Capítulo Cinquenta e Cinco - Da família
Alice K. Hildebrand
O grito do Adam não é nada gentil. Com certeza não é por bons motivos.
Sinto arrepios de cima a baixo no meu corpo, nem mesmo o calor da água do banho consegue reprimi-los.
Céus! As crianças!
O Adam ficou bons momentos comigo aqui no banheiro e deixou as crianças sozinhas no quarto do hotel. E não é novidade que elas são bastante travessas.
Estou com medo de descobrir o que fizeram na nossa ausência... Mas, ao mesmo tempo, eu preciso saber o tamanho do dano.
Abandono o banho ainda no início e decido enfrentar os pestinhas de uma vez.
E céus! Quisera eu não ter visto.
Os danos, em si, podem não ser tantos, mas a bagunça... Aah, a bagunça! Faz-me sentir pena das pessoas designadas a arrumar este quarto.
A televisão grande e fina continua ligada, porém está com a tela virada para a parede. Como três crianças magrelas e fraquinhas conseguiram esta proeza, eu prefiro não saber.
A mesa e as cadeiras foram jogadas no chão, assim como os meus documentos de trabalho - incluindo notebook, celular, óculos, luminária e o Sr. Alce, o ursinho que o Adam me deu no meu aniversário.
Minhas malas e os lençóis estão jogados no quarto. A cama está uma zona, como se um furacão houvesse passado por ela. E os travesseiros e almofadas estão uns jogados pelo quarto, outros nas mãos das crianças, como se fossem poderosos escudos.
Elas, por suas vezes, estão sentadas cabisbaixas ao pé da cama king size atrapalhada. Adam, parado na frente delas, ostenta olhar e feição sérios. Ele está mesmo muito bravo com os irmãos.
- Venha aqui, por favor, Alice. - Ele me chama com dureza.
Eu me aproximo devagar deles e olho com cautela as crianças. Assim que eu chego diante delas, as três juntas erguem os rostos banhados em feições arrependidas.
- Desculpa por ter feito bagunça no seu quarto. - Dizem em sincronia, como se tivessem ensaiado juntas por muito tempo.
Eu mal consegui pensar no que aconteceu no quarto instantes atrás, também não sei nem o que dizer ou mesmo no que pensar. Que loucura!
Estou chocada, surpresa, assustada.
- Eu desculpo. - Balbucio.
Meu estado de torpor me impede de pensar em qualquer coisa decente e eu não digo mais nada.
- Eu expliquei a eles que agiram errado. - Adam diz, o tom de voz severo. - E que o descumprimento de uma ordem resulta em castigos. Eles se esqueceram disso por um breve momento, mas entenderam que não devem mais fazer o que fizeram.
Marion suspira.
- O que, exatamente, vocês fizeram? - Eu finalmente os questiono.
Eu quero mesmo saber o que eles fizeram e o porquê de terem feito. E, também, quero saber como conseguiram virar a TV. São dois meninos com mais ou menos 12 anos, mas mesmo assim, eles são magrinhos e fraquinhos demais para esta proeza, mesmo juntos. Ao menos é o que parece.
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Efeito Alice
RomansaDois mundos completamente diferentes. Dois sonhos que se igualam. Duas vidas que se entrelaçam. Ela: um ídolo para ele. Ele: um Garoto doce. Adam veio de muito longe, em busca de uma nova chance para dar à sua família uma vida melhor. Depois de vi...
