Jeju Island

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Arrastava para lá e para cá as quatro rodinhas duplas da mala prata pelo piso liso do aeroporto, pensando em como seria minha postura diante de SN, ou se sequer a encararia…

— Ei… — Vanessa segurou meu braço. — Dá um tempo, tá me dando agonia! Eu já te falei mil vezes que a SN tá de boa… — A Doida me cravou os olhos. — Cara… — Foi com a mão livre em meu outro braço e começou a me chacoalhar de leve. — Ela tá de boa!

Apesar de convincente, Vanessa não me convencia. A ideia de que SN agiria diferente, mesmo que ínfima, não me saía da cabeça; talvez nunca mais fosse como antes.

— Pelo telefone, ela me pareceu bem. — Pietra juntou mais argumentações, ajeitando seu Chloé redondo de armação dourada sobre o nariz. — Na verdade, empolgada até demais… 

— Deixa de cisma, a SN não tá com raiva de você! — Vanessa arrematou, enfim parando de me chacoalhar.

O que eu não queria era ter que constatar por mim mesma o que elas tanto afirmavam, era ter que enfrentar a situação. Não queria correr o risco de ter que olhar para SN e concluir que restaram mágoas ou mesmo uma tristeza insignificante em seu rosto. 

Poderia fugir dela durante uma longa vida só para evitar esse confronto.

E foi justamente o que fiz assim que enxerguei sua figura se aproximando, misturada a tantas outras que caminhavam em nossa direção, atrás de seus respectivos destinos. 

Por sorte as meninas estavam de frente para mim e consequentemente não viram a garota chegando.

— Ãn… — Apertei o queixo, olhando para baixo. — Vou ali checar uma coisa. — Comecei a caminhar, arrastando a mala comigo, arrumando as alças da bolsa grande em meu ombro.

— Pra onde? — Sofia perguntou em nome do trio.

— Banheiro! — exclamei, sem parar de andar, apenas ergui o braço sinalizando um tchau distante.

Annyeonghaseyo!!! — SN surpreendeu as garotas ao chegar pela retaguarda, escorando os braços nas costas delas.

— Ah, é por isso — Vanessa suspirou. — Aquela vaca só tava fugindo de novo…

Dei uma olhadela para trás, as três a cumprimentavam. SN sorria para tudo. Era como se tivesse sofrido uma paralisia facial no exato momento em que lhe contavam uma piada engraçada.

Virei rápido o pescoço para frente e continuei meu percurso. Apoiei os braços na bancada de pias do banheiro e respirei aliviada; o primeiro momento foi evitado. Entretanto, logo um frio subiu pelo estômago, não dava para me trancar com a privada e ficar lá para sempre. Em algum momento, eu teria que sair da frente daquele espelho manchado, repleto de digitais e encarar SN.

Caminhei devagar na direção delas. Todas as quatro sentavam nas cadeiras de espera — SN, na extrema direita. Imediatamente trataram de ficar me encarando de longe. A insegurança saía pelos poros em forma de transpiração. Não sabia se as fixava de volta, para ver se alguma coragem aparecia, ou se desviava o olhar para baixo, confessando toda a minha insegurança. 

Ainda à alguma distância, parei, abri a bolsa e retirei dela os óculos escuros. Tampei os olhos e com o capuz preto do moletom, a cabeça. Agora sim havia ao menos uma armadura medíocre para a proteção do covarde soldado…

Annyeong… — foi o que consegui dizer.

Curvei-me tão rápido para poder sentar na ponta oposta em que SN estava que nem deu para ver sua expressão.

— Quem quer ir comigo comprar café? — Sofia se levantou duma vez com a proposta.

— Eu irei! — Pietra também ficou de pé e Vanessa a imitou, prontamente.

Bangtan e EuOnde histórias criam vida. Descubra agora