Parte 27

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Pran fazia sua lição na cozinha, dali ele conseguia ver a garagem da casa ao lado e saberia quando Pat chegasse. Ele estava ansioso para ficar perto do namorado. Pran baixou o rosto envergonhado mesmo estando sozinho.

Pat era seu namorado.

Quantas vezes ele já tinha pensado a mesma coisa? Ele não sabia. Sua única certeza era de que ficava feliz em repetir essas palavras.

Ele ouviu o portão do vizinho  abrir, se levantou correndo e foi até a porta. Seria ridículo parecer tão desesperado assim? Ele inspirou profundamente e tentou se acalmar.

Pat descia do carro quando ele chegou no quintal dele.

"Que bom que você está aqui para fazer companhia para ele" a mãe de Pat apontou por cima do ombro "Eu preciso sair e ele está reclamando de tudo hoje."

Ela sorriu e viu a cara preocupada de Pran.

"Tudo bem... eu acho!" Ele disse, incerto.

"Se ele te perturbar, você me liga, ok?"

Pran ficou vermelho e baixou os olhos.

Pat parou ao lado de Pran com o semblante contrariado, se despediu da mãe e a viu entrar no carro e sair.

"O que aconteceu?" Pran estava apreensivo.

"O dentista disse que vou ficar ainda mais um mês com isso na boca e ele mexeu no meu aparelho e tá doendo até para falar. "

"É bom que você fica um pouco quieto."
Dar respostas grosseiras para Pat era uma prática recorrente de Pran e agora ele pensava se deveria mudar esse comportamento, no entanto era tão difícil.
"Desculpa, eu falei de brincadeira." Ele tentou corrigir seu erro após ver a cara de poucos amigos do namorado.

Pat foi em direção a sua casa e Pran o seguiu.

"Onde a Pa está?"

"Deve estar com Ink, sei lá."

Definitivamente, o humor dele não estava bom. Antes Pran se divertiria debochando do vizinho, porém,  agora, não achava que era uma atitude legal como namorado.

Pat colocava água gelada num copo e Pran parou perto dele.

"Quer água?" Ele perguntou de cara fechada.

Pran balançou a cabeça negativamente e passou os braços pela cintura de Pat, encostando a cabeça no seu ombro. Ele percebeu o corpo de Pat se contrair por um breve momento antes de relaxar e deitar sua cabeça de lado para se encostar nele.

Ele acariciou as mãos de Pran envolta da sua cintura e bebeu um gole d'água.

"Acho que você é o melhor namorado que o Pat poderia ter também!" Ele deu um sorriso contido pela dor e Pran deu uma cabeçada de leve no braço dele, tentando disfarçar sua timidez "A gente foi feito um para o outro!" Pat tentou sorrir mais e sua boca doeu.

Pran o soltou e deu um passo para trás. Ele ficava sem jeito perto do namorado, principalmente quando ele dizia coisas assim.

"Não! Volta! Eu preciso de abraço!"

Ele abriu os braços e fez bico e sua boca doeu de novo. Pran, que tentava parecer indiferente, franziu a testa preocupado e se enfiou no meio dos braços dele.

Pat sentia o coração de Pran bater tão acelerado quanto o seu e o apertou contra o seu corpo.

"Eu... eu senti falta... eu senti falta disso!" Pran sussurrou.

"Você pode me abraçar a hora que você quiser!" Os dois riram "E me beijar também!"

"Melhor não! Você está todo dolorido, acho que você nem consegue beijar mais." Pran o provocou com a certeza de que alguns comportamentos eram difíceis de mudar.

Pat procurou os olhos do namorado e o encarou. Pran fingiu parecer sério, mas suas orelhas ardiam.

"É, acho que você tem razão." Pat acariciou a bochecha de Pran que soltou um leve arfar. "Você vai conseguir ficar um mês sem me beijar?"

"Acho que sim." Pran deu de ombros, fingindo desinteresse.

"Você é tão compreensivo!"

Pat deu um meio sorriso (porque assim quase não doía), mas mantinha o olhar fixo em Pran e isso o desconcertava. Pat sabia e se divertia.

"Eu posso..." ele segurou o rosto de Pran e se aproximou "cheirar sua bochecha?" Ele perguntou, encostando o nariz perto de onde se formava a covinha dele.

"Pode..." Pran fechou os olhos e sentiu seu corpo todo arrepiar quando o nariz de Pat brincou por toda aquela área até próximo da sua orelha.

"Posso dar um beijo no seu rosto?" Pat sussurrou.

"Pode." Pran murmurou, sentindo sua barriga formigar.

Pat virou levemente o rosto de Pran e o beijou do outro lado. Seus lábios tocavam a pele do namorado com delicadeza. Ele beijou o canto da boca de Pran, sua maçã do rosto e perto da orelha.

Pat gostava de ouvir como Pran estava ofegante, ele passou um braço pela cintura dele e o puxou para mais perto.

Sua outra mão envolveu a nuca do namorado, puxando-o para um beijo rápido. Ele encarava Pran e desceu a mão pelas costas dele, segurando o com força pela cintura com os dois braços.

Pran sentia que estava completamente perdido com as provocações de Pat. Não era uma disputa, ele só queria saber se o outro também se descontrolaria. Então ele enfiou os dedos entre os cabelos do namorado e o beijou. A língua de Pran se sentia confortável dentro da boca de Pat, que naquele momento só sentia dor na virilha por causa da  pressão causada pelo tecido grosso da calça que o prendia.

Essa empolgação do namorado não passou despercebida por Pran, que empurrou seu corpo contra o dele e Pat gemeu alto, encostando sua testa na dele. Os dois sentiam o calor aumentar.

Pran não pensava em mais nada, ele estava perdido no olhar de tesão e entrega de Pat. Com Pat, não existia medo e nem vergonha. Com Pat, ele não era burro ou estúpido por seguir seu desejo. Com Pat, ele não era estranho e nem era errado.

Pat não era Chang.
Pat era seu namorado.
Pat era seu.

Pran olhou o namorado nos olhos e mordeu de leve o lábio inferior dele, depois passou a língua por onde deu a mordida e Pat gemeu de novo.

O som do portão abrindo os lembrou de que estavam na cozinha e a mãe de Pat estava chegando.

Eles se afastaram, Pat bebeu o resto da sua água e enfiou as mãos nos bolsos.

"Pat, isso não funciona!" Pran verificou que dava para ver o pênis dele marcando a calça "Nunca funcionou!" Ele falou sério.

Ao ver o rosto de Pat sorrindo em zombaria, ele quis sumir de vergonha.

"Vem comigo!"

Pat o puxou pela mão e Pran mal conseguia subir as escadas, pois suas pernas tremiam: eles estavam indo para o quarto de Pat.

Ele o arrastou escada acima, entrou no quarto e não trancou a porta. Ele parecia ter um plano e isso preocupava Pran.

"Pega!"

Ele jogou uma lista extra de exercícios de matemática no colo de Pran e os dois sentaram na cama.

"Você não fez nada dela ainda? Não é para amanhã?" Pran não acreditava em como Pat era displicente.

"É fácil!" Pat disse, preocupado, tentando ouvir os passos de sua mãe subindo as escadas.

Ela parou na porta e olhou para os meninos e Pran não pôde evitar ficar com o rosto vermelho. Pat sorriu e levou a mão à boca por causa da dor do ajuste do aparelho e fechou a cara por um instante.

"O que vocês estão aprontando?" Ela perguntou desconfiada.

O coração de Pran estava acelerado e ele se virou para Pat, que tinha colocado uma almofada sobre o colo.

"Estou repassando a lista de matemática com ele. Foi a tia que pediu!" Ele disse com segurança.

A mãe de Pat olhou para Pran, que se espantou, mas concordou.

"É verdade, tia! Minha mãe pediu para ele me ajudar."

Ela sorriu satisfeita e saiu, fechando a porta.

"Eu tinha esquecido disso." Pran falou baixinho.

"Eu não!"

"Como você vai me ajudar se você não fez nada e eu já terminei a minha?" Pran estava irritado. Ele não gostava de ser lembrado de que as notas de Pat eram melhores do que as dele.

"Você fez até os três últimos exercícios?" Pat o desafiou e Pran gaguejou.

"Eu... eu não fiz... é... porque você chegou e eu vim pra cá!" Ele se justificou. Ele não sabia como resolver. Ainda! Ele iria descobrir sozinho.

Pat sorriu, se sentou do lado dele e o beijou na bochecha.

"Não é difícil." ele falou " você só precisa..."

"Você está falando sério mesmo? Você vai me explicar isso agora?" Pran estava em dúvida se ficava feliz por terminar logo essa tarefa ou se ficava bravo por perderem a oportunidade de continuar de onde tinham parado.

"Eu prometi para sua mãe! Pega o lápis, anda logo!" Pat soou um pouco apreensivo ou podia ser só impressão de Pran.

"Como você vai me explicar se você não fez?" Pran o desafiou.

"Eu não preciso escrever para saber como resolver!" Ele disse com determinação.

Pat começou a explicar e Pran sentiu orgulho de como seu namorado era inteligente, porém o olhou enfadado porque não queria que ele soubesse disso, não naquela hora.

Pat não era muito paciente para explicar e seu raciocínio seguia uma linha um pouco complicada para Pran acompanhar, além disso sua tendência a fazer comentários ácidos ainda não tinha sido domada. Os dois conversaram, discutiram e se entenderam algumas vezes. A felicidade de estarem fazendo isso juntos era uma novidade a qual eles iriam se acostumar.

"Praaan!" Eles ouviram Pa gritar quando chegou e Pat, contrariado, cruzou os braços sobre o peito.

"Pa! Não é para ir lá! Eles estão estudando!" Pat sorriu ao ouvir o que sua mãe gritou. "Não teima! Não vai perturbar os meninos!"

Não dava para entender o que Pa dizia, só sabiam que ela estava resmungando e Pat riu com vontade.

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