Alternativas

855 62 5
                                        

-Las Almas. México, meus amigos.
Foi com a voz do coronel Vargas que pousamos no local.
Las Almas ficava na região da fronteira entre o México e o estado do Texas no Estados Unidos. É um local bonito que me lembrava muito o Urziquistão, mas com menos areia.
O coronel Vargas nos levou em uma de suas duas bases, esta sendo no sul de Las Almas. Enquanto nossos carros passavam, eu observava cada detalhe; pessoas indo e voltando e crianças brincando. As cores fortes estavam muito presentes nas casas, deixando o clima geral um pouco mais "animado".
Não tenho como julgá-los, essa era a opção que tinham para aliviar a tensão dos problemas. Até mesmo foram criadas forças paramilitares no México, devido a revolta de todos: política e socialmente estavam esgotados.
***
Já na base sul dos Los Vaqueros, pressenti que teria problemas. Nossa equipe mal havia chegado e então Phillip Graves e a Shadow Company logo vieram atrás de nós.
Estávamos em um grande galpão com alguns carros, e já era final de tarde.
Se algo acontecer, posso atropelar Graves... não seria uma má ideia.
Ele e sua equipe foram até nós, e Graves me lançou um sorriso quando nossos olhares se encontraram.
-Achei que já não estivesse mais entre nós, recruta. -ele levantou uma sobrancelha.
Ghost havia se posicionado atrás de mim, e eu tinha certeza que se algo acontecesse ou que se Graves passasse dos limites, ele iria pular no pescoço do comandante.
-O bom filho a casa torna, comandante.
Senti minha voz falhar na última palavra. Eu detestava esse homem, e mesmo assim me obrigava a tratá-lo cordialmente.
-Capitão Price. -eles se cumprimentaram-. Coronel Vargas, como vai? Não muito bem eu suponho, a situação no seu país está deplorável.
As palavras de Graves eram pura provocação ao coronel, que apenas soltou um sorriso arrogante.
-Continue recebendo suas ordens do general Shepherd, cabrón. -respondeu Alejandro-. Deve ser frustrante...
-Frustrante é ter o país quase que completamente dominado pelo narcotráfico. -Graves deu de ombros.
Alejandro franziu as sobrancelhas, sem acreditar no que havia ouvido.
Caramba. Acho que o coronel Vargas é o próximo membro do meu clube "Aqui todos odiamos Phillip Graves".
-Cavalheiros, por favor. -Price chamou a atenção dos dois-. Temos trabalho a ser feito.
Graves e Alejandro se olharam uma última vez antes de ambos voltarem seus olhos para o capitão.
-Conexão entre o cartel Las Almas e a Al-Qatala. -Soap jogou uma foto na mesa de madeira-. Foto de meses atrás, Mahed e o braço-direito do líder do cartel, o "sargento" Juan Osorio.
-E se nossos dados estão certos, ele se encontra aqui. -Alejandro apontou para uma localização no mapa.
-E o que estamos esperando? -Graves levantou a sobrancelha-. Iremos juntar alguns bons homens e faremos uma visita ao senhor Osorio.
-Se fosse fácil assim, acha que já não teríamos feito isso... comandante? -falei, olhando diretamente para ele.
Graves apertou seu maxilar enquanto me encarava.
-O fato é que ele mora em um bairro cheio de pessoas e há muitas vielas. -Soap nos interrompeu-. Por isso temos que planejar nossa missão com cuidado.
-Cuidado com a língua, garota. -Graves estreitou os olhos para mim, sem sequer prestar atenção no que o sargento Soap havia dito.
-Ou o quê?
Saí da parte de trás da mesa e me posicionei em sua frente, com todos nos olhando. Ghost deu alguns passos para frente, o suficiente para se impor com seu tamanho.
Eu tinha certeza que Price observava cada pequeno movimento meu com receio, mas eu sabia o que faria e, claro, estava cansada das ameaças veladas de Phillip Graves.
Depois de alguns poucos segundos, Graves apenas levantou o queixo e deu de ombros.
-Apenas saiba que não recebo ordens de você, Price. E que o tempo está acabando. -Graves batel sutilmente no relógio em seu pulso enquanto se retirava com seus homens.
Olhei para Ghost, que parecia irritado.
Ele quer matar Phillip Graves. E com certeza, se arrependeu de não ter feito isso quando os dois brigaram.
-Se você não matá-lo, eu irei fazer isso, não se preocupe. -Alejandro se aproximou e piscou para mim.
Dei um breve sorriso.
-Oi! Você é a senhorita Taylor, não é?
Enquanto os homens se dispersaram, fui surpreendida por uma voz atrás de mim, me fazendo virar. Uma moça, apenas um pouco mais alta que eu, me olhava, animada.
-Sou eu sim. -levantei uma sobrancelha-. E você...?
-Ah! -ela passou uma ferramenta da mão direita para a esquerda, estendendo então sua mão livre-. Luna! Luna Vargas, sou sobrinha do coronel Vargas.
-Oh.
A cumprimentei, e ela balançou minha mão com certa animação. Talvez tínhamos a mesma idade, mas eu não teria certeza. Apenas que ela tinha longos cabelos pretos que estavam presos em duas tranças, dando um ar brincalhão a sua personalidade.
-Seu tio é bem importante por aqui. -abri um pequeno sorriso.
-Eu sei! -ela respondeu alegre-. Sou mecânica aqui, e fico feliz por não ser mais a única mulher no local.
Meus olhos ficaram arregalados ao olhar para os lados e realmente perceber que ela estava falando a verdade.
-Vem! -ela pegou suavemente em meu pulso-. Meu tio disse que você pode ficar comigo, assim não terá que dividir o quarto com homens.
Isso não seria horrível. É verdade que eu iria preferir dividir o quarto com Simon, mas...
Ao chegar no quarto, me senti um pouco mais acolhida do que nas instalações em Urziquistão. Era bem iluminado e tinha duas camas extremamente "confortáveis" de armação de metal.
-Temos sorte em ter esse quarto. -ela sorriu-. Fica mais perto da cozinha e do refeitório, então quando você quiser comer algo, não precisa cruzar a base inteira.
-Bem... com certeza.
Luna é tão carinhosa. Não sei se ela já sofreu algum tipo de represália em relação a isso pelo tio, mas tenho certeza que ela não pode se exceder. Apenas me pergunto como ela chegou no caminho militar...
-Mas e então... -ela pegou a bolsa em minhas mãos e colocou em cima da minha nova cama-. Você não parece gostar muito do comandante Phillip Graves.
Olhei surpresa para ela, que parecia curiosa com a minha resposta.
-Nós temos nossos desentendimentos.
Desviei o olhar, lembrando de quando dei um soco em seu rosto.
Até hoje não acredito que fiz isso. Não tenho dúvidas de que ele me colocou em sua "lista negra" depois disso.
-Foi o que eu percebi. -ela me olhou, um pouco preocupada-. Ficou um clima bem tenso entre todos vocês... E eu soube que o tenente Ghost, da sua equipe, brigou com o comandante. I-isso é verdade? -ela gaguejou.
Pelo jeito as notícias correm bem rápido.
-É, é verdade sim.
-Mas por qual motivo? -Luna mordeu o lábio-. Tive medo do comandante se machucar...
Meu queixo caiu, sem acreditar em suas palavras.
-Você e o comandante...? -não terminei minha frase, esperando que ela compreendesse.
-N-não! -Luna balançou a cabeça-. Ele só é meu amor platônico, meu crush... -ela se sentou em sua cama, desanimada-. Ele nunca vai dar atenção para mim...
Ainda assim, tudo o que ela me dizia me deixava sem respostas. Não tem como acreditar que alguém algum dia iria se apaixonar pelo comandante Graves. Bem, tudo é possível, é verdade, mas ele é uma das piores pessoas desse mundo, e nada do que eu disser para Luna, vá adiantar de alguma coisa. Só espero que ela não perceba todas essas coisas tarde demais...
-Eu hã... preciso fazer algumas coisas ainda, então... depois conversamos, tudo bem? -abri um pequeno sorriso.
-Claro! -ela sorriu.
Saí do quarto e fui até a sala de reuniões, onde meus colegas estavam.
-Vamos sair em uma hora, recruta. -disse Price, colocando seu chapéu convencional.
-Certo. -concordei.
-Sentiu fala de correr atrás de bandidos? -Gaz provocou.
-Com certeza. Já faz parte do meu sangue...
Bati suavemente no meu braço, fazendo-o rir.
Ghost e Soap pareciam concentrados enquanto mexiam em seus notebooks e armamentos.
-O comandante Graves queria que você fosse na equipe dele. -o sargento Soap me olhou enquanto arrumava seus pentes de munição.
Estranhei, balançando a cabeça.
-E então...?
-E então eu mandei ele se foder. -respondeu Ghost, me fazendo sorrir.
Isso é bem a sua cara.
-Posso ir com você, sargento?
-Claro. -Soap respondeu sorridente.
-Eu vou com Price e Gaz. -disse Ghost, indo até mim.
Coloquei uma de minhas mãos em seu braço e o acariciei gentilmente.
-Prometo não me suicidar dessa vez.
-Obrigado. É uma coisa a menos para me preocupar.
Balancei a cabeça enquanto ele tocou meu cabelo, com um longo suspiro.
Eu te amo muito, Simon Riley.
***
Depois de uma hora, saímos em direção à casa de Juan Osorio. Já era madrugada e tínhamos o plano de pegá-lo dormindo: enquanto nossa equipe entrava na residência do sargento narcotraficante, Graves e a Shadow Company iriam lidar com possíveis informantes, que poderiam avisariam Osorio da nossa presença.
-Hora da ação, recruta. -Soap sussurrou enquanto estávamos nos aproximando pelo flanco direito da casa.
Ficamos em uma parte alta, perto de um pequeno campo de futebol, observando o movimento.
-Tudo certo por aqui. -falou Ghost no rádio.
O bairro estava tranquilo e até mesmo deserto. Não havia sequer qualquer movimento; apenas alguns cachorros latiam em nossa presença.
-Bravo 0-7, estamos entrando no setor sul. -informou Price.
-Estamos esperando, senhor. -respondeu Ghost.
-Caramba. O que leva um homem com tanto dinheiro morar em um local desses? -perguntei a Soap, que estava abaixado com seu binóculo, focado.
-Morar em um bairro bem localizado te torna um alvo "fácil". -respondeu ele, me olhando-. Ou ele gosta daqui, não temos certeza.
Faz sentido.
-Bravo 7-1, conseguimos entrar, mas há alguns seguranças pelo local. -Ghost noticiou pelo rádio-. Usem seus silenciadores e tomem cuidado.
Nesse momento, vi Graves e alguns de seus homens correndo pela parte baixa do bairro.
-Vamos. -murmurou Soap.
Deslizamos pelo gramado abaixo, pousando cuidadosamente com nossas armas. Rapidamente colocamos nossos silenciadores.
Tenho receio que a coisa possa ficar bem feia.
Pulamos o muro da casa, dando para uma área com piscina, onde alguns corpos de seguranças estavam ali, deitados, sem vida; o sangue se espalhava pelo chão...
Entramos com muito cuidado pela porta dos fundos, vasculhando cada pequeno canto para que não houvesse surpresas desagradáveis.
-Limpo. -Soap sussurrou no rádio para mim, que o seguia "atrasada".
Paramos quando ouvimos um tiro no segundo andar, nos deixando surpresos.
Subimos os degraus, indo até um quarto no fim do primeiro corredor.
A porta estava estourada violentamente, e Graves, Ghost e Gaz estavam ali dentro. Um homem segurava uma pistola enquanto fazia uma moça de refém. Ela gritava de desespero.
A moça estava de lingerie... O que poderia indicar alguma coisa.
-Mais um passo e eu estouro a cabeça dela! -o homem mirou a pistola na cabeça dela, e nos olhava transtornado.
-Não precisa disso, cara... -Gaz tentava agir de maneira pacífica.
-Solte-a. -ordenou Graves-. Só precisamos de uma localização do seu chefe, Juan.
Então é ele...
-Do meu chefe?... -Juan sorriu irônico.
Eu olhei para o tenente, sem saber o que fazer ou o que seria feito.
-Hector Castillo está por aqui ou não? -Ghost falou, impaciente.
-Por favor... -a moça começou a chorar, enquanto olhava diretamente para mim.
-Cala a boca! -gritou Juan em resposta.
Graves respirou fundo e levantou uma sobrancelha.
-Última chance. Onde está o Hector? -o comandante perguntou.
Mais uma vez, Juan apenas riu, balançando a cabeça. Mas isso foi o suficiente para despertar de vez a ira do comandante; Graves rapidamente tirou sua pistola do coldre e deu um tiro certeiro entre os olhos de Juan. Foi assustador ver o sangue espirrando no corpo da jovem moça. Soap foi ajudá-la, tentando de alguma forma, acalmá-la.
-Porra! -trovejou Ghost para o comandante-. Que merda você fez?!
-Eu estava cansado. Isso não ia nos levar a lugar nenhum. -ele respondeu, dando de ombros.
-Não fode. -balancei a cabeça.
-Era a nossa melhor pista. -murmurou Price pelo rádio. Sua voz era uma mistura de raiva e frustração.
A moça se levantou e foi até o corpo de Juan, lhe dando um chute no estômago. Rapidamente, ela começou a vasculhar o cadáver, e quando achou uma carteira, a pegou; seus olhos brilhavam de raiva.
Quando ela foi passar pela porta, a questionei.
-Você não quer ajuda? Podemos te levar até sua casa...
Ela apenas balançou a cabeça, e saiu como se nada tivesse acontecido.
-Que dia estranho... -murmurei, olhando para Ghost.
-Não estamos totalmente perdidos. -falou o coronel Vargas pelo rádio-. Vamos para a minha base norte, lá nós poderemos nos reagrupar e conseguir montar um novo plano, alguns dos meus homens já estão no local. E com "nós" me refiro a minha equipe e os 141.
-Não pode me impedir, coronel. -resmungou Graves.
-Reclame para o Shepherd, não para mim. -respondeu Alejandro, desligando o canal do rádio.
-E lá vamos nós de novo... -disse Soap.
Hector Castillo era o grande chefe do cartel Las Almas, e mesmo assim, com seu nome e com sua quase localização, não conseguia relaxar... algo estava errado, eu estava pressentindo. Ghost se aproximou e apertou gentilmente meu ombro, um gesto que significava muito para nós dois.
Olhei uma última vez para o comandante Phillip Graves antes de me retirar com minha equipe, refletindo sobre todos os acontecimentos do dia, e como iríamos agir a partir de algumas pequenas pistas coletadas.
Quando acho que estamos fazendo progresso, algo sempre arruína nossas chances e temos que começar (quase) do zero...

Don't Let Me Down.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora