Capítulo 36

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Acordei com um barulho de porta batendo e passos se aproximando de mim; quando abri os olhos, minha visão custou a se adaptar a claridade.

— Que bom que está acordada, Srta. Stacy.

Eu conheço essa voz...

— Coulson — Sorri.

— Como está se sentindo?

— Bem — Olhei para o meu braço.

Eu estava mantida no soro, mas há quanto tempo?

— Quanto tempo fiquei apagada?

— Dois dias, assim como os outros.

Nossa.

Sentei-me na cama, olhando ao redor. Aquilo com certeza não era a base aérea, mas ainda assim me lembrava muito. Além disso eu não poderia ir para um hospital comum, por causa de minha identidade.

— Onde estamos Coulson?

— Em uma das instalações da S.H.I.E.L.D.

— E a fortaleza aérea? Poderiam ter me levado pra lá.

— Não, nós não poderíamos Srta. Stacy. Acontece que após sua partida, a fortaleza aérea sofreu um ataque. Loki usou a aparência de Fury para nos enganar e soltar todos os prisioneiros. Kraven, Dr. Octavius, Jeff... Todos eles se espalharam e sumiram quando a fortaleza caiu no mar.

— Quer dizer que a base aérea está no mar nesse exato momento?

Coulson assentiu.

— Mas e a equipe? E o Fury?

— Fury estava preso em uma sala pouco conhecida pelos funcionários da base. Na verdade, ninguém tinha conhecimento sobre além de mim, Connors e o próprio Fury. Quando o libertamos foi só questão de tempo para sairmos da aeronave e ela cair no mar.

— A equipe está sem um lar agora.

Coulson assentiu, novamente. Caramba. Ben tinha razão quando disse que aquele não era o Fury.
Quando abri a boca para perguntar sobre o estado em que eles estavam, a porta da sala abriu e Connors entrando logo em seguida com uma prancheta. Aqueles eram meus dados clínicos, eu tinha certeza.

— O que esse cara tá fazendo aqui?

— Connors ganhou anistia do governo depois de cumprir um terço de sua pena e agora está livre — Explicou Coulson — Claro que se ele voltar a ser o Lagarto ou usar produtos químicos, quaisquer que sejam, ele será preso sem direito a julgamento. Ele vai ficar o resto de sua vida na prisão.

— Seria estranho Connors não mexer com produtos químicos, afinal, ele é cientista.

— Não mais. Connors é apenas um médico agora.

Olhei para ele um pouco descrente. Eu ainda não confio nele.
Coulson saiu da sala sem dizer mais nada; Connors também se manteve em silêncio por um tempo. Observei ele tirar minha pressão, ouvir meus batimentos cardíacos, checar meus reflexos e anotar tudo em sua prancheta. E olha só, ele seguiu meu conselho de usar uma prótese.

— Você sente alguma coisa? Dor, tontura... — Perguntou ele sem tirar os olhos da prancheta.

— Não.

— Como não houve sequelas em você, acho que já pode sair desse quarto.

Connors tentou pegar meu braço mas eu o puxei de volta em um movimento involuntário. Ele não se importou nem um pouco e disse que apenas iria retirar a agulha do soro.
Enquanto ele fazia, vi uma muda de roupas sobre uma cadeira e imaginei que Ava tivesse trazido. Ela é dessas.

— Pronto. Alguns aranhas foram trazidos para cá e estão se recuperando, mas seus amigos já estão bem e se encontram na cafeteria.

— Ok. Obrigada, Connors.

Levantei-me e caminhei até a muda de roupas; Connors tentou sair da sala, mas eu o impedi.

— Eu queria mesmo poder voltar a confiar em você, Connors. Mas o que você fez...

— O que eu fiz não tem perdão, Gwen. Eu sei. Mas mesmo assim você me perdoou — Ele me olha serio — Eu não espero que voltemos a ser amigos, mas que pelo menos fiquemos em um mesmo ambiente sem brigas.

— É... Eu também. A propósito, o braço ficou ótimo.

Connors sorriu por um breve instante antes de sair.

Spider-Gwen: Spiderverse - Livro IIIHistórias para pegar e não largar. Descubra agora