Velhos hábitos

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No dia da missão, eu acordei muito cedo e eufórica. Enquanto me arrumava, sentia várias coisas ao mesmo tempo: ansiedade, tensão, e até mesmo minha barriga começou a doer.
Tenho que manter a calma, não posso arruinar isso também. De certa forma, eles dependem de mim e não posso errar. Estou proibida de errar!
Depois de vestir meu uniforme preto, fiz uma trança no cabelo enquanto algumas mechas rebeldes moldavam meu rosto no espelho.
No hangar, o capitão Price arrumava sua arma enquanto conversava com Ghost.
Quando bati continência para os dois, o capitão me deu uma mochila, com alguns explosivos e pentes. Ela não estava pesada, apenas um pouco desconfortável.
-Gaz e Soap devem estar tomando café ainda. Malditos...
Price saiu resmungando alguns xingamentos, que preferi não ouvir.
-Os três ficarão juntos. Você ficará sob a minha responsabilidade. -a voz grossa de Ghost me fez arrepiar.
-Sim, senhor.
***
Nosso voo partiu à tarde, depois de tantas preparações. Price, Soap e Ghost estavam sentados em um lado, enquanto eu compartilhava meu lado com Gaz e os instrutores de paraquedas.
-Você não é muito nova para estar aqui? -Gaz falou alto.
-Talvez...mas espero demonstrar estar à altura, senhor.
Gaz respondeu com sorriso presunçoso.
Eu detestava estar em aviões; eles me causavam uma sensação claustrofóbica, quase como se eu pudesse morrer a qualquer momento nessa prisão ao ar livre (literalmente).
-Três minutos!...-falou um dos instrutores.
-Você vem comigo, recruta.
Ghost me ajudou a me prender em seu corpo e ajustar seu paraquedas.
Nós iríamos pular juntos?!
A porta do avião se abriu, e eu vi a noite estrelada. Em uma fração de segundo, olhei para cima, vendo o tenente sério, com seu olhar fixo no horizonte.
Ele é enorme...
-Positivo! -um dos instrutores gritou, fazendo um sinal positivo para todos nós. Colocamos os óculos, e nossos colegas foram os primeiros a pular e logo após de fazer um aceno para os homens que ali restaram, Ghost pulou.
Me encolhi sentindo o vento gelado alisar meu rosto. Apertei os olhos e mordi meu lábio, tentando aliviar a tensão de meu corpo, inutilmente.
Depois do que parecia uma eternidade, pousamos um pouco depois de nossos companheiros.
Ghost pousou de costas, e eu fiquei imóvel contra seu corpo, ouvindo sua respiração pesada acima de mim; rapidamente ele se ajeitou e me libertou de seu "domínio". Quando fiquei em pé, arrumei minha roupa e pude pensar no que havia acontecido de verdade.
Eu adoro o fato dele ser tão grande e parece ser tão protetor...tenho sorte por ele ser tenente e estar em sua equipe.
-Entenderam? -concluiu Price. Eu tinha perdido seu raciocínio. Antes de sair, eles pegaram o que precisavam em minha mochila, o que me aliviou bastante
Eu e Ghost iríamos para o lado oeste, enquanto os outros cobririam o lado leste. O segui pela escuridão da floresta, com nossos rádios de transmissão ligados.
***
Eu tentava ser o mais silenciosa possível, estando atenta a todos os movimentos e não destraindo o foco que Ghost tinha em seu dispositivo de GPS móvel em uma mão, e sua arma na outra.
Abaixei meu rádio quando ouvi sons de tiros.
-Alfa aqui. -disse Price, depois de alguns segundos.
-Gama na escuta. -respondeu Ghost, apertando o rádio.
-Acabamos de neutralizar um grupo. Fiquem atentos.
-Zeta, câmbio. -respondi, finalizando a chamada.
A ideia principal da missão era localizar uma pequena base no meio do nada, e não sei onde eu estava com a cabeça quando pensei que isso seria mais fácil.
-Porra...
Ghost grunhiu e parou no meio do caminho, olhando para o GPS, que ficou com a tela preta.
-Aconteceu alguma coisa, senhor?
Ele me explicou que houve um "apagão" e o GPS não estava ligando. Nossos rádios também estavam apenas com chiado insuportável.
Paramos em um ponto um pouco afastado e nos sentamos, enquanto ele tentava resolver a situação de alguma forma.
-Alguém cortou nossa rede de dados. Ou a torre de transmissão foi desativada, mas acho muito difícil. -ele concluiu, olhando para os lados.
-Pode ter sido os outros...? -questionei.
-A transmissão é muito grande para isso acontecer tão fácil.
-Então...estamos ferrados, senhor?
Ghost deixou uma breve risada escapar.
-Estamos fodidos, recruta.
Eu suspirei, deixando minha bolsa ao meu lado.
***
O silêncio era tão predominante que me vi entrando e saindo do sono várias vezes.
-Vá dormir. -a voz áspera de Ghost soou atrás de mim, me fazendo despertar imediatamente-. Eu tentarei contato pela madrugada.
-Desculpe, senhor. -me levantei e o olhei, coçando os olhos-. Irei ficar mais atenta.
-Ficará mais atenta se dormir. Sou seu superior, isso é uma ordem.
Isso é uma ordem...
Sua frase fez meu corpo arrepiar, e mesmo hesitante, assenti.
Fiquei próxima à uma árvore, e me deitei no chão, ouvindo Ghost resmungar com ele mesmo. Apertei os olhos e respirei fundo, não ouvindo nada mais.
***
-Recruta, vamos. Consegui contato com capitão e obtivemos sucesso na missão.
Eu me levantei rapidamente, não conseguindo captar as informações que eram jogadas para mim. Nunca consegui funcionar muito bem logo após ser despertada do sono.
Mesmo com os olhos sensíveis, pude perceber que o sol estava nascendo no horizonte, iluminando a floresta e refletindo o brilho nos óculos escuros do tenente.
Perguntar se ele havia dormido seria extremamente tosco e sem sentido, então deixei de lado.
-Gama e Zeta dirigindo-se ao ponto de encontro. -Ghost disse no rádio.
-Alfa, entendido e câmbio.
Dessa vez, olhando atentamente ao GPS, depois de algum tempo conseguimos chegar no ponto de encontro, onde um helicóptero nos esperava.
-Não conseguimos contato, capitão. -Ghost cumprimentou Price.
-Os malditos derrubaram nosso sinal. -Price respondeu.
-Mas conseguimos o que queríamos. -Soap tirou do colete alguns chips de dados-. Demorou, mas consegui reconectar nossa rede de madrugada. Ou vocês ficariam para sempre por aí...-ele deu um sorriso.
Todos se cumprimentaram entre si e esperaram que eu fizesse o mesmo.
-Mas eu não fiz nada, capitão. -disse sem graça.
-Somos uma equipe. -ele enfatizou, me deixando um pouco orgulhosa de mim mesma, e o obedecendo.
Na volta para casa, todos me perguntaram o quão desagradável era ter que ficar uma noite inteira na companhia de Ghost, mas eu apenas respondi que ele era uma pessoa gentil por ter me deixado dormir. Quando disse isso, ele desviou o olhar, engolindo a seco.

Don't Let Me Down.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora