Parte 26

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A mãe de Pran estava na sala quando ele entrou e o repreendeu por dizer palavras rudes ao vizinho,  ainda mais tão alto e àquela hora da noite. Ele se desculpou e subiu correndo para o quarto.

A bronca que tinha acabado de ouvir nem o incomodou. Pat era seu namorado e era impossível parar de sorrir.

Ele era seu namorado.

Ele era seu namorado e queria vir ao seu quarto hoje.

Pran sentiu seus batimentos cardíacos aumentarem e seu rosto esquentar. Não era nada de mais, quantas vezes ele já ficaram juntos sozinhos? Milhares de vezes! Não tinha nenhum problema. Nenhum. Então por que suas mãos suavam tanto? Eles se sentia sufocado e foi em direção a janela, mas parou antes de tocá-la.

Ele queria muito beijar seu namorado, ao mesmo tempo tinha medo de ficar a sós com ele. Pat nunca faria nada de ruim com ele.  Pat não era Chang. Pat era uma pessoa boa.

Pran ofegava e tirou a camiseta molhada pelo suor frio da sua tensão e nervosismo. Ele torcia o tecido entre os dedos e dizia a si mesmo que não era medo.

Não era medo.

De modo algum.

Mais calmo, Pran decidiu que não abriria a janela porque Pat o tinha provocado e ele não podia deixar por menos.
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Na manhã seguinte Pat estava atrasado para a escola e ao entrar no carro sua cara de sono era horrível.

"Não dormiu direito, Pat?" Pran sorriu debochado.

"Pelo contrário, dormi demais. Entrei no quarto e cai na cama. Queria ter continuado dormindo." Pat repondeu tranquilo e bocejando.

Pran pensou que ele tivesse ficado acordado esperando o sinal para ir para o seu quarto e por isso estava com sono. Pelo visto, ele nem tinha se importado e Pran ficou sem graça.

Encostado na janela do carro Pat repassava a noite anterior, ele tinha ficado vigiando a janela do vizinho até de madrugada, esperando que ele a abrisse. Quando percebeu que tinha sido enganado, ele ficou furioso e disse a si mesmo que se vingaria.

Se Pran achava que podia fazê-lo de bobo, ele estava muito enganado. Pat sabia ser tão ardiloso quanto o vizinho.

Eles saíram do carro e Pat agiu como se nada tivesse acontecido. Mandou um coraçãozinho escondido para Pran e foi conversar com alguns dos seus amigos.

Pran falava com o outro grupo de colegas e viu Pat rindo e brincando do outro lado da sala. Ele apertou Korn pelo pescoço e o rodou entre as mesas. Todos riram e Korn tentou chutá-lo, mas errou a mira.

Pran viu Pat se desculpar e o outro dizer que estava tudo bem, apesar de massagear a garganta. Pat o puxou e deu um beijo estalado na bochecha de Korn, arrancando mais risadas do seu grupo.

Se Pran tivesse um pouco mais de sangue frio nesse momento, perceberia que era tudo uma provocação do seu namorado, mas ele não teve e ficou emburrado o resto do dia e Pat sorria cada vez que o via de cara fechada.

Wai o chamou para almoçar e Pran concordou, desde que fossem para um lugar mais calmo [longe de Pat], pois sua cabeça doía.

"Eu sei, hoje os amigos do Pat estavam mais agitados do que o normal."

Por mais que eles fizessem parte de um grande grupo de amigos, cada um deles tinha mais proximidade com determinadas pessoas.

"Pat é um imbecil!" Pran falou alto sem querer.

"Sem noção! Qual o sentido de beijar Korn?"

Pran franziu a testa e encarou o amigo.

"O que foi?" Wai ficou vermelho com a intensidade do olhar de Pran.

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