Parte 28

346 39 74
                                        

"O terceiro é parecido com esses dois, mas tem que prestar atenção no sinal, porque fica negativo aqui."

Pat explicava o último exercício e apontou para a equação e Pran empurrou a mão dele, porque já tinha entendido como resolver.

Pat se deitou de lado, puxou Nong Nao para perto e ficou esperando que ele terminasse.

"Está certo, né?" Pran mostrou para Pat, que confirmou com um aceno de cabeça.

"E qual o meu pagamento pela aula de hoje?" Pat o olhou daquele jeito que deixava o namorado encabulado.

"É minha mãe que vai te pagar, não é?"

Pran fingiu não entender o que ele queria dizer. Sua intenção era deixar o namorado sem graça, mas Pat sorriu e Pran se sentiu totalmente desarmado.

"Eu esperava ganhar um beijo, mas se eu tenho que falar com sua mãe, talvez ela me dê sua mão!"

Pat riu quando Pran arregalou os olhos e abriu a boca chocado. Ele se levantou e abraçou o namorado, que ainda processava o que tinha ouvido, e o empurrou para trás, se deitando sobre ele.

Se Pran estava inerte por causa do comentário, quando se viu debaixo do corpo de Pat, ele sentiu sua cabeça rodar e sua visão ficar turva.

"Tudo bem?" Pat perguntou ao notar que o namorado estava pálido.

"Sim... é que... eu... é... não esperava..."

"É só um abraço, Pran!" Ele disse inseguro "Não vai... nós não vamos... não precisa acontecer nada." Pat estava envergonhado por falar sobre isso.

"Eu sei!" Pran suspirou se sentindo idiota por reagir assim.

Pat deitou a cabeça no peito de Pran e ouviu seu coração bater muito rápido. Ele pegou a mão do namorado e colocou sobre sua cabeça, pedindo carinho e Pran começou a alisar seus cabelos, enquanto sua respiração normalizava.

Pat também estava nervoso por ficar com Pran desse jeito. Ele não tinha certeza do que podia fazer e duas coisas o preocupavam: os dois eram garotos e ele se sentia inseguro e confuso sobre como aquelas coisas funcionariam entre eles. Pat se tranquilizava pensando que era muito cedo para fazer isso, mesmo que ele já tenha imaginado estar com Pran daquele jeito umas duas ou três vezes. Era errado fazer isso? Ele não sabia.

O outro problema era o que tinha acontecido com Chang. Ele odiava pensar naquele babaca o tempo todo, porém a lembrança de como Pran tinha ficado atordoado nos dias após o incidente, seu choro e sua tristeza, tudo isso ainda doía no seu coração. Pat encostou o nariz no peito do namorado e inspirou.

Ele tinha notado que Pran estava tão apreensivo quanto ele quando entraram no quarto, além disso, sempre que Pat se aproximava, a primeira reação do namorado era se esquivar ou travar. Podia ser timidez, mas e se fosse medo pelo que aconteceu antes?

Pat tinha procurado na internet sobre como as pessoas lidam com esse tipo de violência e se assustou em saber que muitas ficavam traumatizadas pelo resto da vida. E se esse fosse o caso de Pran? O beijo na cozinha foi intenso, porém, agora, eles estavam no quarto, na cama, e isso o fez ficar pálido alguns minutos atrás só por estarem deitados juntos. Pat esperava que ele ficasse envergonhado, com as bochechas vermelhas, mas a palidez o assustou.

Ele fechou os olhos, inspirando o cheiro de Pran e escutando seu coração desacelerar.

"Quando você quiser me ver a noite, me avisa que eu vou. Eu vou esperar você me chamar, eu prefiro que você fale, tá bom?" Pat disse e Pran concordou.

Era tranquilo ficar com Pat assim, brincando com seus cabelos, seu cheiro, sua voz, seu calor, eram o paraíso de Pran.

Eles conversaram sobre as coisas da escola, as fofocas dos alunos, trivialidades do dia a dia adolescente deles, até que Pran se sobressaltou.

Tic Tac Toe Bad Buddy Multiverso Onde histórias criam vida. Descubra agora