— Mas nós só queremos ir à praia... Vai ser rápido!
— Ani, não saiam hoje. Aish... com um compromisso tão importante, ainda pensam em arriscar para que imprevistos aconteçam... O que acham que é isso aqui? Bon Voyage?!
Observava ao longe, sentada numa poltrona, o manager advertindo os sete menininhos que queriam passear... Park Ji Min estava desesperado, e como se sua vida dependesse disso, ele quase se ajoelhou, implorando ao homem que o deixasse ir conhecer o calçadão de Copacabana.
O analgésico que tomei não surtiu efeito algum, e a dor de cabeça parecia pior do que os dias passados.
E naquela tarde, com tarefas ou não, compromissos ou não, com permissão ou não, eu sairia, sozinha, mesmo que para isso tivesse que fugir.
Levantei da poltrona assim que o manager deu sua sentença final aos garotos e vinha passando em minha direção.
Curvei-me, e ele parou: — Annyeonghaseyo, maenijonim, quero apenas avisar que não estarei por aqui durante a tarde.
O homem, milimetricamente mais baixo que eu, deixou suas pálpebras finas quase como fechadas e me olhando dessa forma, disse sério: — Não ouviu o que eu disse agora há pouco àquelas crianças? — Direcionou sua mão onde no momento apenas Park Ji Min estava cabisbaixo, sentado no sofá. — Nem eles e principalmemte você não saem daqui hoje. — Voltou a mão, apontando um de seus dedos para mim. — Aigoo, sabem que temos compromisso e atrasos não serão tolerados.
— Se é tão importante assim, por que não fui avisada... até agora?
— Ah... Não foi? — Recuou o dedo, juntando aos quatro restantes e colocando-os próximos à boca, quando pigarreou. — Pois está sendo avisada agora: exercerá suas funções hoje à noite numa entrevista — disse objetivamente, como se tivesse um pouco limite de palavras disponíveis na língua. E sem mais justificativas, seguiu caminho.
Ainda que pudesse entender que o manager tinha muitos motivos para ser tão precavido, eu não conseguiria prosseguir sem antes colocar as coisas em ordem dentro da minha cabeça, pelo menos até ao ponto da tal pesar menos que meu corpo. Além do mais, um alfinete de desconfiança me espetou com força quando aquele homem disse "principalmente você".
Escaneei todo o local e ninguém da equipe rondava por ali. Quanto a Park Ji Min, ainda no mesmo lugar, à mesma posição, concentrado em algo no celular.
— Que se dane.
Saí rápido. Até correria pelo hotel se não fosse chamar tanta atenção.
Com um coque mal feito, roupas básicas e óculos escuros que quase tapavam todo o rosto, dificilmente haveria alguém para me reconhecer. Quando dei por mim, já estava num táxi na direção do meu destino.
⚪⚪⚪
Caminhei um longo tempo pelas areias brancas, com os calçados pendurados pela mão. Respirei fundo aquele ar como se fosse a última vez que eu o pudesse fazer — o que, de certa forma, seria. Nuvens cinzentas e o clima nublado espantaram a maioria dos visitantes e turistas que geralmente lotavam o local. Meus pensamentos fluíam na mesma intensidade que a brisa forte se dissipava, em várias direções ao mesmo tempo.
Eu estava em casa.
Sentei sobre a areia, perto do mar, longe o bastante apenas para que seus restos de onda não me alcançassem.
Há muito já havia perdido a noção do tempo e a dor de cabeça, amenizada.
De repente, algo pontudo veio contra as minhas costas.
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Bangtan e Eu
FanfictionExistem várias estratégias para lidar com conflitos e sentimentos. Para Ana, fugir e ignorar são as que melhor funcionam. Fechada e cheia de segredos, sempre evitando novas amizades e preocupada com as consequências de suas ações, se Ana ao menos im...
