Lista de Preocupações

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— SN? — perguntei, apesar de ter visto seu nome estampado na tela do celular enquanto tocava.

— Aninha!

— Como vai?

— Vou bem... — Sorriu fraco e sem graça.

— Tem certeza?

— Tenho sim... Eu queria ver você hoje.— Suspirou, com a voz cansada.

Mais um item para a minha lista de preocupações. O pai da SN nem ao menos a deixava respirar em paz, e algo me dizia que o seu desânimo ao telefone tinha a ver com aquele homem desarrazoado. Como se não bastasse a minha preocupação redondamente desnecessária com Kim Seok Jin e sua "amiga" nada confiável estarem invadindo meus pensamentos a todo momento. Qual a utilidade dessa cisma? Seok Jin era um homem feito que sabia muito bem como dirigir sua própria vida e seus relacionamentos. Ou pelo menos deveria...

— Voando em pensamentos? — Ji Young perguntou, ao mesmo tempo que eu já batia minha mão fechada contra a testa, na tentativa de disciplinar o cérebro a se concentrar nos assuntos realmente importantes.

Pausei a disciplina, virando a atenção à Ji Young:
— A cliente do Carolina Herrera agendou a prova?

— Ne, mas insistiu que a prova do traje fosse feita em sua casa...

❇️❇️❇️

Parei o carro em frente ao café, vendo SN saindo de lá. Era início de noite, as pessoas passavam por todos os lados pelas ruas da movimentada Hongdae.

— YA, moça! — gritei após abaixar o vidro. Quase todas as moças olharam em minha direção, menos SN, que arrumava algo em sua bolsa grande.

— SN!

Enfim me enxergou, acenando em seguida, e se aproximando do carro.

— Omo… Não tem estrogonofe de frango nesse cardápio... — ela reclamava, com os olhos no menu do restaurante em que havíamos decidido jantar.

—  E você, como está?

— Indo... — Fez careta, enrugando o nariz.

— Ainda procurando emprego?

— Ne

— Probabilidades?

SN respondeu com um suspiro, folheando as opções do estabelecimento.

— Nada de desânimo. Você tem talento e capacidade melhor que muitos por aí! Não pode desistir depois de tanto esforço.

— Não adianta nada se ninguém vê meu potencial...

— Me envia seu currículo, eu vejo o que posso fazer.

— Ani, Aninha... Eu agradeço por sempre me ajudar mas você sabe que gosto de conquistar os meus sonhos sozinha...

— Mas às vezes é bom aceitar ajuda! E quem disse que eu vou te dar emprego de mãos beijadas?! Não corre atrás para ver o que acontece... — Seu sorriso se intensificou após minha última frase, e só segundos depois entendi que foi por causa de mais uma das minhas expressões nacionais. — É sério... Só vou dar um empurrãozinho, ok? Quem sabe surge algo interessante?

— Você sabe mesmo como me animar! Eu... Vou pensar, tá?

A encarei numa expressão óbvia, cruzando os braços e endireitando minha postura no encosto da cadeira.

Desistindo, SN revirou os olhos e riu: 

— Eu vou mandar por e-mail depois…

Bangtan e EuOnde histórias criam vida. Descubra agora