Acordei, sem abrir os olhos. Mais uma manhã estava ali. Imóvel na cama, era como se não houvessem lençóis, nem colchão, apenas a temperatura do sol batendo de leve, sobre um corpo suspenso pelo nada. Depois de relembrar com esforço de todos os meus afazeres passados e associá-los aos dias respectivos, consegui me localizar em plena manhã de sábado. Logo uma vontade imensa tomou conta, e saí da cama, movida pela inspiração. Tranquei o ateliê pelo lado de dentro com uma xícara cheia de café forte nas mãos.
Da última vez que perdi a noção do tempo ali, havia deixado o molde todo planificado, apenas esperando passar por alguns testes para depois finalmente ganhar vida numa tela de tecido.
Tive que procurar e pesquisar muito com vários fornecedores para encontrar o tecido exato; o mesmo tom, o mesmo caimento e textura.
Aquele com certeza era a minha distração favorita, pois me fazia simplesmente perder a noção do tempo, me fazia esquecer de tudo, e de todos. Isso até o estômago decidir tirar minha concentração, roncando desesperado.
— Como já são três da tarde e eu não percebi? — exclamei surpresa após checar as horas por duas vezes, para ter certeza de que não tinha me enganado.
Eram três da tarde.
Deixei de lado, e fui à cozinha, descongelando uma refeição pronta e comendo o mais rápido que pude, logo estava de volta ao ateliê.
E a noção de tempo se foi novamente...
Quando olhei pela janela, tudo estava escuro.
— Paramos por aqui... — confirmei após um suspiro junto da sensação imensa de dever cumprido.
Peguei uma toalha e fui tomar um banho.
A espuma branca e macia tomava conta de todo o corpo quando a campainha tocou.
— Santa inconveniência… — Revirei os olhos de desgosto assim que o som do aviso soou mínimo e abafado no meio das gotas fortes que caiam do chuveiro.
Continuei dando atenção ao banho; se fosse importante, esperaria, se não, simplesmente iria embora. Mas para a minha injúria, a campainha não parou de gritar nem por um segundo.
— QUE DROGA! NÃO SABE ESPERAR?!
Cessei a passagem de água, e tentei escutar o que se passava. Deveria ser uma pessoa louca com o dedo nervoso, pois parecia que pressionava o mesmo na campainha sem ao menos deixar o pobre transmissor respirar. Tal ação além de aumentar consideravelmente minha raiva, começou a preocupar…
Interrompi o banho e saí ensaboada, respingando toda a casa, cobrindo o corpo com um roupão.
— Fala sério... — murmurando, abri a porta, me tampando parcialmente atrás dela.
— T-tava tomando banho? — Kim Tae Hyung titubeou para falar.
— Ani... Dando banho no cachorro.
— Você tem um cachorrinho?! — Kim Seok Jin se interessou. — Que legal!
— Mwo?! E v-você banha seu cachorro... Desse jeito? — Kim Tae Hyung gaguejou novamente, apontando o dedo para mim.
— Cara, você é muito burro... — Kim Nam Joon zombou, e Min Yoon Gi ria disfarçadamente.
— Vão ficar aí fora? — Abri de vez a porta e sem dizer nada, segui o trajeto de volta ao banheiro do meu quarto.
— Kookie… Está por aí? – Park Ji Min perguntou, empurrando o ombro do garoto sentado no sofá, estático.
— Pára Ji Min, dá um tempo pra ele... — Min Yoon Gi repreendeu com um toque sarcástico.
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Bangtan e Eu
FanfictionExistem várias estratégias para lidar com conflitos e sentimentos. Para Ana, fugir e ignorar são as que melhor funcionam. Fechada e cheia de segredos, sempre evitando novas amizades e preocupada com as consequências de suas ações, se Ana ao menos im...
