Pran virou as costas e saiu do quarto pretendendo fugir do constrangimento causado pelo comentário do namorado, que o seguia dando risada. Ele coçava o lóbulo da orelha, pois também estava envergonhado pelo que tinha feito no banheiro. Conforme descia as escadas, ele lembrou que os pais deles estariam ali e pensou que tinha sido uma péssima ideia ter saído de lá.
Para sua felicidade, a cozinha estava vazia e não tinha ninguém na sala. Ele respirou mais tranquilamente e não se importou quando Pat passou do seu lado, o cheirou perto da bochecha e foi para o sofá, onde se jogou e resmungou, cansado.
Eles ficaram um tempo olhando o programa que passava na televisão, sem se importar de fato com o que viam. Pat fazia carinho na perna do namorado, enquanto Pran alisava sua mão, os dois estavam distraídos, felizes e alheios ao mundo. Quando os pais de Pran voltaram, Pat se despediu e foi embora.
Dissaya contou sobre a conversa que teve com os vizinhos. Ela ainda estava magoada com a forma como o filho tinha sido tratado e seu marido tentava apaziguar a situação.
Ele dizia que a mãe de Pat era superprotetora (nessa hora, pai e filho trocaram olhares em concordância de que Dissaya também era), mas sua esposa o interrompeu e disse que isso não dava o direito dela julgar o filho de maneira tão agressiva.
Pran disse que ouviu risadas e Dissaya revirou os olhos, Ming tinha feito alguma piada sobre não precisar se preocupar em ser avô tão cedo e isso era repugnante, na opinião da sua mãe.
“Eles ficaram julgando meu bebê como se ele fosse um maníaco e nem olharam para o próprio filho. Ele namorou aquela garota, dormiu com ela, era a primeira vez dela provavelmente...” Pran se assustou ao ouvir a mãe falar sobre isso “Sim, filho, eu sei que eles dormiram juntos, porque nós vimos o lençol que Pat tentou lavar, e depois ele terminou com ela. Ele foi extremamente canalha e ela tem a ousadia de falar de você, que sempre é tão gentil e carinhoso com todo mundo!”
“Foi a View que terminou com o Pat.” Pran falou cabisbaixo.
“Isso não vem ao caso. Aquela lá não tinha o direito de te tratar daquele jeito.”
“Ela se preocupa com a Pa e talvez a nossa amizade... bom... meu carinho por ela, tenha confundido as coisas na cabeça da tia.” Pran murmurou.
“Está vendo?” Dissaya deu um tapa leve no braço do marido “Nosso filho é tão bom que está tentando defender aquela mulher...”
“Dissy, ela é sua amiga há mais de vinte anos, ela não é ‘aquela mulher’, por favor!”
“Você e o Ming são iguais, vocês não se importam com seus filhos e ficam querendo pôr panos quentes nessa situação. Eu não vou admitir que tratem meu filho dessa forma.”
“Mãe, eu não me importo. Está tudo bem, não quero que você brigue com a tia.” Pran sentia que as palmas de suas mãos estavam frias e pegajosas. Se sua mãe brigasse com os vizinhos, ele e Pat teriam problemas no futuro e ele não queria pensar em como seria se as famílias se odiassem.
“Eu estou te defendendo, filho! Por que você está contra mim?”
“Eu não estou contra nem a favor de ninguém, mãe, foi só um mal entendido.” Pran falou mais alto do que gostaria e sua mãe o olhou magoada “Me desculpa!”
“Tudo bem, talvez eu seja a louca exagerada mesmo!” Dissaya se levantou e subiu as escadas em direção ao quarto.
Pran olhou para o pai, que também se sentia perdido no meio dessa discussão toda.
“Vai ficar tudo bem?” Pran perguntou aflito.
“Ela só precisa de um tempo. Sua mãe sempre foi muito protetiva, Pran, sempre defendeu nossos amigos das injustiças e foi esse cuidado com os outros que fez eu me apaixonar por ela.” Ele olhou para cima, em direção ao segundo andar, e sorriu apaixonado e Pran sentiu um misto de timidez e orgulho “Ela precisa de um tempo para se acalmar.”
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Tic Tac Toe Bad Buddy Multiverso
FanfictionE se Pat e Pran fossem criados juntos? E se não houvesse brigas entre as famílias? Essa história começou com um pensamento aleatório e foi tomando forma e crescendo dia a dia e eu não consegui ignorar. Tic Tac Toe, ou Jogo da Velha, é uma brincadei...
