Liberdade Sem Limites

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— Adivinha quem é?

Reconheceria aquela voz em qualquer lugar; logo em conjunto com as mãos geladas e de pele fina, era óbvio.

Liberei a visão por abaixar cuidadosamente os dedos que apertavam com ansiedade meus olhos.

— Oi, SN… — me virei para respondê-la.

— Que animação em me ver, hein? O Brasil estava tão bom a ponto de não sentir a minha falta?

— Que dramática… — Sorri, puxando a cadeira vaga ao meu lado.

— Vim lanchar com alguns colegas de trabalho. Já estava de saída quando vi vocês entrando — comentou enquanto se sentava.

— Essas são Pietra, Sofia e Vanessa. E essa é a SN.

Apresentar SN às meninas não era algo que eu esperava fazer naquele momento.

— SN?? Hum… Esse nome me lembra alguma coisa… — Vanessa estalou os dedos. — Ah! É aquela sua amiga que…

E o que de pior eu temia que pudesse acontecer diante daquele encontro inesperado se concretizou por ninguém mais, ninguém menos, que Vanessa, a Louca, a Inconveniente.

Antes que ela falasse mais do que devia, lancei um olhar repreensivo em sua direção; era como se eu dissesse "Cala a boca! Surtou de uma vez!?".

Vanessa não se intimidou com a minha advertência desesperada, e ainda curiosíssima, necessitava por tudo ter a confirmação do que queria. Assim, logo me retrucou um olhar arregalado como se me perguntasse "É a SN? Aquela SN!?". Arregalei os olhos de volta, confirmando a identidade da garota ao meu lado e quase implorando para Vanessa, ainda de forma não verbal: "Fica quieta!".

Apenas depois de nossa discussão quase telepática percebi que tínhamos plateia.

— Ãn… Então a Ana fala muito de mim para vocês? — SN voltou ao assunto, falando um pouco em português, um pouco em coreano, querendo saber exatamente o restante da frase que impedi Vanessa de escapulir.

— Ah! — Uma vontade súbita de sorrir tomou conta, apenas expressando meu nervosismo. — Ela só confundiu… Tem outra SN, que… digo, com o mesmo nome… — Encarei Vanessa de novo, dessa vez para suplicar socorro à melhor mentirosa do nosso trio — talvez, inclusive do mundo. A descabida simplesmente me ignorou, revirando os olhos e negando ajuda em tamanho descaso. Logo desisti de adicionar remendos àquela conversa estranha e cheia de lacunas. SN estava a quilômetros da desconfiança; se suspeitava de algo, ela  escondia muitíssimo bem.

Não é como se eu saísse desabafando sobre qualquer das preocupações com quem quer que fosse. Mas Sofia, Pietra e Vanessa são as únicas que tem liberdade para se meter na minha vida — também não é como se eu tivesse concedido essa tal "liberdade", contudo, também não é como se ligassem para as minhas opiniões. E foi assim, enfiando o nariz onde bem queriam, que as três souberam sobre o que havia acontecido entre SN e eu. Na época, insistiram e persistiram o mais que podiam para me convencer a revelar toda a verdade à SN, porém, nem mesmo a liberdade sem limites e até mesmo minha força de vontade foram capazes de fazer com que a coragem aparecesse na hora em que deveria.

— E como foi no Brasil?! — SN perguntou extremadamente entusiasmada.

Só de mencionar a palavra Brasil, me vi sendo teletransportada de volta há alguns dias no passado, passando por todas aquelas situações novamente numa velocidade absurda.

— Saiu tudo como planejaram.

SN continuou me encarando com euforia, esperando que eu contasse, tintim por tintim, cada mínima coisa da tal "viagem ao desastre".

Bangtan e EuOnde histórias criam vida. Descubra agora