Sentia meu corpo balançar suavemente, para trás e para frente. Ao abrir lentamente meus olhos, percebi que ainda estava no ombro daquele homem que me segurava.
Minha respiração estava irregular e eu ainda sentia a dor do soco que recebi de Graves.
Passamos por um longo corredor iluminado, parando frente a uma porta. Um outro soldado abriu o cômodo, e o que me segurava, simplesmente largou meu corpo no chão como se eu fosse uma boneca de pano; a porta então foi trancada.
Permaneci no chão por não sei quanto tempo, apenas olhando para o teto e para a luz forte de LED da lâmpada.
Aqui não é uma cela... está muito requintada para ser uma. Deve ser um dos quartos dos dormitórios dos Los Vaqueros... Droga, o que aconteceu com eles?! E o coronel Vargas... será que o machucaram? Tenho que encontrá-lo de alguma forma.
Minha cabeça girava e eu apertava meus olhos, na esperança de ir me recuperando pouco a pouco. Respirei fundo, preocupada.
Tenente, espero que você esteja bem com o sargento Soap. Espero que nada de ruim tenha acontecido com vocês dois... Eu faria de tudo para ver seu rosto novamente, Simon.
Reuni forças e lentamente me levantei, me apoiando em uma parede. Nesse momento, ouvi gritos pelo corredor, que rapidamente foram abafados e então, silenciados.
Porra.
Mesmo com dificuldades, comecei a explorar o quarto. Abri algumas gavetas, mas nada, apenas papéis sem nenhuma importância. Resolvi colocar a chave de fenda escondida em minha manga, em uma das gavetas, bem ao fundo.
Melhor não me pegarem com isso.
Ao olhar para a cama militar no canto, tive certeza de que era uma das coisas mais desconfortáveis que eu já tinha visto.
Estou começando a sentir saudades do Urziquistão...
Em uma das paredes, um pouco acima, estava uma grade que indicava ser um duto de ar. A grade estava bem presa por alguns parafusos.
Que conveniente... Eu posso fazer alguma coisa em relação a isso... mas acredito que seja melhor esperar no momento, porque se eu for pega, não posso contar com a misericórdia de Phillip Graves.
Me virei rapidamente quando ouvi a maçaneta mexer e a porta ser aberta.
Era o próprio comandante Graves entrando, sem portar nenhuma arma.
-Peguem ela. -ele olhou para a porta, onde dois soldados entraram e se aproximaram de mim-. Resistir será pior, docinho.
Respirei fundo enquanto um deles prendeu minhas mãos nas costas, me forçando a andar.
-Lixo. -falei enquanto passava por Graves. Ele apenas sorriu.
-Ora, pare com isso. -ele respondeu-. Vamos a um lugar onde ninguém poderá nos ouvir.
Balancei a cabeça enquanto era levada pelos corredores.
Depois de virar um corredor à direita, entramos em uma pequena sala mal iluminada; a única fonte de luz era um lâmpada pendurada por um fio. No local, haviam apenas uma mesa e duas cadeiras de metal.
Sala de interrogatório...?
O soldado que me segurava me fez sentar em uma das cadeiras, enquanto Graves se sentou do outro lado. Ele estava com sua camisa branca convencional e um colete tático preto; o uniforme dos vaidosos.
-Espero que já esteja aproveitando suas férias aqui. -ele falou, me olhando fixamente.
-Estou... Já estive em locais bem piores. -olhei para os lados.
-Demorou, mas finalmente estamos a sós, não é mesmo? -Graves levantou uma sobrancelha, me encarando-. Hm, quando te vi pela primeira vez, te achei realmente encantadora. De verdade... Mas é uma pena que você abre mais a boca do que deveria. E, mulheres são elegantes no combate, você é...
-Se vai me torturar, é melhor chamar seus soldados. Prefiro eles quebrando os meus ossos do que ter uma conversa com você. -o interrompi, irritada.
-Tenho certeza que não prefere isso. -ele riu-. Você é interessante, senhorita Taylor.
Graves tirou alguns papéis de seu colete, e leu, rapidamente.
-Ficou dois anos na Ucrânia, não é mesmo? -Graves continuou, e eu desviei o olhar-. Tão prestativa...
-Como sabe dessas coisas? -olhei para os papéis.
-Oh, sim. Shepherd me deu a carta branca que eu precisava, e investigar seu passado foi interessante.
Shepherd...
Sem ter tempo de responder, ele jogou uma foto na mesa; uma foto que fez todo o meu corpo arrepiar.
-Conhece ele? -Graves perguntou, apontando para a foto.
O rosto era inesquecível: Mikhail Kuzmin. Ele tinha uma cicatriz que cruzava seus lábios, o deixando assustador... Desde que o matei na Ucrânia, tentei apagar qualquer registro de existência dele em minha mente.
-Sim, você o conhece. -Graves sorriu, interrompendo meus pensamentos.
-Mikhail Kuzmin...-murmurei, sem tirar os olhos da foto, me encolhendo.
-Você o matou, mas como conseguiu? Tento imaginar todas as formas possíveis de você ter pego um super espião russo, mas nenhuma entra na minha cabeça. -ele estreitou os olhos-. Tive acesso aos laudos, foi um belo tiro...
Graves jogou mais um vez outra foto, dessa vez mostrando o rosto de Mikhail, com um tiro que eu havia dado em seu rosto. Seus olhos, mesmo sem vida, pareciam me encarar através da fotografia...
Flashes deste dia vieram à minha mente, me fazendo ter dor de cabeça.
-O nome dele era Ivan Olenin. -balancei a cabeça-. As forças paramilitares da Ucrânia queriam a cabeça de Mikhail Kuzmin, mas seu disfarce deu certo... até minha curiosidade me forçar a investigar sobre aquele homem tão misterioso...
-Então é isso. Essa é a única coisa que eu invejo: foi você quem puxou o gatilho contra esse filho da puta. Sádico como o pai, Vikhor... Eu li os relatórios de Russell Adler sobre o genitor de Mikhail, os dois não possuíam diferenças, eram apenas homens que gostavam de matar. Vikhor foi expurgado desse mundo, e seu filho... -Graves sorriu, apontando para mim-. E desde então os russos querem a sua cabeça.
-Os russos estão bem perdidos se o maior problema deles for uma garota. -franzi as sobrancelhas.
-Não, não. Mas eles podem ser bem vingativos, e olhe só: a assassina de Mikhail Kuzmin está na minha frente...
-Eu o matei para me defender! -gritei.
-E eu acredito. -Graves falou suavemente-. Mas isso não te torna menos assassina, docinho. -ele suspirou, balançando a cabeça-. Cheguei a um impasse: fico com você aqui ou te entrego aos russos? -Graves colocou a mão no queixo, pensativo.
-Eu sempre soube que você não era confiável. -balancei a cabeça-. Desde quando te conheci...
-É melhor ter cuidado com o que fala. Vai ser uma pena o tenente Ghost nunca mais ver esse rostinho...
Filho da...
Graves então se levantou, pedindo para que um de seus homens me levasse novamente para o meu "quarto".
-Onde está o coronel Vargas? -perguntei antes de sair.
-Oh, altruísta. Não se preocupe, estamos cuidando muito bem dele... como ele merece. -Graves sorriu.
-...se você me machucar, Simon irá te caçar e te matar. -olhei para Graves-. Mas se você me matar, comandante, Ghost fará você sofrer lentamente antes de morrer. Não se esqueça disso...
Phillip Graves sentiu o peso de ameaça em minhas palavras, mas não me respondeu.
Quando cheguei ao quarto, me deitei na cama mais desconfortável do mundo, pensando em tudo. Coronel Vargas, Price...
Simon... você deve estar tão preocupado agora, e eu me sinto mal por estar causando isso em você. Preciso tanto te abraçar, sentir seu corpo enorme e confortável contra o meu... Queria ouvir sua voz agora me guiando para sair desse pesadelo sem tamanho.
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Don't Let Me Down.
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