Capítulo 65

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Jimmy

-Esse carinho... - Ele começou a falar  e baixou o olhar. - Você tem um... Jeito diferente, uma preocupação comigo e não tem medo nem receio de me tocar na frente dos outros.

-Tá querendo dizer que eu sou...

-Não tô querendo dizer nada, eu só não entendo e isso tá me deixando... Eu não sei.

Me levantei ficando irritado, porra ele tá me chamando de gay, tá dizendo que...

-Não fique bravo comigo eu só tô confuso...

-Eu nem noto que estou fazendo isso.-falei voltando a olhá-lo.

Ele baixou o olhar novamente e apertou os olhos com as mãos.

-A última coisa que eu me lembro antes de apagar... - murmurou. - Foi de você preocupado comigo, lembro... Que me defendeu e lembro das suas mãos frias em meu rosto então acordei aqui, com um médico dizendo "Deu um susto e tanto no seu namorado" aí eu fiquei tão confuso com tudo que eu não sabia quem eu era naquele momento, até as ideias voltarem pro lugar e meu cérebro ligar de vez eu já tava com meu pai chorando em cima de mim.

-Caramba seu pai deslocou seu cérebro! - brinquei nervoso.

Augusto riu.

-É... Acho que eu preciso dormir pra ver se tudo volta ao normal. - Ele começou a se arrumar mais pra baixo e eu fui ajudá-lo. Desci a maca e o cobri. - Viu?-sussurrou.

-O quê? - perguntei passando a mão na testa dele pra ver se estava febril.-Você tá gelado, vou pegar uma manta. - Augusto já estava de olhos fechados.

Sai atrás de uma enfermeira.

-Oi meu bem?

-Eu queria saber se tem mais um cobertor ...

-Claro meu bem, vem comigo.-ela voltou ao quarto comigo e me mostrou um armário de parede onde ela tirou duas cobertas.-Se precisar de mais tem aqui é só pegar.

-Muito obrigado pela atenção.

-Não tem de quê.

Fui cobrir ele e ela observou o soro que já tinha pouquinho, ela tirou o acesso e liberou a mão dele, o coloquei debaixo da coberta.

-Vocês formam um lindo casal.

-Nós n...

-Ah, antes que eu esqueça, se ele precisar ir ao banheiro, não o deixe sozinho e se você perceber que ele pode estar começando com alguma convulsão você aperta esse botão ai que eu venho voando, está noite o plantão é meu.

-Ele... ele pode ter uma convulsão?

-Bom a observação na ficha dele era pra ver se isso não acontecer ele vai poder ir pra casa amanhã pela manhã.

-Céus.

-Fique tranquilo, seu namorado é forte!-disse ela saindo.

-Ele não... Céus.

Suspirei irritado por ela não me deixar explicar que era apenas meu amigo, droga eu não vou ouvir se ele tiver uma convulsão, o sofá ta longe. Bosta. Peguei uma cadeira e coloquei do lado da maca, o outro cobertor usei para me cobrir e sentei ali com os braços na lateral da maca ao lado dele, fiquei olhando seu rosto, o lábio machucado, eu me sentia tão culpado por aquilo, passei o dedo por seu queixo, mas que diabos...?

-Tens razão... -sussurrei.-Tem algo errado comigo.

. . .

Acordei com a minha mão debaixo da coberta dele, sendo abraçada por ele, eu sentia a respiração dele em meus dedos , sorri ao senti-lo quentinho e num sono tranquilo, quando puxei minha mão ele abriu os olhos. 

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