Capítulo Quarenta e Um - Imensurável

4.6K 270 119
                                        

Capítulo Quarenta e Um — Imensurável

Adam Beaumont

— Merda, Adam! Onde você esteve? Por que saiu daquela forma? — Assim que retorno, eu sou recebido pela típica Alice amistosa.

— Eu fui dar uma volta. — Diante do seu olhar curioso, sou obrigado a emendar: — Céus, Alice! Aquele homem é insuportável! E a olhava da mesma forma que o Aaron olha as mulheres ao redor dele. Eu não precisava presenciar aquilo, então fui dar uma volta.

Não gosto de mentiras, mas este projeto de mentira soou tão fácil e tão natural quanto a verdade. O fato de ser uma quase mentira contada para uma boa causa contribui.

— Não exagere! Não acredito que ninguém possa olhar para as mulheres da mesma forma indecente que o Aaron olha. — Ela franze o nariz. — E de qualquer forma, você não deveria ter saído assim! Não sem seguranças; e não quando suspeita da forma como o homem me olha!

— Alice, foi por isso mesmo que eu pedi aos dois para que não saíssem de perto de você: eu não gostei do jeito dele. E reforço: não confio nele! Mas confio cegamente em você. Você se garante melhor do que qualquer um, então eu não vejo problema algum em deixá-la sozinha com outro homem. Eu confio em você. E não é como se ele estivesse ameaçando a sua segurança...

Alice tenta, com muito esforço, fechar a boca que se abriu com a surpresa enquanto eu falava.

— Aí, Adam! Você, se não é perfeito, beira a perfeição! Como eu fui conseguir um homem assim? — Ela olha para cima, como em agradecimento, e vem na minha direção. Alice segura meu rosto entre as suas mãos e o puxa para o seu.

Ela me beija sem rodeios e sem se importar por estarmos em público. Ela apenas me beija. E eu, como não podia ser diferente, adorei e retribuí.

— Seu pequeno discurso fez a irritação passar. — Ela sorri com a boca grudada à minha. — Onde você estava?

— Fui dar uma volta e acabei encontrando um colega da faculdade. Ele puxou conversa e foi caminhando até a praça de alimentação. Por isso demorei.

Sem suspeitar de nada, ela acena com a cabeça e pede para irmos embora.

— Estou faminta! Ele sugou o meu tempo com aquela conversa boba. — Resmunga. — Eu tentei cortá-lo, mas ele ignorou! Ele ignorou! — Alice não reage bem quando alguém não atende às suas vontades... — Mesmo eu falando que queria saber por Elena. Ele insistiu tanto, que eu tive que abandonar o meu bom humor. Tem gente que não reconhece a sorte que tem, até perdê-la. — Ela bufa, e eu fico sem entender mais de metade do que disse. — Eu, sinceramente, não entendo o porquê de terem me dado a fama de rude... Eu tento sempre ser educada e simpática com as pessoas, mas elas sempre abusam da minha boa vontade, então a culpa não é minha se sempre decidem atrair o que há de pior em mim. — E eu continuo sem entender muita coisa...

Basicamente ela deve estar se referindo ao fato de ter tentado ser atenciosa e educada com o engomadinho ao tentar ouvi-lo, mas, quando pediu para que não falasse mais, ele não atendeu a ela e continuou... Resumindo: ele a irritou e ela devolveu a gentileza.

Não que seja contra a minha vontade, porque não é mesmo.

— Eu não gostei nada dele. E prefiro que pare de falar sobre ele. Podemos falar sobre qualquer coisa! Sobre leite azedo em sorvetes; sobre crianças que soltam os seus balões caros de gás hélio; sobre gente suada nos ônibus lotados; sobre formigas que...

Efeito AliceOnde histórias criam vida. Descubra agora