Parte 45

342 39 128
                                        

Do seu quarto, Pran ainda ouvia algumas vozes alteradas vindas da casa vizinha. Ele mandou uma mensagem para o namorado, que não respondeu.

Ele tentava se distrair desenhando e de tempos em tempos consultava o celular, olhava as horas, as mensagens e procurava afastar seu pensamento da discussão. Pa o protegeu e pareceu segura do que fez e ele a admirava tanto, porque não se sentia capaz de fazer isso nunca em sua vida.

“Oi!”

A voz de Pat o assustou e ele pulou da cadeira, seu namorado estava parado na porta do seu quarto e sorria um pouco encabulado.

“Sua mãe disse que eu podia subir. Posso entrar?” Ele perguntou parecendo ter se divertido com o susto do namorado.

Pran levantou rápido, o puxou pela mão e fechou a porta. Depois passou os braços em volta do seu pescoço e o beijou.

“Desculpa! Eu deveria ter falado que a gente estava junto, mas eu não tive coragem.” Pran tinha os olhos úmidos e Pat segurou seu rosto, limpando as lágrimas que desciam.

“Eu falei com a Pa. Ela está bem e feliz por ter contado, não fica pensando nisso.”

“Mas eu deveria...”

“Essa não é uma decisão só sua, Pran.” O tom sério da voz de Pat fez Pran conter seus pensamentos ansiosos “Eu não sei se quero contar agora, ainda mais depois de tudo o que aconteceu.”

“Eu sei, desculpa!”

Pat beijou a testa do namorado e o abraçou mais uma vez.

“Será que nossos pais vão brigar ou se odiar? Eu nunca vi seu pai gritar daquele jeito e nem minha mãe bater em alguém.” Os dois estavam temerosos pelo futuro.

“Acho que não. Meus pais vieram conversar com os seus e eles estão na sala agora.” Pat o acalmou “Minha mãe é um pouco neurótica com esse negócio de gravidez. Lembra que a gente ouviu aquela palestra sobre camisinha quando eu comecei a namorar a View?" Eles riram e Pran pensou que isso não aconteceria por acidente agora, com nenhum dos dois filhos dos vizinhos.

"Eles ficaram tão bravos com a Pa..." Pran queria controlar seu nervosismo e segurava uma das mãos de Pat e apertava cada dedo como se fizesse uma massagem.

"Acho que foi o susto. Meu pai estava bem mais tranquilo depois, ele precisou brigar com ela por causa do dinheiro gasto, mas acho que ele vai aceitar." Pat olhava as mãos de Pran se movendo "Eu também me assustei quando ela falou." Ele confessou.

"Era tão óbvio!" Pran sorriu e olhou para Pat, que respirou com calma "A gente é muito lerdo para perceber isso."

"Pois é. E quem diria que eu não fiquei com a Ink, mas minha irmã ficou." Pat falou alto e sem pensar.

Pran soltou sua mão e se afastou emburrado.

"Você queria ficar com ela?"

"Não! Não sei. Acho que não." Pat estava temeroso sobre o que dizer.

"Queria ou não, Pat?" Pran insistiu sentindo uma raiva crescer dentro do peito.

"Eu nunca olhei pra ela assim. Ele é bonita, mas quando a gente foi ao cinema, eu queria fazer ciúme na View. Então, eu não sei."

"Você usou a minha amiga?" Pran não estava tão indignado quanto sua voz deu a entender. Ele só queria um motivo para dar um tapa no braço do namorado para aliviar seu ciúme e essa foi uma boa oportunidade.

"Agora eu sei para quem você puxou essa mania de dar tapas.”  Pat se encolheu e os dois riram e relaxaram um pouco "Você namorou com ela e eu nunca falei nada!"

Tic Tac Toe Bad Buddy Multiverso Onde histórias criam vida. Descubra agora