A partida mal havia começado e Pat tomou uma entrada dura de um dos zagueiros do time adversário. Ele caiu e rolou pelo gramado. Pran tentava enxergar o que acontecia e se afastou do gol o máximo que conseguiu antes de ser repreendido pelo técnico.
Era difícil arranhar a própria pele usando as luvas, mas Pran esfregava o tecido sobre o antebraço e só se tranquilizou ao ver o namorado em pé e andando para o meio campo. O calor não dava trégua há alguns dias e as mãos de Pran suavam dentro das luvas. Ele pensava que preferia segurar as mãos quentes de Pat agora a usar aquilo.
Pat estava mancando ou era impressão sua?
O apito do fim do primeiro tempo soou e Pran correu até Pat para saber como ele estava. Sua panturrilha estava vermelha e com a marca dos cravos da chuteira, automaticamente, Pran vasculhou o banco adversário procurando o jogador e Pat colocou a mão no seu ombro, tentando acalmá-lo.
“Faz parte do jogo, está tudo bem!” Pat sorriu e Pran bufou, afastando a mão do namorado.
“Acho que o Pran gosta de você desde o dia que ele quebrou o nariz daquele cara no ano passado.” Korn se aproximou do amigo, quando Pran saiu para beber água “Você me assusta um pouco quando está bravo, mas o Pran” Korn tremeu “ele parece um psicopata!”
Korn voltava para o banco de reservas no momento em que o zagueiro passou ao lado de Pran e foi ágil o suficiente para segurar o namorado do amigo, evitando que ele fizesse uma burrada e fosse expulso antes do jogo recomeçar.
A segunda entrada que Pat tomou foi ainda mais forte. Dessa vez ele caiu e rolava de um lado para o outro segurando a perna. Todos os jogadores do seu time correram até ele e o treinador mandou que voltassem para os seus lugares.
“Ele precisa ir para o hospital!” Pran gritou com o treinador.
“Ele vai, Parakul! Volta para o gol!” O técnico se enfureceu.
“Eu vou com ele!”
“Você vai para onde eu mandar!”
O treinador suava e seu rosto vermelho e sua voz descontrolada fizeram todos em volta darem um passo para trás. Ele tinha acabado de perder seu melhor atacante e ainda tinha que lidar com o nervosismo dessa criança, que era seu melhor goleiro.
Um professor assistente ajudou a carregar Pat para fora do campo e Korn se ofereceu para ir ao hospital com eles, acalmando um pouco Pran.
Pat chorava e mancava, apoiado no professor e em Korn e Pran observava de longe e seu sangue fervia.
“Parakul, você é goleiro e não um boxeador!” O técnico o advertiu tendo a memória vivida da última briga em que ele se meteu “Eu sei que ele é quase seu irmão, mas você pode se vingar em campo, sem luta!”
“Ele NÃO É MEU IRMÃO!” Pran gritou e se virou em fúria para o gol.
Nos últimos minutos do jogo, ao invés de chutar a bola para o campo de ataque, Pran saiu driblando os jogadores do time adversário, para desespero do treinador e chutou em direção ao gol. O goleiro do outro time espalmou e na confusão na pequena área, o zagueiro pegou a bola. O treinador gritava para Pran voltar, contudo, antes do jogador adversário conseguir fazer algum passe, Pran roubou a bola e chutou rasteiro, fazendo o único gol da partida.
Ele correu para o seu lado do campo, não sem antes mostrar o dedo do meio e a língua para o zagueiro.
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O professor resolvia as papeladas do hospital e Korn procurava pela mãe de Wai, hoje era turno dela e ele imaginava que ela poderia acalmar Pat. A perna dele tinha inchado e estava muito vermelha e não parecia nada bom. Pat chorava e Korn se desesperava, tentando acalmá-lo.
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Tic Tac Toe Bad Buddy Multiverso
FanfictionE se Pat e Pran fossem criados juntos? E se não houvesse brigas entre as famílias? Essa história começou com um pensamento aleatório e foi tomando forma e crescendo dia a dia e eu não consegui ignorar. Tic Tac Toe, ou Jogo da Velha, é uma brincadei...
