Capítulo Vinte e Seis - O Baderneiro

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Capítulo Vinte e Seis — O Baderneiro

Alice K. Hildebrand

As conversas com o Adam conseguem ser leves, inocentes, pretensiosas e despretensiosas ao mesmo tempo, até mesmo durante a madrugada.

E desta vez, quando o assunto "irmos rápido demais" veio à tona – quando estávamos brincando por já dividirmos a cama logo no início do relacionamento, sem usá-la para "indecências" (nas palavras do Adam) –, conseguimos contorná-lo da melhor maneira possível.

— Eu não ouso reclamar sobre dormirmos juntos. Eu estou gostando. — Eu digo, mesmo não sendo da minha natureza fazer algo do tipo (dormir com um cara em tão curto tempo assim), mas com o Adam é diferente; apesar de eu não ter me envolvido com ninguém da mesma forma que consegui me envolver com ele, eu só deixei acontecer, nos meus relacionamentos anteriores, quando tinha o grau de comprometimento e confiança bem grandes.

— Eu diria o mesmo, sobre gostar, mas não quero que você pense que eu sou louco... Ele diz em tom de brincadeira, me fazendo rir.

— Ok, Garoto. Ninguém é louco aqui. E deixemos este assunto para depois. Estamos correndo demais. — Admito, e ouço seu suspiro no escuro do quarto.

Uma coisa é constatar o fato. Outra diferente é reclamar deste tal fato. E eu não reclamo. Nem me importo, para falar a verdade.

A única coisa que me pega desprevenida é o fato de dividirmos a cama. Apenas.

— Eu também acho que estamos indo rápido. Já te disse muitas vezes... Mas não dá para fazer de outra forma. — Ele diz em um sussurro.

— Nós podemos nos conhecer melhor... — Sugiro, e me surpreendo com a minha voz otimista. Ele ri em resposta.

E é uma ideia boa, inclusive. Passamos pouco tempo juntos, desde que nos conhecemos e estamos juntos, e em todos este tempo, nós nunca nos conhecemos a fundo. O mais perto que chegamos foi no nosso almoço na confeitaria.

— Pergunta e resposta? — Sugere.

— Eu começo. — Digo, mas me lembro de algo. — Ok... Eu preciso escovar os dentes. No escritório eu dormi sem escová-los. — Faço uma careta e me levanto da cama.

É apenas um pretexto para apenas ficar mais apresentável e sem a cara amassada que provavelmente estou depois de ter dormido na minha mesa como um adolescente dorme nas aulas.

— Você não escovou os dentes porque eu estava aqui? — Ele parece culpado.

— Sim, Adam. E não se preocupe. — Dou risada para aliviar o clima. — Eu ia fazê-lo, mas peguei no sono enquanto trabalhava.

— Ok. Vou te esperar. — Ele diz, e eu saio correndo para o banheiro, onde eu aproveito e faço todos os meus cuidados com a pele e cabelo.

Quando eu saio do banheiro, fecho as cortinas (eu nunca consegui manter janela e cortina abertas enquanto durmo), acendo o abajur da mesa de cabeceira para deixar o ambiente mais agradável – e para eu poder vê-lo melhor –, e me jogo na cama.

— Hey! — Ele diz sorridente, me contagiando.

— Hey! — Minha voz soou completamente derretida, essa traidora. — Ok... A minha cama é uma delícia. Já estou com vontade de dormir. Mas o calor do seu corpo é infernal. Está acabando com o meu controle. E o quarto está frio. Isso faz a vontade de dormir ficar... Estranha.

— Como é que é? — Adam gargalha ao ponto de me deixar constrangida, e ainda não entendo o que eu disse para tal...

— Você está rindo de mim, senhor Beaumont? — Pergunto séria.

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