Capítulo Trinta e Quatro - 4x4

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Capítulo Trinta e Quatro - 4x4

Alice K. Hildebrand

- Você me deixou toda melada. - Eu me jogo ao lado do Adam na cama, depois de terminarmos a sobremesa.

- Dizendo assim, vou acreditar que não gostou da brincadeira. - Ele rebate divertido ao olhar para o teto branco descascado do seu quarto.

Dou uma risadinha abafada. Eu, de fato, gostei bastante.

- Não é como se eu estivesse reclamando, mas agora eu preciso de um banho.

- Pois então tome aqui. - Ele bate a ponta do indicador na ponta do meu nariz ao dizer como se fosse algo óbvio para eu fazer.

- Não tenho roupa aqui. E, se bem me lembro, mais tarde teremos o showzinho do seu amigo.

- Se ele ouvi-la falar desta maneira vai te odiar. - Adam gargalha, me deixando confusa.

Eu não disse nada ofensivo... Disse?

- O que te diverte é o fato do seu amigo me odiar?

- Oh, não mesmo. É o fato de ele levar tão a sério a música dele ao ponto de se ofender com coisas à toa.

- E ele está certo. - Digo, simplesmente. - Me refiro ao fato da seriedade dele. E não...

- Eu entendi. - Adam me interrompe, tirando meu cabelo da frente dos olhos. - Nós estamos sempre nos controlando perto dele, sabe? Ele já tem a opressão da família... Ter a dos amigos seria demais para ele, mesmo que não seja intencional.

- Pois então, voltando ao que eu dizia antes: eu preciso de um bom banho. Preciso estar decente para o show do seu amigo, e a nossa brincadeira me deixou toda melada. - Escondo meu rosto entre o braço e o antebraço, envergonhada.

Adam dá uma risada rouca e divertida.

- Lembre-me de fazer isso numa ocasião mais propícia, então. - Ele provoca e, mesmo assim, o seu rosto fica corado.

A ousadia não lhe é uma característica mesmo, afinal. Por mais que tente, ele sempre fica desconfortável.

- Tentarei me lembrar disso. - Toco a sobrancelha vincada do Adam e começo a me levantar. - Eu volto mais tarde, tudo bem?

- Você pode ficar mais. - Ele comenta como se fosse um pedido.

- Ah, com certeza eu poderia. - Dou um sorriso preguiçoso e me debruço sobre ele.

Adam ergue o rosto e me beija de leve.

- Então fique. - Ele pede, me puxando para mais perto.

- Você está me deixando mal acostumada. - Resmungo, me deixando levar.

Não é como se eu tivesse qualquer vontade de ir embora, no fim das contas.

- Estou? - Morde o lóbulo da minha orelha, me trazendo arrepios pelo corpo inteiro. Faço um som esquisito em concordância, e Adam ri baixinho em resposta.

- Podemos, por favor, conversar algo? Qualquer coisa, para que eu não perca a cabeça? - Peço rapidamente, sabendo que a nossa interação não seria nada inocente.

- Como queira. - Ele concorda e se deita de lado, ficando de frente para mim. - Sobre o que quer conversar?

- Qualquer coisa. Pergunte-me algo. Comente algo... - Sugiro.

Eu não tenho a menor condição de pensar em algo racional para usar como assunto de uma conversa.

- Hm. Ok... - Adam faz uma pausa e pensa em alguma coisa até que seus olhos piscam em curiosidade. - Três meses atrás, naquele dia quando nós discutimos, depois de você contar o problema que deu para marcar minha entrevista. Lembra? - Ele me olha, incerto, se referindo ao dia em que foi "contratado".

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