58- O tempo se alimenta de nós.

172 6 0
                                        

Já pararam pra pensar que nem sempre as coisas acontecem como planejamos?

Bom, hoje eu acordei pensando que seria um dia normal no hospital como todos os outros.

Mas nós nunca sabemos o que está por vir.

- Entrega pro setor de dermatologia. - Digo entregando fixas pra balconista. - Está no nome do Doutor Avery, obrigada.

- Está comigo hoje Wilson? - Arizona diz vindo até mim.

- Ih, parece que não. - Digo olhando meu pager. - Estão me chamando na emergência.

- Ah droga, preciso de um residente.

- Acho que a Anne está livre. - Digo sorrindo correndo pra emergência.

- Me chamaram? - Falo indo até a Kepner.

- A paciente chamou por você, não sabemos por que mas ela não parava de chamar você.

- Pera mas... - Olho pro leito logo que a Kepner abre as cortinas. - Bruce?

- Bruce Williams, lesões a bala na cavidade esquerda do peito, pelo menos três furos no abdômen.

- Precisarei de um acesso, começarei uma linha subclávia.

- Josephine? Esse é seu nome agora né? - Bruce diz ainda consciente.

- Eu estou aqui. - Falo indo ao lado dela.

Bruce era minha professora da faculdade a única que sabia tudo sobre mim e me ajudava na época em que eu morava em um carro, ela tinha ficado tão feliz em saber que eu tinha conseguido entrar no programa daqui, ela era o meu único refúgio quando eu não tinha ninguém. Eu não a via a muito tempo.

- Por Deus, você vai ficar bem!

- É bom te ver de novo. - Diz entre suspiros.

- Como isso aconteceu? - Falo quase chorando.

- Eu estava no banco durante o assalto, não devia estar lá.

- O tórax está cheio de sangue. - Pierce diz olhando o raio-x. - ela vai precisar de tubos. Betadine.

- Ela vai ficar bem né? - Falo olhando pra todos que estavam na sala.

- Levem-na e comecem a laparoscopia. - Hunt diz me olhando.

Bruce não podia morrer ali, não agora, não hoje.

- Bruce preciso fazer um corte no seu peito, para colocar um tubo que ajudará você a respirar. Mesmo com os medicamentos vai doer muito.

- Eu sei. - Ela diz desesperada segurando minha mão mais forte.

Não demora muito para ouvir seus gritos, aquilo era horrível pra mim, essa mulher me ensinou tudo que eu deveria saber sobre medicina, Bruce estava inconsciente, logo após ela teve uma parada e estavam todos trabalhando, Pierce conseguiu um batimento mas não durou muito tempo.

- Wilson... - Hunt fala.

- Eu vou ficar aqui, não vou sair até ela ficar bem.

- O que ouve? - Amélia diz entrando.

- Parada cardíaca a 14 minutos. - Pierce diz e vai checar os olhos.

- Pupilas fixas.

- Não Shepherd, não. - Falo olhando pra ela, sabia muito bem o que isso significava.

- Nós a perdemos? - Hunt diz.

- Sem reflexo córneo, farei um exame formal em seis horas, mas...

- Ela teve morte cerebral. - Falo olhando pra ela.

- Isso, sinto muito. - Ela olha pra todos. - Você está chorando?

- É óbvio que estou. - Falo com a mão na cabeça.

- Era conhecida dela. - Hunt fala.

- Sinto muito Wilson. - Shepherd diz e sai de lá.

- Wilson. - Hunt tira as luvas e vem até mim. - Vai lá fora, precisa de um tempo.

- A.. Adeus Bruce. - Digo dando um beijo no seu rosto ouvindo sua respiração.

Chego na recepção e fico olhando pra todos naquele hospital, eu respirava fundo pra não chorar, mas não adiantou muito, eu desmoronei na mesma hora, as lágrimas percorriam meu rosto no mesmo instante.

- Wilson, preciso... Ei, o que aconteceu? - Alex diz vindo até mim

- Bruce morreu. - Falo chorando e ele senta do meu lado. - Ela foi tão... importante pra mim. - Digo e Alex ainda me olha confusa. - A minha professora, que me deu o relógio. Lembra?

- Lembro.

- Está morta..  - Olho e ele me abraça. - Ela me ajudou, sem ela eu provavelmente teria desistido da faculdade, ela sabia que eu morava no carro, ela sabia de tudo, ela me ajudou Alex, e... E ela morreu. - Sinto mais um pouco das lágrimas percorrerem meu rosto. - Eu disse que ela ia ficar bem.

- Eu sinto muito. - Ele dá um beijo na minha testa. - Vão informar a família dela ok, não precisa trabalhar hoje.

- Alex, eu... eu tô inteira, eu sei, mas eu me sinto em pedaços, isso é horrível.

- Eu sei. - Ele diz e coloca um mecha do meu cabelo atrás da orelha.

E de olhos fechados o que é que você vê? você é de verdade, ou é só o que mandaram ser? Ou é algo que nunca imaginou ser?

Primeiro devemos conhecer cada um de nossos demônios, depois criar a coragem para enfrenta-los, para por fim, domina-los. Se temermos nossos próprios pensamentos como podemos ter algum controle sobre nossas vidas?

A gente cresce sabendo que tudo chega ao fim, então por que choramos quando o final se torna um fato?

A Interna - JolexHistórias para pegar e não largar. Descubra agora