Capítulo Setenta e Seis - O Processo e o Colírio

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Aviso: leiam as notas finais, por favor! É importante.

E aproveitem o capítulo!

Capítulo Setenta e Seis - O Processo e o Colírio

Adam Beaumont

- Eu não acredito nisso!

O grito irado de Alice me alcança ainda na saída do elevador, e, por não estar preparado para isso, sobressalto. Acabo esbarrando em uma mesa com bandejas de comidas e bebidas e algumas jarras com grandes arranjos de flores. Por sorte, eu consigo impedir a desastrosa queda de tudo o que há na mesa.

É como se um dedo gelado percorresse toda a extensão da minha espinha e a mão inteira se fechasse na minha nuca, tamanho o nervosismo com o descontrole de Alice. Alice é, normalmente, discreta e controlada.

Dentro da sua sala, as vozes continuam altas, como se houvesse uma árdua discussão nada agradável, e eu começo a me preocupar. Já certo de que o acidente com a bandeja foi evitado com sucesso, eu me viro e me assusto novamente, desta vez com o meu reflexo no espelho do elevador. Estou pálido e meus olhos estão perto de caírem do meu rosto. Tento ignorar este último fato, mas quando chego próximo ao balcão das secretárias e assistentes de Alice, vejo que eu não sou o único surpreso com o que acontece dentro da sala fechada.

As vozes cessam por um breve instante, somente para retornarem, desta vez mais altas, no entanto, mesmo com o silêncio aqui fora, fica impossível entender o que acontece lá dentro.

- O-o q-que aconteceu? Quem está com ela? - Gaguejo e demora alguns segundos antes que a Reimann, secretária da Alice, responda:

- Não sabemos o que aconteceu. Os advogados chegaram há alguns minutos, mas estava tudo calmo.

- Com certeza não seria uma boa decisão eu entrar agora... - Eu murmuro, começando a me preocupar mais, e decido esperar sentado no sofá. As três mulheres, pálidas, negam com a cabeça ao mesmo tempo.

Alice terá consulta com um oftalmologista às duas horas e eu irei acompanhá-la. Ela já devia ter encerrado os serviços para irmos...

- Eu não quero saber! - Ela esbraveja outra vez e eu me levanto.

Por um breve momento penso que o grito seja uma resposta ao meu pensamento, mas logo volto à realidade.

- É melhor eu entrar. - Me decido, e as três, em movimentos robotizados, concordam com a cabeça.

Talvez eu me arrependa da decisão, como já aconteceu antes, mas essa gritaria e a falação alta estão me assustando.

Antes mesmo que eu consiga alcançar a maçaneta, a porta se abre e dois homens vestidos de terno e carregando pastas de couro saem da sala ao lado de uma mulher alta vestida de maneira parecida com a de Alice. Atrás dos três, uma Alice avermelhada e de olhos raivosos mantém a porta aberta.

Um dos rapazes, o louro, com altura próxima à minha e com expressão carrancuda, que aparenta ser mais velho do que os outros dois que o acompanham, não me é estranho, já o vi em reuniões antes; a mulher e o homem, ambos negros, são completamente desconhecidos por mim.

Os três me cumprimentam com um aceno da cabeça e param ao meu lado. Apesar do gesto educado, eles estão um tanto irritados.

Alice se dá conta da minha presença e suspira. Ela parece relaxar. Um pouco.

Efeito AliceOnde histórias criam vida. Descubra agora