Obrigações

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Os dias se passaram-se arrastados em St. Asaph.
Não ter Megan na base mostrava como as coisas eram realmente diferentes com ela: ela conseguia deixar o clima mais leve, e o tenente parecia mais relaxado, era óbvio.
Ela era como um furacão que podia deixar as coisas mais agitadas e todos adoravam isso.

Sem ela, era como uma corda esticada, tensionada, prestes a estourar. Todo mundo parecia muito mais desconfortável e as tarefas eram feitas, sem as piadas ou brincadeiras de antes. 

E, enquanto o tempo passava, me perguntava o que eu deveria conversar com o capitão. Era óbvio que eu deveria, afinal, era como se uma parede grossa de concreto invisível existisse entre nós dois.
Eu não poderia pedir a ajuda dos meus colegas com isso, e Megan não estaria aqui para me ajudar com conselhos femininos.

Vou ter que fazer isso sozinha.

Decidida, respirei fundo e saí do meu quarto, passando pelos corredores e na academia, ali treinava o tenente Ghost novamente, levantando os pesos como se quisesse expurgar algo dentro de si.
Ele estava tenso novamente, e foi aí que eu notei algo: parecia que ele havia dobrado de tamanho. O tenente Ghost sempre teve o porte musculoso, mas agora estava ainda mais, e isso o deixava uma figura ainda mais assustadora.

Ainda bem que estamos do mesmo lado.

-Vai ficar me observando, Reed?

A voz dele invadiu meus pensamentos como um tiro, e eu não sabia há quanto tempo eu já estava ali, olhando para ele enquanto treinava.

Minhas bochechas ficaram vermelhas.

-Desculpa, tenente...-desviei o olhar-. Eu só estava de passagem.

-Interessada nos meus treinos? Já é a segunda vez, Reed.

Eu tinha um milhão de coisas para falar, mas preferi o silêncio para não me arrepender depois.

-Prometo não fazer novamente. -respondi, depois de alguns longos segundos.

Ele deu um pequeno sorriso com o canto dos lábios, como se não fizesse isso há algum tempo.

-Vá, Reed.

Assenti com a cabeça e apertei o passo, tentando sair daquela situação o mais rápido possível.

Cheguei então na porta da sala do capitão Price, e depois de um longo suspiro, bati três vezes.

-Entra. -uma voz abafada respondeu do lado de dentro.

Eu entrei e fechei a porta, deixando a vergonha para trás.
Price estava concentrado em alguns papéis, e quando me viu, seu olhar ficou perdido por alguns segundos.

-Sente-se. -ele falou, um pouco sem jeito.

Me sentei, exatamente na mesma cadeira onde havia estado um tempo atrás, quando tive aquela maldita conversa com ele...

-Precisa de alguma coisa? -ele falou, voltando a atenção para os papéis.

Respirei fundo.

-Precisamos conversar, capitão.

Minha frase o fez parar, voltando o olhar para mim novamente, como se já soubesse do assunto.

-Estou te ouvindo.

-Por que você terminou tudo comigo? Por que... tem me evitado?

Ele não desviou o olhar, apenas respirou fundo, como se já esperasse por essa pergunta por algum tempo.

-Não quero um sermão. -continuei, forte-. Apenas quero entender.

-Eu sabia que esse momento ia chegar. -ele me olhou, com os olhos azuis intensos-. Leo, vi a maneira como você se entregou para mim sem pensar nas consequências e isso... me afetou.

Don't Let Me Down.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora