parte 2 Capítulo 7

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Luna: 

As homenagens foram muito emocionantes. A de Jimmy foi a que mais me tocou; ele dançou com a alma, com o coração. Eu não consegui dançar para minha vó. Doía muito estar ali, a garganta fechada, o peito apertado. Quando todos estavam distraídos, saí dali. Eu precisava de ar, não conseguia respirar direito.

— Luna?! — Virei-me, tentando enxergar direito através dos meus olhos marejados.

— Augusto?! — O abracei, num impulso. Com um suspiro, ele retribuiu, e aquele abraço me trouxe um conforto inesperado.

— Quer sair daqui? — ele perguntou, com a voz suave.

— Não posso ir muito longe. — respondi, ainda me recompondo.

— Vamos caminhar um pouco. — Ele passou o braço pelos meus ombros, e nos dirigimos a uma praça que havia a uns dois quarteirões dali. Passei meu braço por sua cintura, sentindo a estranha intimidade daquele momento.

Ele nunca havia demonstrado nada por mim. Na verdade, Augusto nem era muito chegado em nós, apesar de seu pai e a mãe dele estarem ali na homenagem.

— Não vi o Ethan... Ele... está bem? — perguntei, lembrando do irmão dele.

— Hurum... Quer um sorvete? — Ele mudou de assunto, parecendo um pouco desconfortável.

— Eu... Não consigo comer desde ontem... — Bocejei, a exaustão me atingindo.

— Vamos dividir um sorvete, precisa de açúcar nesse corpo... — ele sorriu fraco. — Pelo menos é o que a minha vó diria.

— Você tem sorte, a minha vó diria que o açúcar nos deixaria lentos. — Eu ri, um riso fraco. — Mas ela nos daria um pedaço enorme de brownie queimado, ela era péssima cozinheira, mas ela dizia que queria ser uma vó completa.

— Ela devia ser o máximo. — Augusto comentou, escutando atentamente.

— Era sim... — Ele comprou um sorvete e me ofereceu primeiro. O sabor doce me caiu bem. — Já perdeu alguém? — perguntei, sentindo que podia compartilhar.

— Já, meu avô. Ele era incrível. Eu e o... O meu irmão passávamos os finais de semana com ele... — Ele hesitou ao falar do irmão.

— Seu irmão é um enigma para mim. — comentei, sincera.

— Ah, é? E por quê?

— Ele é amigo do Jimmy há anos e ele mal consegue falar comigo, fica fugindo e mal me olha. — Expliquei.

— Talvez ele goste de você e não tem coragem de falar contigo. — disse ele, sentando em um banco e batendo no assento como um convite.

— Ele te falou isso? — perguntei surpresa, meu coração dando um pulo.

— Não... mas às vezes... ele tem "problema" com os sentimentos dele... — ele parecia tropeçar nas próprias palavras. — Eu... Ham... Não sei explicar...

— Tudo bem, não precisa, eu entendo ele. — Afirmei.

— Entende?

— É... Eu também gosto de uma pessoa e também não tenho coragem de... Falar para ela. — Meu rosto esquentou.

Corei forte.

— É segredo... — falei sorrindo, desviando o olhar.

Eu acabei me esquecendo de passar o sorvete para ele e me lembrei quando estava quase no final.

— Augusto, por que não me lembrou...

— Eu só queria que você comesse algo, não se preocupe comigo.

Amor Secreto - DegustaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora