Capítulo Sessenta e Oito - Promessas e Provas

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Capítulo Sessenta e Oito — Promessas e Provas


Alice K. Hildebrand

— Vocês estão bem? — É a primeira pergunta que eu consigo fazer quando o airbag para de me sufocar.

Olho rapidamente para o lado e encontro um Adam atônito, de olhos arregalados e rosto branco feito papel.

— Estamos... — Quem começa a falar é o Anthony, mas é interrompido por um grito masculino nada másculo. Não demora, Anthony se junta ao amigo nos gritos estranhos.

Isso parece despertar a reação do Adam, que olha para mim e depois para trás. O motivo dos gritos dos homens é nítido e observa o carro de forma apreensiva a alguns metros de distância. O mesmo lobo que causou o acidente agora está parado com os seus enormes e aterrorizantes olhos escuros presos à lateral em que o Aaron está.

Um rosnado tantas vezes pior do que o de um cão de guarda me faz estremecer de medo. O animal é assustador. A situação é assustadora.

— Ai, meu senhor que está nos céus olhando por nós, olhe um pouco mais e tire esse bicho daqui! — Anthony está aos berros, tentando se afastar tanto quanto a porta fechada do carro o permite.

Aaron não está muito diferente, mas ao menos tenta manter um pouco de calma.

— Nós temos que parar de gritar, porque talvez ele vá embora. Ah! — Um farfalhar do mato alto próximo ao animal interrompe o pensamento do louro, que não consegue mais segurar o grito estridente. — Eu sou novo demais pra morrer. Ó, senhor, se for para levar algum de nós, leve o Anthony, que é o mais velho e já viveu mais do que todos nós.

— Aaron, você é o que está mais próximo do animal. É mais fácil eu abrir a porta e te chutar para fora. — Agora é a vez de o Aaron ficar branco feito papel. — Se eu fizer isso, o animal poderá atacar e comer você enquanto nós três tentamos escapar. Olha só, ele parece ser magrelo demais, deve estar com fome. Você será uma ótima refeição para ele.

— Você está brincando? O animal é enorme! — Aaron rebate com a voz meio sufocada.

O lobo se afasta poucos metros e, meio abaixado, escondido pelo matagal, rodeia o carro. Nem ao menos isso nos dá alguns minutos de tranquilidade.

— Você se machucou? — Adam murmura ao tocar a minha bochecha.

Eu me entristeço por ouvir a sua voz carregada de culpa. Adam, naturalmente, já tem a tendência a se culpar pelas menores das coisas; agora, no momento em que ele estava com a responsabilidade de guiar o carro, sei que a culpa que ele sente é maior do que jamais sentiu.

— Não, eu estou bem. Eu só... Fiquei assustada. — Explico e seguro a sua mão em uma tentativa de transmitir conforto a ele.

Adam não se afasta, muito pelo contrário. Ele aperta ainda mais forte a minha mão, como se ele precisasse disso para manter a calma.

— Eu acho que eu acabei com o seu carro... — Ele suspira, a sua feição de derrota me deixa sensibilizada.

Em qualquer outra circunstância, com qualquer outra pessoa, eu teria ficado furiosa por ter estragado o meu carro, mas é impossível eu me zangar com o Adam. Céus! É o Adam! Não consigo ficar com raiva dele, nem um pouco brava. Na maioria das vezes, pelo menos.

E é irracional eu me irritar por este motivo tão supérfluo, sendo que podia ter acontecido algo muito pior conosco. Prova disso é o lobo que nos vigia sem sequer piscar.

Efeito AliceOnde histórias criam vida. Descubra agora