Megan

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Nos últimos nove meses, tudo havia mudado drasticamente.
E, todas essas mudanças, enchiam minha cabeça de preocupações; mas, logicamente, a que mais me preocupava, era com relação ao meu filho.

Meus hábitos mudaram muito, e Simon me monitorava a todo minuto, apenas para ver se eu não estava ingerindo alimentos não muito saudáveis. Quase todos os dias, Simon voltava do trabalho com uma sacola de frutas que havia comprado no mercado, e, nunca, repito, nunca, deixava de trazer pêssegos, os meus favoritos.

Por mais que eu sempre me cuidei com relação a minha alimentação, redobrei a atenção quando fiquei grávida, afinal, meu bebê dependeria de mim.
Mas era claro que muitas vezes, eu simplesmente acordava de madrugada com vontade de tomar sorvete de chocolate ou comer um pacote de salgadinho inteiro, e algumas dessas vezes, Simon cedia.

Eu também não encontrava mais posições confortáveis para dormir; todo o meu corpo estava dolorido e necessitava de descanso, mas todos os lados que eu me virava, nenhum me deixava à vontade.

-Quer que eu vá dormir no sofá, na sala? -Simon disse em uma noite, percebendo que eu estava me mexendo muito e eu acabei o acordando.

-Não, amor...

Era torturante, mas Simon fazia tudo o que estava ao seu alcance e mais um pouco, para me agradar ou me deixar um pouco menos desconfortável com a situação.
Quando as dores me torturavam pouco a pouco, ele apenas me perguntava qual o chá que eu gostaria de tomar, em uma tentativa de aliviar meu tormento.

O que me deixa infeliz, nessa parte, eram algumas vezes que Simon simplesmente me perguntava se tudo aquilo era certo e me pedia desculpas por ele ter sido o "causador" de tanta dor em minha vida. Na primeira vez que ele disse isso, fiquei extremamente irritada e pedi para que nunca mais ele pensasse dessa forma novamente.
Com a cabeça fria, tentei analisar o que o fazia sentir-se desse jeito e, após algumas reflexões, cheguei a conclusão de que o medo o envolvia em um tipo de...casulo, quase que o paralisando. Eram nesses momentos que ele deixava esse tipo de pensamento fluir.

Ele acha que é errado apenas eu passar por essas dores e dificuldades...

Depois de muitas conversas com ele, esclareci algo que para mim estava muito visível, mas que para ele era muito difícil ver: era apenas o ciclo natural da vida. Quando nosso filho nascesse, as coisas ficariam ainda melhores.

E a cada dia que se passava, a apreensão aumentava; seria um menino ou uma menina? Seria mais parecido comigo ou com Simon? Todas essas perguntas idiotas ecoavam em minha cabeça, me deixando ansiosa. Esses momentos eram de certa forma, prejudiciais ao meu psicológico e eu lutava todos os dias para que minha cabeça não criasse cenários fictícios.

***

Faltavam apenas três dias para que a previsão de nascimento que o médico havia nos dado, se concretizasse. Ao longo dos últimos dias eu havia sentido mais cólicas do que o comum, me deixando ainda mais indisposta.
Eu já não conseguia e nem tentava mais esconder meu cansaço; passava horas do meu dia com meus olhos entreabertos, implorando por uma cama.

Era de manhã, próximo das nove horas quando me sentei no sofá da sala e liguei a televisão, enquanto aguardava a chegada de Simon, que fazia sua corrida matinal.

Demorou pouquíssimos minutos até que eu desligasse a televisão; não havia nada de interessante e eu não queria ver um noticiário com tragédias e mais tragédias.

Com o silêncio da sala me envolvendo, fechei lentamente meus olhos para descansar, até que senti algo líquido escorrendo pelas minhas pernas.

Ah não... não...

Don't Let Me Down.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora