O jogo daquele dia tinha sido cancelado porque o time adversário teve uma intoxicação alimentar pouco antes de saírem da escola. Os garotos só foram avisados e liberados quase na hora da partida acontecer, então ao voltarem para suas casas, suas mães não estavam, pois não esperavam que eles fossem chegar tão cedo.
Elas usavam os dias de treino e de jogos para resolverem coisas das lojas de suas respectivas famílias e mesmo não sendo funcionárias registradas, elas ajudavam sempre que podiam.
Pran viu Pat conversando com View, por isso ele apertou o passo e foi direto para o sua casa, entrou, subiu para o seu quarto e trancou a porta.
Vendo Pat e View juntos, Pran não parava de pensar no quanto era confuso estar com Ink. Os dois conversavam, brincavam um com o outro e estudavam juntos. Contudo, quando aqueles momentos de silêncio surgiam, os dois disfarçavam e nenhum deles fazia o próximo movimento. Pran acreditava que ela ainda não estava pronta para o beijo e talvez ele também não estivesse.
O problema é que essas situações estavam ficando cada vez mais constrangedoras: os dois sozinhos juntos, sabendo o que deveriam fazer, mas não sentiam o desejo de fazer. Sim, esse era o ponto principal.
Ele não queria se comparar com o vizinho, no entanto, Pat já estava dando um passo além e ele nem tinha conseguido beijar uma garota. Isso não deveria ser uma competição. O que ele não entendia é por que de repente era tão importante ganhar dele?
Pran começou a dedilhar a música deles.
"Nossa música." Pran disse em voz alta "nós somos amigos, só amigos, não existe nossa música."
Ele colocou o violão de lado. Havia uma agitação em seu peito, uma angústia o sufocava e por isso andou até a janela e parou sem conseguir abrí-la.
De frente para ele era possível ver o quarto de Pat e ele beijava a namorada, seus braços a envolviam e ela esfregava seu corpo no dele.
Pran se sentou no chão e se apoiou na parede abaixo da janela. Ele não era doente a ponto de sondar o que o vizinho estava fazendo, mesmo porque, ele sabia o que os dois iriam fazer.
Pran pensou em Ink, ele não tinha esse desejo por ela, mas ele queria ter, deveria ter, era o certo a se fazer.
Ele ficou sentado no chão por um tempo. Por muito tempo, na verdade. Ele ouvia seu coração bater alto demais e dentro da sua mente existiam milhares de pensamentos se chocando uns com os outros e nada fazia sentido. Sua perna formigava, mas ele não queria se levantar, pois poderia ver algo contra sua vontade. Ele balançou a perna. Isso doía. Doía muito! A dor era tão grande que as lágrimas começaram a descer e a marcar sua bochecha, ele massageava onde sua pele formigava e a dor dentro dele não diminuía.
Seu coração parecia pequeno e talvez fosse por isso que ele não tinha forças para bombear seu sangue, que não circulava direito. Ele colocou a mão no peito e apertou como se fosse possível fazer parar de doer. Não funcionou e a dor só aumentava, nada nele funcionava direito, nada nele era normal. As lágrimas e os soluços fizeram seu corpo tremer e ele se deitou no chão.
Suas lágrimas tinham molhado a área embaixo do seu rosto e ele ainda tentava acalmar sua respiração quando ouviu seu celular tocar. Era uma mensagem da sua mãe perguntando se ele queria algo do mercado e avisando que ela e a mãe de Pat chegariam logo.
Ele respondeu que não queria nada e se sentou. Ele olhava o celular em dúvida sobre o que fazer até que decidiu mandar uma mensagem para Pat avisando que sua mãe estava chegando.
Pat não visualizou e isso era tão óbvio. Pran se sentia fraco. Ele limpou o nariz no braço e enxugou os olhos e ligou para o vizinho. O telefone dele tocou algumas vezes, Pran ouviu o som do aparelho vindo do outro lado do muro. Quando Pat atendeu, Pran desligou sem dizer nada, se deitou e chorou de novo.
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Tic Tac Toe Bad Buddy Multiverso
FanficE se Pat e Pran fossem criados juntos? E se não houvesse brigas entre as famílias? Essa história começou com um pensamento aleatório e foi tomando forma e crescendo dia a dia e eu não consegui ignorar. Tic Tac Toe, ou Jogo da Velha, é uma brincadei...
