O corte que insistiu há tanto permanecer em sua exibição no canto dos lábios da garota enfim desapareceu por completo. As leves nuances violáceas estavam quase que imperceptíveis, mas ainda compunham a tela de seu belo e desenhado rosto, como tênues pinceladas. Rosto esse que permaneceu fosco desde quando lhe foi imposta a ordem de se trancafiar no quarto até seus ferimentos externos curarem e suas cicatrizes desaparecerem. A lei foi cumprida exageradamente ao pé da letra, pois ela sequer desejava ver um raio de sol penetrar na janela. Tampouco as trevas da escuridão a agradavam, mas eram suficientes para estagná-la em completa inércia...
Kang Mi Cha estava sentada no ângulo da cama, o rosto fosco desfocado da realidade que ela tanto sonhava mudar.
— Filha, preste atenção no que estou dizendo… — implorava a mãe, sentada ao seu lado.
— Você disse que ia falar com ele… — Kang Mi Cha relembrou com entonação mecânica na voz, como se fosse um robô insensitivo, mirando fixamente e sem objetivo a funcionária da casa dobrando com cuidado uma de suas camisas de seda preferida.
— Sabe que é impossível convencê-lo… Eu tentei!
Kang Mi Cha enfim olhou para a mulher: — Omma! Eotteokhe!? O que eu faço? — Dois pontos de luz se formaram no canto dos seus olhos, inundando a visão, comprometendo e tornando embaçada. A realidade aos poucos a envolvia, à contra vontade.
E quando a gota estava quase formada, se preparando para cair, a mãe estendeu o braço, repousando-o no colo da filha: — Isso foi tudo o que consegui.
Quando Kang Mi Cha abaixou as vistas e viu nada mais que um borrão cor-de-rosa sobre as pernas, esfregou os olhos e desobstruiu o nariz, aspirando forte o ar para dentro.
Era o seu celular, bem ali, disponível, diante de si.
Mais uma vez passou os dedos pelas pálpebras molhadas, enquanto ávida despertava o aparelho, cheia de uma expectativa esperançosa. Quando estava por fim operacional, imediatamente foi à procura de um contato em sua agenda.
Digitou, e a busca foi um completo fracasso.
Não existia nenhum "Kim Seok Jin" em sua lista de contatos.
Teclou mais uma vez; e novamente; e mais uma terceira…
À medida que seus olhos se inundavam de novo, Kang Mi Cha se dava conta de que não havia mais Kim Seok Jin, não mais, talvez nunca mais...
— Eu sinto muito… — mesmo sabendo que era inútil, sua mãe tentava confortá-la, passando a mão nos ombros da filha. — O seu pai também fez questão de excluir todas as suas redes sociais… E você não poderá mais vê-lo… Sinto muito, querida.
A garota encarou o fundo dos olhos de sua mãe, e permitiu que toda sua consternação e desconsolo emanassem para fora, tornando-os visíveis em seu rosto. A desesperança se concretizou de tal maneira, que era quase como palpável.
— Não sei se dessa vez vou conseguir…
— Não! Anyo, não ouse dizer isso! — a ahjumma não se conteve, e abraçou a menina bruscamente.
As duas lastimavam e choravam o quanto podiam, no entanto, mesmo que gritassem toda sua capacidade vocal, nada seria bastante para expressar o que sentiam em sua totalidade, e de nada adiantaria.
A funcionária, veterana da família, continuava com seus afazeres como se tudo ali fosse silêncio, dobrando cuidadosamente as peças finas, atuando uma absoluta indiferença aos dramas da família, assim como fora treinada a fazer.
— Não se atreva a dizer isso para a sua mãe… — choramingou, distanciando centímetros do rosto da que tanto abraçava. — Se… — Lutou para conseguir falar sem que o choro tomasse conta das palavras. — Se eu perder você… Acha mesmo que consigo me virar sozinha nesse mundo?
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Bangtan e Eu
FanfictionExistem várias estratégias para lidar com conflitos e sentimentos. Para Ana, fugir e ignorar são as que melhor funcionam. Fechada e cheia de segredos, sempre evitando novas amizades e preocupada com as consequências de suas ações, se Ana ao menos im...
