Parte 21

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Pat faltou a aula no dia depois da viagem e assim que Pran entrou na escola viu Chang com o olhou roxo e um corte no supercílio. Ele encarou Chang, que se virou e o ignorou, parecendo amendrotado e nessa hora a visão da mão de Pat machucada reapareceu imediatamente.

"Parece que aquele otário do caralho finalmente tomou a surra que merecia." Wai parou ao seu lado e comentou.

"Você sabe o que aconteceu?"

"Não, ninguém sabe. Ele disse que foi assaltado."

Pran ficou pensando nisso o dia todo.

Assim que terminaram as aulas, ele correu para a casa vizinha e entrou pela porta da frente como pessoas normais e civilizadas fazem.

Ele cumprimentou a mãe de Pat, que contou sobre a melhora dele, e Pran tentou disfarçar sua inquietação concordando quando parecia que era o momento certo, sem prestar muita atenção ao que ela falava. Após essa conversa, ele perguntou se podia ver Pat, porque precisava entregar as lições do dia. A tia sorriu e o beijou na bochecha. A vontade de Pran era subir as escadas correndo, mas se conteve.

Ele bateu na porta e como ninguém respondeu, abriu um pouco e chamou por Pat enquanto caminhava pé ante pé para dentro. Era a primeira vez que ele voltava ali depois de tudo o que descobriu sobre si, depois de Chang, depois da noite do morcego. Todas as coisas estavam nos mesmos lugares, era tudo familiar, entretanto, por que parecia tão diferente?

Nong Nao dormia sobre o travesseiro dele, Pran se sentou na cama e segurou aquela pelúcia velha e estranha, era impossível não sorrir porque era a coisa que mais o fazia lembrar de Pat, era nojento e fofo. Esse pensamento o fez soltar o ar numa risada contida.

"O que você está fazendo aqui?" Não havia raiva na voz de Pat e isso não passou despercebido a Pran, havia um espanto e apreensão "Eu já disse que você não pode ficar mexendo nas minhas coisas!" Pat avançou na direção dele e pegou Nong Nao e o abraçou como se tivesse sido machucado.

"Eu não fiz nada de errado! Ele está inteiro!" Pran respondeu magoado e o rosto de Pat se contorceu numa careta de dor.

"Eu sei. Desculpa!"

Pran arregalou os olhos, eram raras as vezes que Pat pedia desculpas parecendo realmente sentir algo além de obrigação em dizer essas palavras.

"Sua mãe disse que você está melhor." Não era sobre isso que ele queria falar, mas não sabia como tratar o assunto que o levou até lá.

"Acho que além do barco, eu comi algo estragado."

"Você estava péssimo."

"O que você quer aqui?" Pat pareceu ofendido com o comentário e fechou a cara para ele.

"Pat, você....é... Chang está machucado."

"E?" Ele respondeu na defensiva, porém de peito estufado.

"Foi você?"

"Não!"

"Você mente muito mal."

"Eu estava com você o final de semana todo, como eu poderia ter feito alguma coisa?" Seu sorriso se abriu em desafio.

"PAT, eu vi sua mão!"

"Oh!"

Pat fez a cara mais ingênua que um ser humano poderia reproduzir, quase se assemelhando a um cachorrinho perdido e Pran se deu conta de seria muito complicado ficar bravo com ele.

"Por que você bateu nele?"

"Ele é um babaca!"

Pran não sabia como continuar essa conversa, pois concordava em partes com ele, só que não gostava de pensar que Pat poderia se colocar em uma situação complicada por causa dele e da sua própria estupidez.

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