Capítulo Vinte — Sobre ceticismo e romantismo
Alice K. Hildebrand
Quando você passa por algumas coisas na vida, você se torna uma pessoa cética. Muitas das vezes pode ser algo inconsciente, como um reflexo, mas é praticamente inevitável.
Foi assim que eu parei de acreditar em amor, em bondade, em carinho.
Eu jamais esperava ter alguém que pudesse me dar aquele frio na barriga ao acordar de manhã e pensar que iria vê-lo; eu jamais pensei que algum dia teria algum envolvimento intenso com alguém; eu jamais pensei que teria um namorado, que posteriormente seria um noivo, marido, pai dos nossos filhos, avô dos nossos netos, e tudo o mais; jamais pensei que teria algo verdadeiro com alguém.
Como disse antes: Eu era cética.
Mas não sem coração. Nem machucada no passado.
Eu sempre fui cercada por relacionamentos verdadeiros e duradouros na minha família: Meus avós, que pouco conheci, permaneceram juntos e felizes até o final; meus tios são felizes e estão juntos até hoje; meus pais, por mais complicados que sejam, estão juntos e felizes até hoje.
Mas comigo sempre foi diferente. Todos se aproximavam de mim por fama, status, poder, pelo dinheiro que eu sempre tive... Nunca tive amigas de verdade. Meus raros relacionamentos foram falsos, baseados nas mesmas questões ditas. E mesmo hoje, estando no auge e final dos meus 26 anos, não consegui achar algo diferente. Até mesmo os homens da minha "classe social" procuram por mais poder, mais fama, mais dinheiro, mais status.
Sempre apareciam mais motivos para desacreditar na felicidade, no amor, nas pessoas. O ceticismo cravou suas poderosas garras em mim e se recusava a me deixar escapar.
Mas então um par de olhos azuis intensos cheios de brilho, de vida e de inocência encontrou-me, e salvou-me da miséria do ceticismo que me aprisionava. Um breve momento, um breve contato, que foi capaz de mudar minha percepção permanentemente.
Adam chegou com seu jeito todo tímido, inocente, inseguro. Sua bondade me capturou tão facilmente, que eu não sabia o que fazer. Era uma demanda de sentimentos muito grande! Admito que no "começo" fiquei receosa, mas fui capaz de perceber que não importava o quanto eu lutasse contra o que eu sentia – e ainda sinto –, nada iria mudar.
Outras coisas que eu jamais esperava que fossem acontecer comigo: Ter um namorado mais novo, carinhoso e romântico.
Seria um contraste interessante, certo? Digamos que eu não seja a melhor das "mulheres".
Considerando os padrões idealizados pela sociedade, eu sou uma pessoa horrorosa!
Eu sou considerada fria; tenho uma mente tão poluída quanto o ar da China; tenho uma boca razoavelmente suja; sou uma mulher solteira de 26 anos (digo, ex-solteira. Vamos comemorar este fato!); sou uma arquiteta/grande empresária que não hesita em botar os abusados no devido lugar; sou famosa por meus problemas com paparazzi na juventude; não tenho um grama de romantismo em meus sistemas nervoso, digestório, renal, cerebral, mental, e sei lá o que mais de sistemas nós podemos inventar para tentar fazer humor; sou péssima de humor; vivo uma vida de desentendimentos com a minha mãe; sou sobrinha e prima de dois estelionatários... Sou a ovelha negra da sociedade.
E Adam é meu completo oposto!
Adam é inocente; carinhoso; educado; inteligente; tímido; organizado (pelo que vi na sua mesa de trabalho, ontem); atencioso; é um estudante de arquitetura e trabalhador, filho de mãe solteira, da periferia de Paris e que luta para dar uma vida melhor à sua família; pelo pouco que conhecemos um do outro, sei que é romântico, apesar de ter dito ser cético quanto a este assunto; tem uma família unida, mesmo com tantos problemas; é engraçado na medida certa; e é cheiroso.
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Efeito Alice
RomanceDois mundos completamente diferentes. Dois sonhos que se igualam. Duas vidas que se entrelaçam. Ela: um ídolo para ele. Ele: um Garoto doce. Adam veio de muito longe, em busca de uma nova chance para dar à sua família uma vida melhor. Depois de vi...
