Capítulo Trinta e Um - Combinado

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Capítulo Trinta e Um — Combinado

Adam Beaumont


— Você está numa ostentação de carrões... Cadê aquele rapazinho que só andava de busão com os amigos? — É a primeira coisa que Davi diz quando eu me junto a ele no ponto de ônibus.

Falta cerca de vinte minutos para o início das aulas, e estamos esperando a chegada do August e da Sibel, que sempre nos encontram aqui neste mesmo ponto de ônibus.

— É só uma carona. — Explico, sem graça.

— Você anda ganhando carona todos os dias? — Ele insiste.

Em seus olhos eu vejo que a curiosidade e a dúvida faíscam.

— É. Carona todos os dias. Quase... Por enquanto. — Continuo desconfortável com a sua desconfiança.

É sério que ele tem que querer saber tudo sobre mim?

— E quem era aquele cara da carona? — Ele continua a insistir.

Céus! David não cansa?!

Travis nos deu carona em todos os dias dessa semana. E em todas elas, os meus amigos ficaram estranhos. Até mesmo eu fiquei desconfortável com toda essa atenção de Alice. E durante a semana inteira eles reprimiram a dúvida, por sempre estarmos com mais gente por perto.

Com exceção de hoje.

O ônibus para ao meio fio e o mar de estudantes começa a descer. Em instantes August e Sibel juntam-se a nós. Caminhamos até uma mesa de pedra próxima ao ponto, e decidimos permanecer nela até próximo ao início da aula.

— Não vai nos dizer quem era o cara da carona? — David retoma o assunto.

— Adam ganhou carona hoje de novo? — August não esconde a curiosidade.

E agora tenho três pares de olhos sobre mim, me analisando com atenção.

— Ganhei. — Respondo simplesmente.

— Ele é seu namorado? — August faz voz à pergunta que mais ninguém teve a coragem de fazer.

— Não! Ele não é meu namorado! Eu não sou gay. — Respondo, cansado.

Não fiquei surpreso com a pergunta. Sei que eles estão com esta dúvida desde o início da semana, mas ter que aguentar todo este inquérito é cansativo.

— Adam não pode ser gay. Ele não tem jeito de ser gay! — Sibel dispara com o que parece ser preocupação.

— Mas foi suspeito... Você dizendo "eu te amo" no telefone, e o carro chegando logo em seguida, no início da semana... — David diz.

— Não teve nada de suspeito. Foi apenas uma carona. De um amigo.

— Hm... Amigo? — August diz com malícia.

Céus! O que foi que eu fiz pra ter tanta gente maliciosa perto de mim?

Um burburinho começa ao nosso redor antes mesmo que eu possa pensar em responder. Assusto-me ao pensar que tenham ouvido sobre nós, mas uma garota ao nosso lado aponta para frente e diz a uma amiga:

— Olha lá ela! Eu te disse que ela estava aqui.

Todos nós viramos para olhar, curiosos com tanta agitação.

Efeito AliceOnde histórias criam vida. Descubra agora