Todos perceberam que Pran e Ink estavam diferentes, eles andavam lado a lado, mas não ficavam mais de mãos dadas. A relação deles sempre foi confusa e as pessoas não sabiam o que pensar e se sentiam a vontade para fazer fofoca.
Pat não perguntava e sinceramente, nesse momento, não se importava. Ele e View estavam estranhos desde o dia que fizeram sexo. Ela era carinhosa e os dois se beijavam e, às vezes, era com intensidade e desejo, porém quando ele tentava algo a mais ela parava.
Um dia ele perguntou se tinha sido ruim. Ela se disse que não e foi enfática na resposta, ela disse que ele foi perfeito, carinhoso e delicado, ela só não tinha vontade de fazer naquela hora. Em outro dia, ela disse que estava menstruada e foram várias desculpas seguidas. Aí ele desistiu.
Ele queria acreditar que ela estava sendo sincera, no entanto a sua impressão era de que as coisas entre eles estavam esfriando. Ele gostava muito dela, sentia tesão pelo seu corpo, principalmente quando estava sozinho no seu quarto, já que ela não permitia mais nada quando estavam juntos. Ele tentava entender o que acontecia com ela e era tão difícil. Seus olhos, seu sorriso e seu comportamento não diziam nada a Pat. Era tão incômodo pensar que ele conseguia ler Pran melhor do que a entendia.
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Um professor tinha faltado e os alunos estavam todos no pátio do colégio conversando e brincando. O dia estava absurdamente quente, Pat suava e parou do lado da namorada, que bebia um chá gelado. Assim que ela tomo sua bebida, ele quis beijá-la para se refrescar. A ideia era excitante na sua cabeça, mas View o empurrou porque ele estava suado e pegajoso. Pat se irritou, tirou a camiseta e foi jogar futebol com um grupo de alunos.
Tudo ia bem no seu time porque Pran era o goleiro e ninguém conseguia passar por ele. Wai, por outro lado, ficava bravo cada vez que seu chute parava nele. Pran era seu amigo, mas algumas vezes Wai tinha inveja por ele ser tão bom em tudo e por ter sido aceito no time. Ele e Pat. Eles eram o casalzinho perfeito para o time da escola. Eles eram bons alunos, namoravam garota lindas e eram populares. Ele se lembrou do dia em que Pran o repreendendo na frente de todos os seus amigos só porque ele brincou com View. Quem ele achava que era para falar com ele daquela forma? Pran se achava tão perfeito. Seu nervosismo aumentava cada vez mais.
Pran fez uma defesa espetacular e ao devolver a bola para o jogo, Wai correu até ele e entrou com um carrinho desnecessário, que o derrubou no chão. Wai se arrependeu no momento em que seu pé tocou na canela do amigo. Ele se levantou e tentou ajudar Pran, entretanto, ele não foi ágil o suficiente e, antes que percebesse, sentiu seu corpo levitar e ser arremessado para longe.
Quem assistia a partida não sabia que sua intenção era ajudar Pran; a impressão deles era que Wai ia bater nele e, nessa hora, Pat correu até lá, puxou Wai pela cintura e o jogou longe. Os garotos comentavam que Pat parecia um animal enfurecido e só não fez algo pior porque Pran interveio e o segurou.
O dia de Pat estava ficando pior a cada minuto. Pran o tirou do campo e mandou ele se acalmar. Sentado sozinho, ele ouviu alguns comentários sussurrados de que a briga com Wai foi por causa do que aconteceu no parque com View.
Pat não fazia ideia de porque tinha agido daquela forma com Wai e ao ouvir as conversas escondidas, ele ficou ainda mais confuso. O que tinha acontecido? Já que envolvia View, a melhor coisa era falar diretamente com ela.
Ele a esperava para irem embora juntos, pela primeira vez reparou que ela não sorria da mesma forma quando o via. Ele ficou inquieto. A escala de coisas ruins do dia tinha descido mais um nível.
"Você quer que eu leve sua bolsa?"
"Não precisa! Está leve!" Ela deu um sorriso inocente.
Pat tentava puxar assunto porque o silêncio o incomodava, porém as respostas dela eram evasivas. Era cansativo ficar nesse jogo e Pat não tinha paciência.
Quando chegaram na porta da casa dela, porque agora ela não queria mais ir para casa dele, eles quase não ficavam sozinhos mais, Pat perguntou o que houve entre ela e Wai.
Seu questionamento foi feito de maneira direta demais e soou um pouco rude e ela ficou na defensiva.
"Não aconteceu nada entre mim e ele! De onde você tirou essa ideia!?"
"As pessoas estão comentando. O que aconteceu no parque?"
"Nada!"
"No dia que eu fiquei de castigo, o que ele fez?" Pat insisitiu.
"Pat, não aconteceu nada!"
Pat sentia que ela estava mentindo.
"Você gosta dele?" Ele perguntou e seu coração pulsava na sua garganta e ele percebeu que tinha medo da resposta.
"Claro que não, Pat!"
"Gatinha" o apelido que ele gostava de usar saiu arranhando pela sua boca "View, eu... me diz o que está acontecendo. Eu ouvi as pessoas falando, não pode ser do nada. E... bom... você está estranha também!" Sua voz foi sumindo conforme ele falava.
"Wai me chamou para ir na roda gigante com ele. Foi só isso. E eu não fui!" Ela se apressou em dizer "Fui com a Ink! Pergunta pra ela! Eu juro!"
Pat acreditava nela.
"E por que você... quero dizer, entre a gente está estranho?"
"O que está estranho?" Ela não queria admitir para si mesma, mas no fundo concordava com ele.
"Você. A gente. Tudo está estranho. Desde... é... bom... desde que a gente transou!" As mãos de Pat suavam e ele sentia que poderia chorar a qualquer momento.
"Pat!" Ela disse como um lamento.
Ele soube que tinha razão e o que já estava ruim, piorou. Talvez fosse melhor parar a conversa ali. Ele não tinha certeza se queria ouvir o resto.
"Pat, eu... eu não sei..."
"Foi tão ruim assim? Eu te machuquei? O que eu fiz de errado!" Seus olhos brilhavam com as lágrimas que ele tentava conter.
"Nada! Você não fez nada errado! Você foi perfeito! Eu já te disse!" Ela sorriu com docura e o olhou com condescendência, do mesmo modo que as pessoas olham para animais ou crianças quando fazem bobagem, e isso o irritou.
"Então qual o problema? Por que a gente está assim?"
"Eu amo quando você me toca, mas... Pat... é.... eu não gosto... eu não gostei da..." ela diminuiu o tom de voz e se aproximou dele "eu não gostei de quando você entrou em mim" ela ficou constrangida, mas continuou antes que ele pudesse dizer qualquer coisa "doeu um pouco, mas o problema não foi esse. Eu achei... eu não gostei! Não sei explicar!"
Pat não sabia o que pensar porque para ele tinha sido maravilhoso.
"Eu sei que você gostou! E eu não sei se você vai querer ficar comigo se a gente não fizer mais. Não com..." ela sussurou novamente "penetração."
"A gente só fez uma vez, pode ser que na próxima seja melhor." Ele sugeriu acanhado.
View suspirou e o olhou de novo com aquele olhar de ternura e a raiva de Pat aumentou.
"Eu.... tudo bem. A gente não precisa fazer se você não quer." Ele estava chateado e sendo sincero. Ele gostava dela e poderia fazer isso por ela.
"Eu preciso entrar agora. A gente conversa outra hora, pode ser?" Ela percebeu a decepção no rosto do namorado, porém não poderia mentir para ele e muito menos para si mesma.
Ela o beijou na bochecha e entrou.
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Tic Tac Toe Bad Buddy Multiverso
FanfictionE se Pat e Pran fossem criados juntos? E se não houvesse brigas entre as famílias? Essa história começou com um pensamento aleatório e foi tomando forma e crescendo dia a dia e eu não consegui ignorar. Tic Tac Toe, ou Jogo da Velha, é uma brincadei...
