Capítulo Vinte e Quatro - Quando não há ciúmes

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Capítulo Vinte e Quatro - Quando não há ciúmes

Alice K. Hildebrand


- Você é praticamente uma criança, e a forma como essas piranhas velhas olham para você é, no mínimo, pornográfica! - Eu reclamo após enxotar a terceira velha que pediu para dançar com o Adam.

Exatamente! Três safadas pedófilas vieram pedir para dançar com o meu Adam! É um absurdo! Será que ninguém vê que ele não está disponível?!

Procuro manter uma feição serena, para não entregar o meu humor.

- Oras, Alice, não precisa xingar as mulheres. Eu não vi ninguém me olhar de forma alguma. E elas não são tão velhas assim... - Adam tenta desconversar usando a sua voz amena, mas não funciona.

- Como assim não viu?! Se bem que é bom não ter visto... E elas são velhas bem abusadas! Eu deveria ter te vestido com aquelas roupas de lã que se usa em deserto. - Eu bufo irritada e tentando esconder a minha carranca.

- Mas aquelas roupas devem ser quentes. Não seria agradável usar aquilo em uma festa. - Ele replica, e eu o olho, estupefata.

Adam tem o dom de perder o foco entre uma conversa e outra. É só colocar outro assunto no meio da conversa, que ele já esquece o assunto anterior, e parte para o novo.

As pessoas mais indelicadas o chamariam de lerdo, mas eu sei que ele é apenas distraído.

- Aquelas roupas são feitas exatamente para manterem a temperatura do corpo, Adam. E não era sobre isso que estávamos falando. - Eu aponto-lhe um dedo e continuo: - Eu não vou mais enxotar ninguém de perto de você; é você quem vai negar todas elas.

- Pode ter certeza disso. - Ele afirma; olha para o meu dedo em riste e o mordisca na ponta, me surpreendendo.

Eu estava prestes a dizer alguma coisa, quando mais uma velha nos interrompe:

- Com licença... Eu queria saber se eu não teria o prazer de uma dança com você... - A morena esguia pede, sorrindo para ele.

Céus! A vadia está ficando vesga de tanto que ela tenta parecer sedutora!

- Eu prefiro dançar com a minha namorada. - Adam me abraça com força, grudando ainda mais os nossos corpos.

Bom.

A morena abre ligeiramente mais os olhos e tenta manter o sorriso no rosto quando me olha rapidamente.

- Eu tenho certeza de que a sua namorada não vai se importar. - Ela continua insistindo, e a sua voz é nojentamente melosa. Argh! E ela ainda tem a audácia de olhar para mim com desprezo, esperando que eu confirme.

- A namorada dele vai se importar, sim. Muito. Agora saia daqui, antes que eu chame os meus seguranças. - Eu digo com frieza enquanto passo, de maneira possessiva, os meus braços ao redor do pescoço do Adam.

A velha ri com escárnio:

- E quem é você?

- Alice Hildebrand. - Respondo com orgulho e arrogância. - E quem é você? - Devolvo com nojo.

Vejo seu rosto ficar pálido; ela começa a gaguejar qualquer coisa sem sentido, antes de se virar e sair sem nem mesmo responder.

Quando volto a olhar o Adam, ele está sorrindo divertido para mim.

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