saber como reagir.
Quando eu mandei a assistente da minha secretária avisar ao pessoal do Aaron sobre a entrevista do Adam, Sebastian ficou furioso e eu só descobri depois de quase cinco dias que ele tinha mandado a garota não transmitir mensagem nenhuma. E a estúpida resolveu ouvir o meu primo.
Por culpa dela, Adam quase perdeu o serviço.
Por culpa dela, agora é ela quem precisa de emprego.
Como descobri? Conversando com o Aaron. Numa conversa sobre funcionários, ele comentou que estava cansado de secretárias que "não resistiam ao seu corpo sexy, e ao seu cabelo loiro", e que não via a hora de conseguir arrumar um homem para o trabalho, mas que não tinha nenhum candidato à vaga. Eu estranhei e comentei sobre o Adam, mas o meu amigo disse que realmente não tinha recebido nenhum aviso das minhas secretárias. Investiguei mais profundamente com a assistente novata, e depois de alguma pressão, ela revelou o acontecido, deixando-me furiosa.
Eu a demiti, claro. Ela era minha empregada, mas não sabia me obedecer. Preferiu me ignorar e obedecer ao meu primo "por ele ser homem". Demissão por justa causa é uma delícia! E quando não é por justa causa também... Mas isso não vem ao caso, agora.
Depois disso, minhas secretárias ficaram mais espertas. Elas estavam 'pianinhas', e receosas.
Confrontei Sebastian sobre a ocasião, e ele admitiu o que fez, alegando não gostar do rapaz, e do envolvimento da irmã ─ e o meu! ─ com ele. Um absurdo! Acabamos brigando, e mal nos olhamos na cara um do outro por dois meses, até ele vir se desculpar num jantar em família.
As informações e tudo o mais do Adam foi a parte mais fácil. Com uma ligação, já estava tudo feito. Ajeitei tudo para que ele voltasse a estudar, arrumei a transferência, a matrícula... Tudo. E nem é preciso dizer que foi fácil como respirar. Quem não gostaria de ter a HKC como aliada? O pessoal da universidade praticamente arreganhou as pernas e gritou para ir logo. Fizeram de tudo para que fechássemos negócios com eles. Em troca da "cordialidade", nós da empresa ofereceríamos estágios com mais facilidade. Não que seja um sacrifício: estamos sempre precisando de mais um, já que sempre tem um incompetente sendo demitido.
Mas a discussão com o Adam foi a gota d'água para mim. Um garoto tendo ataque de personalidade, sem motivos, por causa de um erro que não foi meu e pelo qual me desculpei, foi algo que queimou meu sangue. Eu não sei os motivos dele. Eu devo tê-lo destratado de alguma forma, ou deve ter acontecido alguma coisa com ele, mas... A forma que ele disse foi péssima, para mim.
Justo ele, a quem eu estava me esforçando para agradar.
Me esforçando, e sem motivos para tal! É inexplicável o que eu sinto por ele. É estranho. É novo... Ainda mais eu sendo mais velha. Quase cinco anos não é uma diferença muito grande, mas eu sou a mais velha. Sou a chefe. Sou a rica disso tudo. Nunca achei ruim, nem vou achar. Mas muitos homens são retrógrados, e muitos outros não gostam dessa situação. E isso me deixa insegura em relação a ele.
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Efeito Alice
Roman d'amourDois mundos completamente diferentes. Dois sonhos que se igualam. Duas vidas que se entrelaçam. Ela: um ídolo para ele. Ele: um Garoto doce. Adam veio de muito longe, em busca de uma nova chance para dar à sua família uma vida melhor. Depois de vi...
