Capítulo Vinte e Dois - Testes para a sanidade

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Capítulo Vinte e Dois - Testes para a sanidade

Adam Beaumont


- Sabe, Adam... Você deveria pegar a Alice e se trancar com ela dentro de um quarto. E sem brigas... - Elena diz, quando eu volto para a sala. - E, de preferência, com bastante chocolate junto.

- Você não deveria rir disso. - Eu digo sem o menor ânimo, mas... - Eu estou pensando seriamente em levar a sua ideia em consideração.

Alice ficaria quietinha, sem sair correndo como fez agora há pouco...

Elena ri alto, e bate palmas.

- Já está pensando em sair do vermelho, Garoto?

- Ahn? - Eu a olho, sem entender o que ela disse, e completo: - Não me chame de Garoto.

- A delicadeza da Alice está te contagiando. - Ela resmunga. Ignoro.

- A sua ideia seria bem útil, na verdade... Poderíamos conversar em paz, sem um fugir do outro... Falaríamos de tudo, sem esconder nada. Nós resolveríamos de uma vez os problemas que estão nos afetando, e ficaríamos bem, em seguida. - Esta análise me traz esperanças e começo verdadeiramente a pensar em fazer isso.

- Adam, você está falando sério? - Elena me olha, incrédula.

- Muito sério! - Afirmo, enfim olhando-a.

- Ai meu pai! O que o Aaron fez com você?! - Ela finge espanto e coloca as mãos na frente da boca.

- Como assim? - Essas pessoas de Bel German precisam urgentemente aprender a falar com mais objetividade.

- Adam! Você está pensando em sequestrar a minha prima, para ter o que quer! Isto é o tipo de coisa que o Aaron faria! - Ela me olha ainda espantada e começa a rir. - Céus! O Aaron está te estragando. Você está virando um mini Aaron. Toma cuidado, Garoto.

- Elena, eu já disse: Não me chama de Garoto. - Reclamo, mais como uma forma de provocá-la.

E mesmo assim é estranho ouvir outra pessoa, que não Alice, me chamando de Garoto.

- Está vendo só? Ainda está chorão! É uma cópia do Aaron.

- Calada! - Eu digo, para perturbá-la outra vez. Ela me fuzila com o olhar, mas nada diz. - Você está me compreendendo mal. Eu não quero sequestrar a sua prima; muito menos sequestrá-la para conseguir o que eu quero. - Aponto e Elena começa a me olhar claramente em dúvida. Reviro os olhos e continuo a explicar: - Eu apenas quero um tempo a sós com ela, para que possamos esclarecer tudo o que há pendente entre nós. Longe de todos e de tudo. Apenas nós dois. Sozinhos.

- Pff... Você fala como um velho, Adam. Credo! - Elena bufa e reclama, e eu apenas a olho, sem entender o que ela quis dizer. - "Apenas", "esclarecer", "pendências entre nós"... Você é um velho em pele de novinho.

- E o seu Travis é um velho bruto do século retrasado em pele de velho, mesmo. - Rebato e bagunço o seu cabelo quando me levanto para arrumar a bagunça de papéis e tecidos na mesa da sala.

- Ele é legal... - Ela se defende e mostra a língua para mim, e eu prontamente devolvo o gesto. - Ai, como você é maduro!

- Não me provoca. - Eu jogo uma bola de papel abandonada na mesa na direção da Elena, que se assusta e cai da cadeira.

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