Capítulo 30

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Toc Toc Toc.

— Trancou a porta, tá tudo bem?! — A voz de Taylor soou do lado de fora, carregada de preocupação.

— Tá, tô sim, já vou abrir! — Respirei fundo, tentando recompor minha voz, e abri a porta, forçando um sorriso que não alcançava meus olhos.

— Desculpa, amor, nem percebi — gaguejei, tentando desviar o assunto. — Seu celular tá ali na pia!

— O que tá acontecendo? — A pergunta dele era um raio, e senti um nó na garganta.

— Só estou me sentindo mal, resolvi tomar um banho, só isso! — A mentira mal saiu.

— Ok, vá se deitar, vou te levar uma sopa!

— Vou voltar para o seu quarto, tá bem?! — perguntei, desesperada para fugir do olhar dele.

— Claro! — A resposta dele, tão carinhosa, só fez a dor apertar.

Ai, meu Deus, me ajuda a pensar! Taylor não pode perceber nada, pelo menos... É, eu posso fugir na madrugada. Sim, essa é a última semana de aula mesmo, e quinta é a última aula do ano. Posso cancelar e ir passar um tempo com minha mãe. Meu Deus, vou acabar com Taylor, mas é melhor seu coração quebrado do que sua vida exposta. Ele me odiaria de qualquer forma, mas preciso proteger ele e Jey. Sem me dar conta, estava apertando meus olhos com as mãos quando ele entrou com uma bandeja e uma tigela de sopa fumegante.

— Quer que eu chame um médico? — Ele parecia realmente assustado.

— Não, é só ardência nos olhos mesmo! — Forcei um sorriso trêmulo.

Peguei a bandeja e, debaixo da tigela, vi algo que me fez prender a respiração: duas passagens aéreas.

— O que é isso? — Minha voz mal saiu.

— Um presente! — Os olhos dele brilhavam.

— Ma-Mas...

— Sábado estamos indo pra Europa! — A bomba explodiu.

— Taylor... — Minha voz ficou embargada. Eu queria chorar, gritar.

— Eu te perguntei e você disse que aceitava qualquer coisa, menos casamento! — Ele sorriu, vitorioso.

— Verdade! — A ironia da situação era cruel.

— Não vai perguntar o que vamos fazer lá?

— Sim, o quê? — sussurrei, a curiosidade lutando contra o desespero.

— Recebi um convite de um concurso de kizomba e nos inscrevi. Nos matriculei em workshops de dança, e mais, depois da Europa vamos rumo ao México para fazermos um curso intensivo de salsa!

— Caramba, isso... isso é um sonho, Taylor! — A frase escapou, verdadeira em sua essência, mas amarga na circunstância.

— Não é?! — ele disse, sorrindo, e o sorriso dele partia meu coração.

Meu coração doía tanto, que a respiração entrecortou. Uma lágrima traiçoeira correu, quente, denunciando a angústia.

— Amor, se eu soubesse que ia ficar tão emocionada assim, tinha te dado depois de você melhorar! — Ele me abraçou, e eu me forcei a respirar.

— Está tudo bem... Obrigado, Taylor, por tudo! — Graças a Deus ele achou que era emoção. Eu não estava aguentando mais. Respira, Maia, precisa se controlar, por favor, por favor, me dê forças.

. . .

Taylor adormeceu profundamente, e eu me levantei, o corpo pesado. Comecei a arrumar uma mochila, os movimentos mecânicos. Não achava meu passaporte. Que droga! Fui até a sala, procurando freneticamente no armário, o pânico crescendo a cada segundo.

Amor Secreto - DegustaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora