Toc Toc Toc.
— Trancou a porta, tá tudo bem?! — A voz de Taylor soou do lado de fora, carregada de preocupação.
— Tá, tô sim, já vou abrir! — Respirei fundo, tentando recompor minha voz, e abri a porta, forçando um sorriso que não alcançava meus olhos.
— Desculpa, amor, nem percebi — gaguejei, tentando desviar o assunto. — Seu celular tá ali na pia!
— O que tá acontecendo? — A pergunta dele era um raio, e senti um nó na garganta.
— Só estou me sentindo mal, resolvi tomar um banho, só isso! — A mentira mal saiu.
— Ok, vá se deitar, vou te levar uma sopa!
— Vou voltar para o seu quarto, tá bem?! — perguntei, desesperada para fugir do olhar dele.
— Claro! — A resposta dele, tão carinhosa, só fez a dor apertar.
Ai, meu Deus, me ajuda a pensar! Taylor não pode perceber nada, pelo menos... É, eu posso fugir na madrugada. Sim, essa é a última semana de aula mesmo, e quinta é a última aula do ano. Posso cancelar e ir passar um tempo com minha mãe. Meu Deus, vou acabar com Taylor, mas é melhor seu coração quebrado do que sua vida exposta. Ele me odiaria de qualquer forma, mas preciso proteger ele e Jey. Sem me dar conta, estava apertando meus olhos com as mãos quando ele entrou com uma bandeja e uma tigela de sopa fumegante.
— Quer que eu chame um médico? — Ele parecia realmente assustado.
— Não, é só ardência nos olhos mesmo! — Forcei um sorriso trêmulo.
Peguei a bandeja e, debaixo da tigela, vi algo que me fez prender a respiração: duas passagens aéreas.
— O que é isso? — Minha voz mal saiu.
— Um presente! — Os olhos dele brilhavam.
— Ma-Mas...
— Sábado estamos indo pra Europa! — A bomba explodiu.
— Taylor... — Minha voz ficou embargada. Eu queria chorar, gritar.
— Eu te perguntei e você disse que aceitava qualquer coisa, menos casamento! — Ele sorriu, vitorioso.
— Verdade! — A ironia da situação era cruel.
— Não vai perguntar o que vamos fazer lá?
— Sim, o quê? — sussurrei, a curiosidade lutando contra o desespero.
— Recebi um convite de um concurso de kizomba e nos inscrevi. Nos matriculei em workshops de dança, e mais, depois da Europa vamos rumo ao México para fazermos um curso intensivo de salsa!
— Caramba, isso... isso é um sonho, Taylor! — A frase escapou, verdadeira em sua essência, mas amarga na circunstância.
— Não é?! — ele disse, sorrindo, e o sorriso dele partia meu coração.
Meu coração doía tanto, que a respiração entrecortou. Uma lágrima traiçoeira correu, quente, denunciando a angústia.
— Amor, se eu soubesse que ia ficar tão emocionada assim, tinha te dado depois de você melhorar! — Ele me abraçou, e eu me forcei a respirar.
— Está tudo bem... Obrigado, Taylor, por tudo! — Graças a Deus ele achou que era emoção. Eu não estava aguentando mais. Respira, Maia, precisa se controlar, por favor, por favor, me dê forças.
. . .
Taylor adormeceu profundamente, e eu me levantei, o corpo pesado. Comecei a arrumar uma mochila, os movimentos mecânicos. Não achava meu passaporte. Que droga! Fui até a sala, procurando freneticamente no armário, o pânico crescendo a cada segundo.
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Amor Secreto - Degustação
Teen FictionNum palco onde a vida imita a dança, Maia é uma jovem bailarina que se equilibra entre os passos tortuosos de um passado familiar conturbado e a busca incessante por seu lugar no mundo. Enquanto lida com a redescoberta de um amor de infância, Jonas...
