Aviso: Leiam as notas finais, por favor!
Capítulo Cinquenta e Nove — Vista
Adam Beaumont
Avisto, pelo canto do olho, a pequenininha me rondar.
Há alguns segundos ela está nesta função, apenas me ronda e observa, em silêncio, enquanto eu lavo a louça do jantar fingindo não ter notado a sua presença.
Ela olha suspeitosa para mim.
Ela olha como se cogitasse dizer algo.
Ela olha sem saber quando me abordar.
Ela olha e coça a cabeça.
Ela olha e aperta os lábios entre os pequeninos dedos, o seu típico gesto nervoso.
A sua incerteza me deixa ansioso, é verdade, mas quero que ela diga quando achar melhor.
— Marion, já escovou os seus dentes? — A voz da mamãe faz a menina pular assustada e soltar um grito agudo no meio da cozinha.
Viro-me para olhá-la e a encontro vermelha dos pés à cabeça.
— Já vai, mamãe! — Ela grita de volta, e retorna a me encarar.
Agora que detém a minha total atenção, ela parece mais determinada.
— Oi, Adam! — Ela sorri e pula, animada, porém os seus olhos estão, ainda, incertos.
— Oi, Marion! — Eu sorrio para ela e imito o seu pulo, em tentativa de fazê-la se desinibir um pouco mais, sem me preocupar, também, no quanto o gesto pode ter sido ridículo.
O sorriso dela passa a ser descontraído, agora, e vejo que funcionou.
— É... Adam? — Ela me chama e se aproxima um pouco. Ergo uma sobrancelha para fazê-la continuar. — É que eu estava falando com os gêmeos. E a gente quer dar um presente de Natal pra Alice também, igual a gente dá pra Vi!
Oh! Eu não esperava um gesto deste, não ainda...
Mas nem por isso eu fico menos contente.
— Mas isso é ótimo! — Eu comemoro.
Marion parece satisfeita consigo mesma e com os irmãos.
— O que vocês pretendem comprar para ela? Amanhã já é véspera de Natal, teremos que correr e... — Eu começo a falar como se fosse um planejamento, mas a menina gesticula com os braços de maneira irritada e me faz calar.
— A gente não quer que você compre pra gente. A gente que quer dar, bobinho. Um presente só de nós pra ela. — Ela explica como se eu fosse um verdadeiro bobão. — O Phillipe quer fazer um dinossauro de papelão pra ela. O Allain concordou com ele, mas também concordou comigo. Eu disse pra gente fazer um porta-retratos e uma caixinha igual passou no programa artenasato.
— Arte o quê? — Nem mesmo a minha invejável capacidade de entender os neologismos da menina consegue me iluminar neste momento.
— Aí, Adam, o seu cérebro ainda tá congelado? — Ela bate as duas mãos nas suas bochechas em um gesto exasperado. — O programa de artenasato daquela mulher com cara de espirro e voz de nariz! Aquela mulher que gosta de usar as coisas com cola e água e papel toalha!
VOCÊ ESTÁ LENDO
Efeito Alice
Storie d'amoreDois mundos completamente diferentes. Dois sonhos que se igualam. Duas vidas que se entrelaçam. Ela: um ídolo para ele. Ele: um Garoto doce. Adam veio de muito longe, em busca de uma nova chance para dar à sua família uma vida melhor. Depois de vi...
