Capítulo 25

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— Já anoiteceu. Ben, vamos.

— Tem certeza de que quer ir?

— Ben, não estou doente.

— Está de luto, o que é pior.

Respirei fundo. Sim, eu estava de luto e toda essa precaução de Ben em relação a mim estava me deixando nervosa.

— Você me pediu para me manter forte, não foi? Estou tentando. Agora eu te peço que confie em mim, ok? 

Ben não disse nada. Tomei aquilo como um "sim" e pulei janela afora, tomando cuidado para não deixar passar nada.
Parei perto de uma rua onde alguns caras estavam andando atrás de uma mulher. Ben tentou ajudá-la, mas eu o impedi. Eu sabia que em uma hora ou outra ele iria aparecer.

Os homens conseguiram alcançar a mulher e pegar sua bolsa. Um vulto negro passou por nós e lutou contra os homens sem nenhuma dificuldade; e ainda devolveu a bolsa a mulher com todos os pertences. Só poderia ser ele.
Comecei a segui-lo discretamente até chegar em um pequeno apartamento praticamente vazio. Uma cama e um guarda roupa era tudo o que tinha no quarto. Ben e eu entramos sorrateiramente, mas o cara acabou percebendo. Ele atirou uma teia em nós, mas só eu fiquei grudada.
Ben o imobilizou depois de uma luta árdua com ele.

— Eu te solto se você prometer ficar calmo — Disse Ben.

— Tá bem. — Respondeu num tom indiferente.

Ben o soltou para enfim me soltar também.

— Quem são vocês? E que roupas são essas?

— Gwen Stacy, Mulher-Aranha. Muito prazer.

— Ben Reilly, Aranha Escarlate.

— E você?

— Tudo o que vocês precisam saber é que me chamo Homem-Aranha Noir.

— Bom, Homem-Aranha Noir, estamos em uma missão. Sua vida corre perigo.

Ele nos olha calado por alguns instantes. Até arrisco dizer que ele estava nos avaliando.

— Deixa eu adivinhar... Vocês vieram de algum lugar do espaço ou do tempo me avisar que tem alguém querendo acabar comigo, e só vocês dois podem me salvar.

— Nem precisou contar — Sussurrou Ben.

Revirei os olhos. Ok, esse cara é esperto. Então ele deve entender logo a situação e vir conosco. Mesmo que para isso eu tenha que o empurrar em um portal, assim como fiz com o outro aranha.

— O ser se chama Morlun e ele esta se alimentando de outros aranhas pelo multiverso. No momento, eu sou seu alvo principal então ele pode aparecer a qualquer momento. Eu sei como derrotá-lo, mas preciso de toda a ajuda possível.

Senti o olhar confuso e talvez furioso de Ben sobre mim. Eu sabia que uma hora ou outra ele iria me perguntar sobre aquilo, mas no momento minha preocupação era esse Homem-Aranha Noir.

— E então, vai nos ajudar? — Insisti.

— Tentadora sua oferta. Mas tem um pequeno problema.

— Qual?

— Eu trabalho sozinho.

Ah, não! Não acredito que cruzei com esse tipo de aranha! Trabalhar sozinho quando se pode ter uma equipe? Até eu sei que isso é burrice. Só uma coisa pode ajudar nesse caso: psicologia reversa.

Sem paciência, coloquei nosso mais mais novo amiguinho contra a parede e disse:

— Escuta aqui, Homem-Aranha das Trevas, eu não tenho tempo nem paciência com esse negócio de "trabalho sozinho". Nós não viemos de tão longe para aguentar esse tipo de joguinho. A sua vida e de vários outros iguais a nós corre perigo, Morlun pode estar agora mesmo matando um de nós enquanto estou aqui lidando com sua baixo autoestima. Você pode ficar aqui e esperar sua morte chegar ou vir com a gente e derrotar Morlun. A escolha é sua — Soltei ele bruscamente — Estaremos no prédio mais alto da cidade.

Saí do apartamento antes mesmo de algum dois falar alguma coisa, e só parei quando cheguei no prédio. Essa missão era desgastante.

— Espera aí, Gwen — Ben segurou meu braço — Que história é essa de que nós podemos derrotar Morlun? Por que não me contou antes?

— Porque é suicídio para apenas quatro aranhas tentarem.

— Por isso está recrutando vários aranhas. Está montando um exército.

— Quanto mais gente, mais chances nós temos de sair vivos contra ele. Strange disse que Morlun pode ser morto com um golpe letal se estiver fraco. Ben, nós podemos salvar todos eles. Confie em mim.

Ben finalmente soltou meu braço, mas sem dizer nada. Fiquei com medo de que ele não aceitasse e desistisse da missão ali mesmo. Me preparei para o pior.

— Ben, por favor. Eu não faria isso se não tivesse certeza do que estou fazendo. Nós vamos ficar bem.

— Nós já perdemos o pirralho, loira. Não quero perder você também — Admitiu baixinho.

— E você não vai — Me aproximei dele e o abracei. Ben retribuiu o abraço como se estivesse precisando há um bom tempo.

A morte de Peter o afetou também, eu sabia. Seu jeito durão não escondia que estava sofrendo também. Nós dois precisávamos um do outro.
Me afastei para olhá-lo.

— Você está comigo?

— Sim, loira.

Suspirei aliviada, encostando minha testa em seu peito.

Spider-Gwen: Spiderverse - Livro IIIHistórias para pegar e não largar. Descubra agora