Parte 38

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Assim que retornaram as aulas, o diretor pediu para que o grupo dos garotos continuassem ensaiando para fazer apresentações esporádicas nos eventos da escola e ele disponibilizaria uma sala para que os ensaios pudessem acontecer após as aulas.

As pessoas próximas ao corredor olhavam com estranhamento o grupo que saiu da sala do diretor pulando e gritando em comemoração. Não era comum um grupo sair tão feliz depois de ficar um tempo conversando naquele lugar.

Wai e Pran estavam verificando o cronograma das aulas para encaixar os ensaios, enquanto Pat, Safe, Korn e Louis jogavam futebol no pátio. Na verdade, eles chutavam uma latinha de refrigerante e se batiam.

"O Pat não consegue ficar longe do Korn, não é?"

Pran estava concentrado nos horários, que não reparou que seu amigo tinha se dispersado e sondava o jogo.

"Eles são amigos." Pran engoliu seu ciúme e mantinha o foco na certeza das palavras do namorado.

"Só acho que não tem necessidade de ficar apertando ele toda hora. É tão irritante!"

Pran soltou o lápis que segurava e encarou Wai, que desviou o olhar e ficou ruborizado.

"Wai? Você é... está acontecendo alguma coisa?"

O coração de Pran acelerou pensando que o amigo pudesse gostar de Pat. Eles nunca tinham conversado sobre isso, mas sua insistência em implicar com seu namorado o fez ter receio de que o outro sentisse algo.

Wai virou o rosto e negou, porém, sua cabeça toda parecia que ia explodir de tão vermelha.

"Você está mentindo pra mim!" Pran o segurou pelos ombros.

"Não estou, não!" Sua voz falhou e Pran riu.

"O que está acontecendo? Me fala! Você gosta do Pat?" Ele precisava desesperadamente saber.

"Não! Credo! Pat é insuportável! Ninguém poderia gostar desse cara." Havia um certo tom de raiva na voz de Wai que fez Pran acreditar no que ele dizia e isso o acalmou. Ao mesmo tempo, Pran ficou incomodado por ouvi-lo falar assim do seu namorado.

"Ele não é insuportável!"

"De novo você defendendo ele. Nem o Korn aguenta esse cara, olha lá!" Wai parou de rodar o lápis entre os dedos e apontou para o pátio.

Pat tentava dar uma rasteira em Korn, que olhava para Pran e Wai, aterrorizado, como se pedisse socorro.

"Pat, para!" Pran gritou e Pat soltou Wai, que caiu sentado no chão.

Pat mostrou o dedo do meio para o namorado e se afastou irritado. Pran revirou os olhos já imaginando que eles teriam uma conversa séria mais tarde.

Korn ficou sentado no chão e alternava, virando a cabeça para ver Pat se afastar e depois olhava para Wai. Ele parecia angustiado antes de se levantar e correr atrás do amigo.

Wai quebrou o lápis que prendia entre os dedos e bufou de raiva.

"É dele que você gosta?" Pran se virou para o amigo e murmurou "É do Korn?"

"Você está louco?"

"Você quem está louco! Olha sua cara!" Pran tentou manter sua voz baixa.

Os olhos do amigo estavam cheios de lágrimas e sua tristeza cortou o coração de Pran, que o segurou pela mão e o levou para um banco longe dos outros alunos.

"Você quer falar o que está acontecendo?"

"É bem óbvio, eu acho!" O maxilar de Wai estava tão tenso que parecia querer quebrar os dentes tamanha era a força com que ele os apertava.

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