Parte 56

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Entre o intervalo das aulas, os garotos da banda decidiram que não fariam o ensaio daquela tarde; Pran estava aéreo e Pat parecia ansioso e não tirava os olhos do namorado. Pran contou para Korn e Safe que tinha conversado com os pais sobre sua sexualidade (ele preferiu omitir a outra história) e a recepção deles não tinha sido como o esperado. Os amigos entenderam e não insistiram no assunto porque Pran não parecia querer conversar. Eles tentaram repassar a matéria da prova que fariam na última aula, mas todos estavam meio dispersos.

Mais tarde, Pran tinha apoiado o cotovelo na mesa e segurava a cabeça, enquanto olhava para a folha de papel na sua frente. A prova não parecia difícil, mas ele não tinha a menor vontade de começar, tudo na sua vida parecia inútil e sem sentido. Já tinham se passado dez minutos e ele não queria nem escrever seu nome na folha quando Pat o cutucou com o lápis e Pran pensou que se tirasse uma nota baixa, seus pais entrariam em desespero, provavelmente acreditando que agora ele seria um delinquente ou algo do tipo. Pran poderia estar exagerando quanto aos pensamentos dos pais, em todo caso, ele não queria descobrir o que aconteceria.

O professor esperou um pouco mais para que Pran entregasse a prova, mesmo que todos os outros alunos já tivessem saído; essa era uma das vantagens de sempre ser um bom aluno: as pessoas que acreditavam nele sempre eram mais condescendentes.

Pat o esperava do lado de fora da sala e parecia preocupado, apesar do sorriso.

“A prova estava difícil, né?”

Pat falou, estendendo a mão para o namorado. Pran olhou para mão dele e depois para seu rosto e muito pensamentos aleatórios passaram por sua mente: Pat queria andar de mãos dadas com ele na escola? A prova de matemática nunca seria difícil para Pat, então, por que ele estava fingindo? Por que ele estava agindo como se nada tivesse acontecido na noite anterior?

Pran suspirou e entrelaçou seus dedos aos dele e os dois caminharam pelo corredor.

“Eu não quero ir para casa!” Pran falou em voz baixa.

“Quer ir ao cinema?”
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Eles optaram por um desenho e Pran se divertia com as bobagens da história. Suas gargalhadas escandalosas deixavam tudo mais leve de uma forma que Pran não sabia como explicar.

Pat segurava a mão de Pran e a beijava, sem tirar os olhos da tela, em algumas cenas mais exageradas, Pat usava a mão do namorado para cobrir o rosto por causa da vergonha. Na saída, ele falava de cada parte que tinha gostado, gesticulava e ria alto e, apesar da aparente empolgação, Pran sabia que muito do que ele fazia era somente para animá-lo.

Não era possível cogitar que seu amor Pat fosse só uma fase, uma vontade de imitar um colega para se enturmar. Nem mesmo da parte do seu namorado parecia isso. Eles eram jovens, sim! Isso era um fato, mas eles se amavam e era tão evidente para eles. Pran esperava que também fosse óbvio no dia em que eles resolvessem falar abertamente com seus pais.

“Pran?” Pat o chamava e seu sorriso parecia morrer em seu rosto “Você me ouviu?”

“Desculpa, eu me distraí.” Pran falou sem jeito “O que você disse?"

“Não importa, era bobagem.”

Eles já tinham saído do cinema e andavam na calçada e Pran nem tinha se dado conta de quanto tempo ficou perdido nos próprios pensamentos.

“Importa, sim!”

“Eu estava falando sobre o filme, mas…” Pat parou de andar e encarou o namorado “você quer me contar que aconteceu?”

“Não…”

“Você está bravo comigo por ontem?” Pat estava apreensivo.

“Um pouco, mas não é isso…” Pran apertava os dedos do namorado entre os seus.

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