Capítulo 19

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Um grande círculo se formou diante de nós com a imagem de um campo ao fundo. Imaginei como seria o aranha desse lugar e a imagem de um garoto com chapéu de palha surgiu em minha mente.
Peter, Ben e eu pulamos no portal caindo em cima da grama fofinha. O campo, na verdade, era uma fazenda.

— Que ótimo, nosso primeiro aranha é um fazendeiro — Murmurou Ben, carrancudo.

— Tava demorando. Você não sabe fazer outra coisa que não seja resmungar?

— Eu também sei observar, loira, e adivinha... Fury não é o mesmo.

— O que quer dizer com isso?

— Não notaram? O tapaolho dele estava do lado errado.

Peter e eu o olhamos confusos.

— Tem certeza, Ben? Faz tempo que você não vê o Fury, pode ter se confundido.

— Eu sei o que eu vi, tá legal? Aquele não era o Fury!

Ben falou com tanta confiança que eu cheguei a pensar que fosse verdade. Mas como eu nada poderia fazer até Stranger abrir outro portal, decidi procurar pelo "aranha-fazendeiro". Ao andar por aí, acabei pisando em uma poça de lama bem em frente a um milharal.

— Droga!

— Agora sei o porque de você não ter reconhecido o verdadeiro Fury, você nem mesmo olha por onde anda — Disse Reilly, num tom provocativo.

Sem pensar muito, atirei uma teia em Ben e o puxei para dentro da poça de lama, sujando-o todo.

— Esse modelito caí bem em você, Reilly. 

— Loira, já viu um porco andar em duas pernas?

— Estou olhando para um.

Ben se irritou com o que eu disse e tentou atirar lama em mim, mas eu consegui sair a tempo dando de cara com um porco de blusa listrada, chapéu de palha e em pé sobre duas pernas. 

— Sempre caí alguma coisa quando eu vou usar a poça — Resmungou ele.

— Eu tô ficando doido ou acabei de ouvir esse porco falar? — Perguntou Peter. Ben e eu saímos da lama.

— Ei, Porquinho, sabe se por aqui tem um homem aranha com o uniforme parecido com os nossos? 

— Eu tenho um nome, sabia?

— Deve ser algo idiota como Peter Porker — Caçoou Ben, fazendo o porquinho roncar de raiva.

— Esse é seu nome? Quer dizer que você é o aranha daqui? — Perguntei.

— Não mais. Perderam seu tempo vindo até aqui.

— Não, escute —  Disse Peter — Sua vida corre perigo. Morlun está vindo sugar seu sangue e sua força vital e de vários outros aranhas! 

Porquinho nos olhou confuso. Expliquei toda a história e o plano no Fury para se proteger de Morlun, mas porquinho pareceu não acreditar muito.

— Desculpe, mas acreditar que um vampiro está vindo me pegar é loucura. E o plano do Fury é sem noção.

— Qual é Porquinho? Acha que nós viríamos de outro universo só para contar uma historinha? 

— Encontrei vocês brincando na minha poça preferida de lama. 

— Não estávamos brincando. Talvez um pouquinho...

— Gwen, vem cá — Peter me puxou para um canto mais afastado de Ben e do porquinho  — O Porquinho tem razão, esse plano do Fury não tem lógica. Ben deve estar certo quando diz que aquele não é o Fury.

— O que fazemos então?

— Vamos recrutar o máximo de aranhas possiveis e levá-los à um lugar seguro.

Assenti concordando. Esse plano era muito melhor.

— Porquinho, coloque seu uniforme — Disse séria — Você vem com a gente.

De repente, uma luz muito forte surgiu a nossa frente nos obrigando a cobrir os olhos. Quando a claridade diminuiu, conseguimos ver um homem de cabelos longos e pretos eolhos vermelhos. Ele nos olhava com um sorriso largo, como se tivesse acabado de ganhar na loteria.

— Vocês não vão a lugar nenhum, aranhas.

Spider-Gwen: Spiderverse - Livro IIIHistórias para pegar e não largar. Descubra agora